sexta-feira, 30 de junho de 2017

Simone Veil

Judia, nascida em Nice em 1927, faleceu hoje Simone Veil. Passou, com a mãe e a irmã, pelos campos nazis de Auschwitz-Birkenau e, em seguida, por Bergen-Belsen. Sofreu a dureza do holocausto, mas livrou-se.
Licenciada em direito, optou pela magistratura. As notáveis qualidades intelectuais permitiram-lhe atingir o cargo de secretária-geral do Conselho Superior de Magistratura de França.
Abandonada a carreira na Justiça, ingressou definitivamente na política. Em 1974, foi nomeada Ministra da Saúde do governo de Jacques Chirac e Raymond Barre - o presidente era Valery Giscard d'Estaing.
Centrista, e muito próxima dos partidos de centro-direita UDF e RPR, fez história com a luta pela Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez. Bateu-se pelos direitos de igualdade do género. 
Inteligente, culta e activa foi uma política empenhada no papel social do Estado, tendo sido a primeira mulher eleita Presidente do Parlamento Europeu. O 'Público' (1) destaca a sua participação no governo da Presidência de François Mitterrand, o que pode induzir na ideia de que era socialista. Uma referência simplista, porque, na realidade, ao tempo de Mitterrand, Simone Veil integrou o governo de Edouard Balladour, homem próximo da UDF e do PRP que disputou e perdeu a eleição presidencial para Jacques Chirac.
Simone Veil, com outros actores da sua área política, combateu a favor das mulheres, da justiça social e de outras causas que o centro-direito do seu tempo assumia como deveres democráticos. Longe, muito longe, das ideias, concepções e acção de cariz neoliberal que caracterizam o desempenho de mulheres políticas do centro-direita de hoje, como Cristas e outras que vemos na ala direita da nossa Assembleia da República. 
(1) Adenda: O jornal 'Público' entretanto rectificou e ampliou a notícia inicial, em que conectava Simone Veil apenas com um governo de Mitterrand.

O povo uniu-se, os políticos hostilizam-se

Sou português de corpo e alma. Sou do povo da saudade, do fado e da solidariedade. Sou apenas um entre os mais desse povo emotivo, generoso e capaz de se reunir aos milhares e acumular milhões em socorro de concidadãos vítimas de tragédias.
A última manifestação de solidariedade e altruísmo dos portugueses teve como centro o concerto da passada terça-feira, dia 27, no Meo Arena. Os 25 intérpretes, muitos músicos, técnicos de som e de outras especialidades, seguranças e demais pessoal foram acompanhados ‘in loco’ por cerca de 14 mil espectadores. Em acréscimo, e remotamente, uns tantos milhões de emocionada e devotada gente viu e ouviu o evento, transmitido, em uníssono, pelos três principais canais televisivos, RTP, SIC e TVI, e um ‘batalhão’ de estações de rádio, para Portugal e para o mundo português. Este último é vasto e disperso.
Nessa noite da solidariedade com as povoações dos concelhos de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Góis, o povo uniu-se e gritou “Estamos aqui para ajudar!”. Que noite de serena e sentida concórdia.
Sem aprender nada com o significado do gesto colectivo e nacional, os políticos hostilizam-se. Tudo porque despudoradamente anseiam obter dividendos políticos com a desgraça. Vergonhoso.
Atendendo à natureza, dimensão e interesse colectivo do problema humano da colossal tragédia, seria agora o tempo de, na AR, os partidos desprezarem divergências e conciliarem esforços, com solenidade e espírito de unidade idênticos àqueles que o povo demonstrou. Caminharem juntos para: (1) averiguar com celeridade as razões objectivas e próximas do calamitoso incêndio (as causas remotas são conhecidas e resultantes de cumplicidades de diversos governos, há décadas); (2) avaliar as decisões e desempenhos das diversas instâncias envolvidas no combate ao catastrófico incêndio; (3) definir e executar um programa rápido e eficaz em relação a famílias, empresas e equipamentos locais, para devolver aos sobreviventes da tragédia a dignidade, os bens e os estilos de vida perdidos, já que, de alguns deles, jamais se poderá remover a dor pela perda de entes queridos que a tragédia matou; (4) discutir e definir estratégias para combater a desertificação, desenvolver o interior, reorganizar e estabelecer regras para a floresta, matos e a prevenção dos incêndios.
Tudo o que se enunciou pode parecer demasiado. Mas não. É justamente tudo o que, sem disputas repugnantes por votos e poder, compete à totalidade dos partidos parlamentares realizar com suprema eficácia. Infelizmente, não é o que está a suceder, como se pode concluir por este tipo de notícias (‘Público’).
Ouçam Srs. ministros, secretários de estado, deputados e dirigentes partidários!, o povo gritou a uma única voz e bem alto: “JUNTOS POR TODOS”. Cumpram!

