segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Editorial de ‘The New York Times’ de 02/01/2017 (Tradução)

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Por que as  grandes corporações empresariais estão a ajudar Donald Trump a mentir sobre empregos

O presidente eleito Donald Trump gostaria que todos acreditassem que sua eleição dinamizará a economia, forçando as empresas a criar milhares de empregos nos Estados Unidos. E empresas como Sprint parecem perfeitamente felizes em acompanhar esta ficção, porque sabem que podem lucrar consideravelmente por acomodar o Sr. Trump.
Na quarta-feira, o Sr. Trump afirmou que um alto executivo do Sprint lhe dissera que a empresa gostaria de aumentar 5.000 empregos "por causa do que está a suceder assim como o espírito e a esperança."Mas acontece que os postos de trabalho são parte de um compromisso anterior pela empresa-mãe do Sprint,  SoftBank, cujo chefe do executivo disse na ‘Trump Tower’ em Dezembro, que seriam investidos US $ 50 mil milhões e criar 50.000 empregos nos Estados Unidos. E mesmo essa promessa foi parte de um fundo de tecnologia de US $ 100 mil milhões que o SoftBank anunciou em Outubro, antes da eleição. Em suma, a declaração do Sr. Trump tornou-se ar quente, como o 'tweet' no qual ele agradeceu pessoalmente por um aumento do índice de confiança do consumidor no mês passado.
É fácil ver por que SoftBank e Sprint podem querer ajudar o Sr. Trump a beneficiar do crédito para a criação de postos de trabalho. O chefe executivo da SoftBank, Masayoshi Son, pretende da Divisão Antitrust do Departamento de Justiça e da Comissão Federal de Comunicações a permissão de uma fusão entre a Sprint e T-Mobile. Em 2014, reguladores, nomeados pelo Presidente Obama deixaram claro ao Sr. Son que essas entidades não aprovariam tal transacção porque a mesma diminuiria o número de empresas nacionais de telecomunicações sem fio para três, de quatro, reduzindo a concorrência numa indústria já concentrada. O Sr. Son vê uma nova abertura para o seu negócio no Sr. Trump, que se cercou de pessoas ladeadas por grandes empresas de telecomunicações em debates regulamentares e argumentaram contra a difícil aplicação da lei antitrust.
Este é o capitalismo de compadrio, com consequências potencialmente devastadoras. Se o Sr. Trump nomeia pessoas para a Divisão Antitrust e o F.C.C... que estão dispostos em flutuar na onda através da fusão Sprint/T-Mobile, ele vai fazer danos permanentes à economia que superam de longe qualquer benefício de 5.000 empregos; empregos que podem ter sido criados mesmo sem a fusão. Cidadãos e empresas irão encontrar os custos do serviço sem fio muito mais altos quando tiverem apenas Verizon, AT&T e T-Mobile/Sprint para escolher.
Além disso, Sprint e T-Mobile combinadas diminuiriam inevitavelmente milhares de empregos como executivos da mescla de redes das empresas, lojas, sistemas de facturação, departamentos de serviços ao cliente e assim por diante. Isso aconteceu uma e outra vez depois dos grandes negócios das operadoras de telecomunicação. Quando a AT&T adquiriu a BellSouth em 2006, executivos superiores disseram que esperavam cortar 10.000 empregos depois do negócio ter sido fechado em Dezembro do mesmo ano. Desde então AT&T também adquiriu a DirecTV. No final de Setembro, AT&T empregou 273.000 pessoas ao redor do mundo, muito abaixo de 309.000 em 2007.
Tornou-se claro que o Sr. Trump se distrai facilmente com objectos brilhantes, especialmente se estes reflectem o brilho à volta dele. Ele está mais interessado em gabar-se de pessoalmente ter mil empregos na Carrier, digamos, do que em detalhes de política que poderia fazer a diferença na vida de dezenas de milhões de trabalhadores. Não importa que a Carrier só esteja a manter cerca de 800 empregos e que o seu executivo-chefe tenha dito que a empresa iria livrar-se de alguns desses de qualquer modo através da automação. Isto deve preocupar grandemente os americanos, especialmente as pessoas que estão a contar com o Sr. Trump para reanimar a economia e ajudar a classe média.

(Traduzido por Carlos Fonseca em 02/01/17)