terça-feira, 27 de junho de 2017

Passos Coelho é um incapaz! Ainda há quem não perceba?


Vasco Pulido Valente, Paulo Portas e acólitos enganaram-se rotundamente. A "geringonça", afinal, não é o governo do PS e os aliados parlamentares, BE e PCP. É, esse sim, o PSD de Pedro Passos Coelho, desgovernado, desconjuntado e conduzido para a auto-mutilação por um líder incapaz e cego pelo poder a qualquer preço. No desastroso percurso, existem outros figurantes cúmplices do comportamento errático e desprovido de sentido - lembro-me, agora, que não tenho visto o inefável Zeca Mendonça, talvez por estar encoberto por um monte que é negro e outros obstáculos e marcos dispersos, desde a costa a sinuosos caminhos interiores.
A tragédia de Pedrogão Grande e concelhos vizinhos, na qual se registaram 64 vítimas mortais, teve a maior expressão de todas aquelas geradas, em cada ano, no Portugal interior, desertificado, florestal e esquecido, há décadas, pelo poder político.
Se a utilização da catástrofe no discurso com fins de disputa pelo poder já é, por si, atitude reprovável, inventar suicídios é inqualificável. Passos Coelho já demonstrara insistentemente ser um político incapaz. Agora, tratou-se de mais um episódio.
O PSD, nas suas mãos, anda à deriva. Teve o acesso à direcção do partido pelo empenho do amigo Miguel Relvas, agora escuso. Sócrates, de PEC em PEC até ao PEC fatal, abriu-lhe o caminho do poder que exerceu sob o alto patrocínio de Schäuble e da 'troika'. Ultrapassou as metas de austeridade dessa mesma 'troika', com o detestável zelo de castigar os pobres e a classe média do País de forma desmedida. 
Derrotado por nova maioria parlamentar, diabolizou, no estilo e na figura, a governação de António Costa e ficou no vazio em termos de estratégia para a governação - o corte de 600 milhões na Segurança Social foi a derradeira promessa que se lhe ouviu. 
Deixou o sector financeiro em situação calamitosa, também pelo contributo da amiga Maria Luís de Albuquerque e da indiferença da 'troika'. E continua a demonstrar incapacidade de mobilizar grande parte do eleitorado, por falta de ideias e de projecto alternativo e credível. É um incapaz, em quem a maioria dos portugueses, alguns figuras de proa do próprio partido, não deposita confiança. 
As autárquicas serão a prova de fogo que enfrentará e ontem, uma vez mais, andou bem juntinho a toda a incapacidade crónica de que padece. Desde Pedrogão Grande, onde o candidato 'laranja' João Marques o impulsionou para grave erro, até Odivelas, concelho a que concorrerá o desacreditado Fernando Seara. É verdade: onde anda Teresa Leal Coelho? Bom, fiquemos por aqui. 


segunda-feira, 26 de junho de 2017

António Domingues ao serviço da “princesa” Isabel dos Santos

Sábado, encontrei um amigo. Já não o via há tempos. Esteve em Angola. “Então por cá de férias?”, perguntei. Respondeu-me: “Não! Regressei de vez, aquilo é um barril de pólvora. O presidente decidiu nomear João Lourenço, actual Ministro da Defesa, e há outros generais revoltados, não se sabe o que pode vir a suceder. Está tudo muito quente.” Despedimo-nos.
Conheço Angola. Por obrigações profissionais, durante anos a fio, visitava Luanda e outras cidades, mais de uma dúzia de vezes por ano.
Já aqui contei, mas repito: em 1992, no Huambo (antiga Nova Lisboa), vi crianças nuas, duramente desnutridas. Vagueavam pelas ruas e bebiam água das poças, como cães abandonados. Não contive as lágrimas. Sentei-me em cima de um pedregulho e chorei. Atrasei por 15 a 20 minutos a reunião com o Comissário local.
Angola, como é sabido, é, desde a independência, um vespeiro de corrupção. Nos últimos 36 anos, sob o comando de José Eduardo dos Santos e em benefício do próprio, claro, da filha mais velha, Isabel dos Santos, a “princesa” bilionária, de outros familiares e membros da casa presidencial; à cabeça destes, o poderoso e ultra corrupto, Kopelika (Vieira Dias) e o outro general famoso, Higino Carneiro. São estes dois últimos, e outros militares, quem reagiu com ódio à nomeação de João Lourenço para candidato presidencial.
Com muito povo a viver em miséria extrema, em musseques de Luanda e em outras cidades, vilas e aldeias do País, esta foi e é a Angola de “Zédu”. Desumana e cruel.
Tive vários convites para trabalhar naquele país. Rejeitei todos. A vida forjou-me defeitos e qualidades. Não serei o melhor juiz de uns e de outras. Tenho, todavia, firme convicção de que sofreria bastante, se estivesse ao serviço de corruptos angolanos (ou portugueses), com muitos dólares no bolso, gins na mesa do Clube Naval de Luanda e a circular, em carro de alta cilindrada, em Luanda. Sou incapaz de olhar com indiferença para incontáveis miseráveis, sobretudo crianças, ao meu redor. As novas torres de luxo, edificadas em Luanda, disfarçam mas não eliminam tamanha desgraça social.
É com o sentimento de exigência de ética e respeito pelos mais frágeis que me habituei a estar na vida. É impossível imaginar-me a trabalhar para a filha do autoproclamado Presidente da República Emérito de Angola.  Também designado pelo ‘Ditador Emérito’ e ‘Corrupto Emérito’ pelos críticos.
António Domingues, essa figura que me faz lembrar um ex-seminarista, beato, cínico e ambicioso, mostrou, de novo, a face de membro dessa elite ignóbil, que proliferou e arrasou a banca nacional, em prejuízo dos cidadãos. No caso dele, manter-se-á banqueiro, como vice-presidente do BFA,  ao serviço da corrupta Isabel dos Santos – aliás, Domingues já esteve ou está na NOS, de Isabel dos Santos e Paulo de Azevedo (Sonae).
Talvez não seja de estranhar que, desta vez, no ‘Observador’, que derramou notícias sobre notícias de Domingues com Centeno e CGD (aqui, aqui, aqui e aqui), se comemore com champanhe a nomeação do herói para o BFA de IS. Se houver festa, António Lobo Xavier estará lá e contará tudo, em pormenor, a Marcelo – Lobo Xavier faz-me lembrar o ministro salazarista Correia de Oliveira, a quem, nas redacções dos jornais, chamavam ‘O correio do Oliveira’.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Bocas do fogo

Sentir-me-ia mal comigo próprio se, antes do mais, não expressasse tristeza e dor causadas pela hedionda onda de incêndios, em três distritos do País (Castelo Branco, Coimbra e Leiria). Houve 64 vítimas mortais e é, acima de tudo, por estas, e famílias, que manifesto enorme mágoa.
O meu pai, enfermeiro psiquiátrico, foi bombeiro voluntário. Faleceu na minha adolescência. Desde então, na família ou entre amigos mais próximos, não conheci outro bombeiro. Dada a especialidade da profissão, era um homem sem conhecimentos de ataque a incêndios. Limitava-se a prestar assistência a vítimas de acidentes, fossem estes fogos ou de outro género - por exemplo, um acidente ferroviário em Vila Franca de Xira, onde passou uma noite inteira a cuidar de feridos e a encontrar mortos.
A alusão ao meu pai não é inócua. É feita por contraposição ao comandante da Liga dos Bombeiros, Mata Soares, que, por excesso de exposição e comunicações televisivas, é, a meu ver justamente, criticado por Raquel Varela (RV).
O ‘post’ de RV cita diversas declarações de Mata Soares, parte das quais também vi e ouvi. Mas, divergindo do conteúdo dessas declarações, Mata Soares ontem passou a argumentar que a origem do vasto incêndio não foi a trovoada, mas sim uma mão criminosa. Reforça o argumento com a possessiva afirmação “tenho para mim.” Tem para ele, acrescento eu, mas tem de partilhar explicação fundamentada perante a sociedade portuguesa, em especial aqueles que foram assolados pela tragédia.
À PJ, que, no dizer do Prof. Rui Pereira, foi demasiado lesta a divulgar a imagem de uma árvore visada pelo relâmpago como causa do vasto incêndio, competirá colher de Mata Soares o testemunho daquilo que ele diz que “tem para ele.” A catástrofe foi demasiado grave para servir de pretexto a presunções pessoais em termos de causas e de eventuais responsabilidades de quem cometeu o crime da ignição incendiária.
O que se passa com o presidente da Liga dos Bombeiros é idêntico ao que ocorre com um número elevadíssimo de comentadores e políticos de diversas tendências. São as “bocas do fogo.” Do PSD, que tem as mãos bastante sujas no SIRESP (veja-se este artigo do insuspeito João Miguel Tavares no ‘Público’), ouve-se diversas vozes a partidarizar a discussão de uma calamidade que, em geral e excepto para Mata Soares, teve origem em fenómeno meteorológico de gravidade e consequências extremas.
Seja de que partido for, e por consequência do próprio governo, não é legítimo e honesto usar o incêndio de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos, Góis e áreas geográficas conexas, como arma de arremesso ou de disputa político-partidária. Exige-se apenas a verdade e que sejam punidos os responsáveis, assim como o afastamento dos incompetentes na condução das operações.
Todavia, tome-se em consideração que as causas mais remotas e profundas se situam nas políticas que os partidos da governação, incluindo o PS, têm desenvolvido, ao longo de 4 décadas, no sentido da desertificação do interior, da limitação de culturas e criação de gado, e na arborização intensiva de eucaliptos.
Sou lisboeta, filho de lisboetas, com uma casa em aldeia do Alto Alentejo. Sou espectador activo do envelhecimento da população, da erosão dos solos e do abandono pelo Estado central, autarquias e própria GNR de gentes e terras do interior. É tudo isto que tem de mudar. Custe o que custar.    

sábado, 10 de junho de 2017

How about 'Brexit'? Maybe hard

video
Sexta-feira, dia 9 de Junho, em Londres. Theresa May deixou Downing Street, deu uma saltada até ao Buckingham Palace, falou com a Rainha Elizabeth II e regressou ao ponto de partida . 
Saiu Primeira-Ministra (PM) cessante e voltou PM indigitada, pelo que se depreende da declaração "vou formar um governo," no vídeo.
Tudo rápido, simples e eficaz, depois de uma noite eleitoral atribulada. O Partido Conservador perdeu a maioria absoluta ao conseguir, apenas, 318 deputados (-13), contra o sucesso do Partido Trabalhista com 262 (+30) parlamentares, do "perigoso esquerdista", Jeremy Corbyn, a quem muitos analistas vaticinavam uma catástrofe eleitoral - os resultados eleitorais britânicos suscitaram surpresas, entre as quais a eliminação do parlamento do UKIP do empenhado eurocéptico Sr. Farage, grande amigo do Sr. Trump.
Regressemos, porém, à Sra. Theresa May. A despeito das tensões que ficaram a ecoar no seio dos Conservadores, May deitou mãos à obra para se manter no poder. Em minoria relativa, firme e obstinada, captou o ultra-conservador DUP (Partido Unionista Democrático), irlandês e presbiteriano, para uma coligação parlamentar de suporte ao novo governo de May. Como se tratam de partidos de direita, para Pulido Valente, o autor da ideia da "geringonça", e Paulo Portas, o plagiador, a imagem para definir a coligação 'Conservadores+DUP' é um belo "coche" de talha dourada e conduzida por dois guardas palacianos que a rainha cedeu a Theresa May e Arlene Foster.
Em círculos políticos britânicos, a solução de coligação parlamentar está a deixar muitas apreensões. Quanto ao 'Brexit', mas sobretudo em relação ao já conturbado processo de paz na Irlanda do Norte. Os católicos do Sinn Fein, prevê-se, vão reagir mal à promoção do adversário DUP, proporcionada por May. Esta perde, assim, as condições de equidistância e de mediação do governo de Londres no citado processo, sendo certo que Tony Blair, ex-líder trabalhista da 3.ª via, já apelou a Theresa May para não se coligar com o DUP.
E então o 'Brexit'? ("How about 'Brexit'?"). Talvez seja árduo ("Maybe hard"). Talvez? Será certamente e para as duas partes, Reino Unido e União Europeia. A Sra. May submeterá condições leoninas aos 27 países restantes da UE. A preservação City, principal praça financeira europeia a ser transformada em ´paraíso fiscal' gigantesco; as restrições da liberdade de circulação e de exercício de actividades profissionais de imigrantes provenientes da UE; isenção de taxas aduaneiras e fiscais na UE para bens de origem britânica, a fim de reduzir riscos de falências, e de deslocalização para o Continente Europeu, de produtores de bens e serviços... enfim, tudo isto, e muito mais, são temas complexos que integrarão o dossier de negociações que, à partida, define como o árduo, mas que May crê ser apenas no desenvolvimento processual, jamais para os cidadãos e o próprio Reino Unido como país.
As estatísticas de portugueses residentes portugueses, em 2015 e 2016, apontam para cerca de 250.000. Porém, duvido deste número, por insuficiente. Há quem admita ser muito mais elevado, contando com os emigrantes não registados e em trabalho precário. Seja quantos forem, os portugueses do Reino Unido têm razões de peso para se preocupar com o seu futuro nos territórios do velho aliado de Portugal. May prometeu aplicar às sociedades empregadoras de imigrantes taxas por cada imigrante que conste do seu pessoal. As apreensões são muitas, entre enfermeiros e muitos outros profissionais de nacionalidade portuguesa. Não o seriam tanto se Corbyn tivesse ganho.
O 'Brexit' foi a causa invocada para a convocação de eleições antecipadas. May sentiu-se impulsionada pela vantagem 20% de votos das sondagens, mas o tema eleitoral, face a atentados, trouxe o debate da segurança para primeiro plano. E Corbyn insistiu que ela, como Ministra do Interior com Cameron, foi responsável pela dispensa de 20.000 polícias. Aguarde-se, em suspense, o desenrolar do filme 'UK vs EU'.  




quinta-feira, 8 de junho de 2017

0 Daesh em Teerão

Trump e o emir do Qatar em 21-Maio-2017
O Daesh cometeu dois atentados em Teerão. Registaram-se, pelo menos, 12 mortes e 48 feridos. [Público].
O Irão, xiita e republicano, jamais havia sido alvo de actos de terrorismo do ISIS, ortodoxo movimento sunita, em linha, aliás, com o que sucede no autoritário e corrupto regime monárquico da Arábia Saudita.
Independentemente da mágoa e respeito devido às vítimas e familiares, o execrável acto deve ser objecto de reflexão na perspectiva do tempo e espaço em que ocorreu, bem como de algumas transformações e posições políticas registadas entretanto:

(a) o atentado ocorreu dezassete dias depois do começo da visita do tresloucado Donald Trump ao Médio Oriente; visita esta iniciada justamente na Arábia Saudita, país a que o presidente norte-americano vendeu armamento militar, no valor de 98 mil milhões de euros;
(b) dois a três dias antes do atentado, a comunicação social divulgou que 7 Estados islâmicos sunitas (Arábia Saudita, Barhein, Egipto, Emiratos Árabes Unidos, Líbia e Maldivas) decidiram cortar relações diplomáticas e económicas, incluindo ligações aéreas, com o vizinho Qatar - alegaram que o emir do pequeno país, Tamim bin Hamad al-Thani, financia a Irmandade Islâmica (Egipto) e o Estado Islâmico a que o Daesh está vinculado, acusando, ainda, o citado emir de cordialidade nas relações com o grande rival Irão, onde domina a corrente xiita; 
(d) o Golfo Pérsico é uma região geoestratégica crucial,  onde se concentram 56% das reservas mundiais de petróleo e gás natural e os interesses dos negócios são muito significativos, em especial para um empresário, do estilo de Trump, defensor da ideia de que os EUA, ou qualquer outro país, podem ser governados segundo o modelo de gestão empresarial - venda-se armas em abundância a sunitas, porque o objectivo é ter clientes e o dinheiro não é irreconciliável com o terrorismo;
(e) o Qatar, embora com um território de superfície reduzida, é,  em simultâneo, o maior produtor mundial de gás natural e o país onde, curiosamente, está instalada a mais importante base militar e aérea dos EUA no Golfo Pérsico. Dali, partem aviões para bombardear zonas ocupadas pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Todas as condições descritas, face ao atentado do Daesh em Teerão, levam à conclusão que, além do mentiroso da 'pós-verdade' e dos 'factos alternativos', Trump é, de facto, um tremendo irresponsável e um perigoso 'líder' de uma potência, EUA, ameaçando a paz no mundo. 
O terrorismo, na visão perversa de Donald Trump, tem a inspiração dos diabólicos xiitas, à frente dos quais está o Irão. Combater o acordo contra a proliferação de armas nucleares subscrito por Obama e o Irão é, para ele, prioritário, sobrepondo, assim, os interesses da venda de armas  e as relações com o ignóbil reino saudita à paz no mundo. O Daesh desmentiu-o categoricamente.
A reivindicação por 'hackers' russos de que foram eles os criadores, no ciberespaço, de falsas declarações do emir Qatar junta-se às erráticas posições de Trump. Todavia, é de notar também que, no espaço cibernáutico, é habitual se intersectarem e conjugarem actividades de 'hackers' do país de Putin com interesses políticos de Donald. Tudo começou, lembre-se, no combate eleitoral de Trump com Hillary Clinton, e que ainda se encontra sob investigação do FBI. O envolvimento do genro, Jared Kushner e de outros membros e ex-membros da Casa Branca, também consta do processo de investigação.



quarta-feira, 7 de junho de 2017

Nada de brincadeiras com o electrizante Catroga

Catroga não é para brincadeiras! Rubicundo, quando se trata de dinheiro o homem entra em ciclos de picos eléctricos e até à distância  dá choque.
Electrizado e electrizante, a propósito do alegado processo de corrupção de António Mexia e Manso Preto na EDP, Catroga foi, como sempre, bravo e branco, ameaçando:
"Alguns accionistas da empresa [entre estes os amigos chineses da Tree Gorges] admitem avançar com queixa contra os autores da denúncia anónima." [Público].
Quando o veterano ex-ministro, negociador do 'memorando da troika', vem a público com ameaças deste tipo, alguém que está dele cansado e, por vezes, o vê à sexta-feira, após o almoço, a descer a Rua Garrett, disse-me: 
"É urgente que Eduardo Catroga se retire de vez e vá para a Quinta da Coelha, dar umas passeatas com o amigo e vizinho Cavaco."
Eu também digo: "deixe-nos em paz Catroga!, já bastam as contas das rendas da EDP que temos de pagar."
  


Queixa do Sporting à ERC da RTP? Até o burro ri

O futebol, para mim, é coisa do passado. A imundice transbordante das tigelas do 'pontapé na bola', os comilões que se sentam à mesa a chafurdar nas pitanças da bola até ao arroto, os milhões e mais milhões que matariam a fome a tanta criança que dela morre; tudo isto, e ainda as horas e mais horas de desordeiros, advogados ou 'futeboleiros', nas TV's, expulsaram-me do futebol. Obrigado.
Na realidade, é atitude própria de gente desmiolada, esta do Sporting ameaçar queixar-se da RTP à ERC, pelo facto de, perante o prolongamento de um jogo de futebol feminino (masculino que fosse), a estação televisiva estatal ter preferido transmitir o concerto 'One love Manchester'.
'One love Manchester', com Ariana Grande e mais de uma dúzia de outros cantores e músicos famosos, realizou-se em homenagem e benefício das vítimas do ataque terrorista que matou 22 pessoas, muitas jovens, e feriu cerca de 5 dezenas de outros espectadores e famílias. O concerto, cuja receita proporcionada por 50 mil assistentes e direitos televisivos se destinou às vítimas e famílias, foi transmitido em directo para inúmeros países.  
Queixem-se, então, da RTP à ERC, da 'Fox News' ao Trump, da TV turca ao Ergodan, da BBC ao Palácio de Buckingham... enfim, dêem a volta ao mundo a queixar-se. Até o burro ri! 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Grã-Bretanha: fragilidade do sistema judicial no combate ao terrorismo

O terrorismo do Estado Islâmico (EI) é um repto sério, sabemos, lançado a sociedades e governos, em especial na Europa. Todavia, o caso da Grã-Bretanha merece ser analisado especificamente. Trata-se de um país cujo território tem sido fértil no recrutamento de radicais para as hostes do EI, onde as leis de vigilância dos serviços policiais e de segurança são fortes, mas o controlo judicial é deveras débil.
O caso de Anjem Choudary é sintomático quanto à permissividade do sistema judicial britânico. Anos a fio, este advogado, nascido próximo de Londres e muçulmano, envolveu-se, de forma pública e ostensiva, em actos e acções favoráveis ao EI e Al-Qaeda. Porém, somente em 2016, foi condenado a prisão por apoio activo ao ISIS, incluindo o recrutamento de jovens ‘jiadhistas’ para a Síria e o Iraque.
Diversos estudiosos, embora abordem outras causas, argumentam que a falta de legislação adequada é favorecida pelo facto de não haver, na Grã-Bretanha, uma Constituição escrita – a Alemanha e os EUA, por exemplo, dispõem de textos constitucionais que definem os extremistas como aqueles que se opõem aos preceitos da Constituição e esses países têm legislação decorrente deste princípio.
Na síntese da visão do sistema judicial britânico, analistas competentes enfatizam o facto dos políticos, incluindo a actual PM, Theresa May, citarem os “valores britânicos” como o oposto do terrorismo. Trata-se, como é óbvio, de uma forma muito abstracta, não materializada em instrumentos legislativos, que descura o tratamento judicial eficaz do activismo obstinado e adverso de fanáticos fundamentalistas do EI. 
Crêem os políticos e legisladores da Grã-Bretanha que, uma vez assumidos os “valores britânicos”, os cidadãos, na vida comunitária, cumprem as regras da amizade, da tolerância, da educação e da cordialidade. “Não é assim,” dizem os críticos. De facto, se se atentar na imagem de um dos terroristas da London Bridge, Khuram Butt, a desfraldar impunemente a bandeira do ISIS num jardim público, parece-me que, sem dúvida, os críticos têm razão.
Outro óbice à actuação sobre os extremistas islâmicos encontra-se na resistência das tecnológicas de Silicon Valley ao acesso, por serviços secretos nacionais, às mensagens encriptadas das redes terroristas. Mas este obstáculo não se levanta apenas à Grã-Bretanha. Todos os países se confrontam com o problema, havendo uns menos e outros mais activos em comprometer as tecnológicas, nomeadamente o Facebook e Twitter, com a permissão de acesso das ‘secretas’. Creio que a regulação destas redes e da Internet tem de ser objecto de pacto por um número significativo de Estados, ainda que tenha custos para a privacidade de milhões e milhões de utilizadores individuais. É uma opção. Há que debate-la até à exaustão, para defender da morte ou de graves lesões aqueles que um dia podem estar a assistir um concerto ou a divertir-se num local de Paris ou Londres; chame-se este ‘Bataclan’ ou ‘Borough Market’ – sem esquecer o massacre do ‘Charlie Hebdo’.         

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Despacito (Devagarinho)


Segundo o 'Público', desde os tempos de La Bamba, há 30 anos, que uma canção em castelhano ou noutra língua que não o inglês ocupava o 1.º lugar da Billboard nos EUA, na tabela que engloba as 100 músicas mais populares da semana.
A canção, líder da citada classificação, chama-se 'Despacito' (devagarinho) é interpretada pelo porto-riquenho Luis Fonsi, com a participação de Daddy Yankee e Justin Bieber - este último teve presente ontem no 'One love Manchester'.
Fui ao 'Youtube', ouvi e gostei. Resolvi publicá-la no meu blogue, para memória futura.

One love Manchester (and peace everywhere)

One love refere-se ao amor universal e ao respeito de toda a gente por toda a gente, independentemente da origem, credo e da cor de pele
(Urban Dictionary)

Contado o tempo no momento em que começo a escrever, há pouco mais de duas horas, Ariana Grande, como o vídeo revela, terminou emocionada o concerto 'One love Manchester', com a participação de outros intérpretes. Destes, destaco Robbie Williams de quem sou fã incondicional.
O espectáculo teve uma assistência de 50 mil pessoas. Realizou-se em homenagem e a favor das vítimas e/ou famílias destas, do ataque perpetrado pelo terrorista líbio Salman Abedi.
Dramaticamente, o concerto de Manchester findou a hora próxima de, na véspera, Sábado, o terror ter saído, de novo, às ruas, mas na cidade de Londres - London Bridge e Borough Market. Os três terroristas foram mortos; mas, não partiram sozinhos. Roubaram a vida a 7 cidadãos e feriram cerca de meia centena de outros, mulheres e homens; destes, 21 encontram-se internados em estado crítico, segundo notícias recentes.
Nos dois atentados, o Daesh vangloria-se do patrocínio da barbaridade. Mais uma das muitas que os militantes do ISIS têm executado em solo europeu e também noutros territórios - Afeganistão, Iraque e Síria tem sido cenários frequentes de terror e morte.
O que é que os países ocidentais podem fazer de eficaz para destruir ISIS e os seus 'lobos solitários'? Sinceramente, não sei. Estou convicto, sim, daquilo que os líderes de alguns dos países não poderiam ter realizado. Alguns exemplos: 
  • a invasão do Iraque ordenada por George W. Bush; 
  • a 'primavera árabe' suportada por Obama, Cameron e Sarkozy que, sobretudo na Líbia, teve como objectivo a protecção dos interesses da ExxonMobil, BP e Elf Aquitaine e outras petrolíferas internacionais e não os direitos e a liberdade do povo líbio - hoje a Líbia é um centro de treino e planeamento de actos terroristas do Estado Islâmico;
  • a venda de armas, no valor de 98 mil milhões de euros, pelo louco Trump à sunita Arábia Saudita - as relações do reino corrupto, autoritário e ultra-misógino saudita com grupos terroristas, Al-Qaeda e Daesh, deixa suspeitas em muitos analistas de política internacional.
Eis três situações reais que facilitaram e facilitam o nascimento e desenvolvimento do ISIS / Daesh. Concretamente, em relação ao Iraque (Mossul) e Síria (Raqqa), os radicais wahhabistas, ortodoxos sunitas, detêm territórios sob o comando do auto-proclamado califa do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi. 
Como se financia o ISIS? Calcula-se que na exploração e venda de petróleo dos territórios que domina. As vendas, no mercado negro, rendem entre 1 e 3 milhões de dólares por dia. A esta receita somam-se taxas extorquidas a populações das áreas ocupadas e elevados resgates pela libertação de jornalistas e outros cidadãos ocidentais raptados. 
O monstro está criado. Agora resta descobrir a forma de o aniquilar. Como? Não sei. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Falemos de gentrificação e de Lisboa

Gentrificação ('gentrification', em inglês) compreende, desde há muitos anos, teorias e dissertações de estudiosos de diversas áreas. As transformações urbanas em Nova Iorque (Harlem e 'East Side') e Londres (Kensington, Notting Hill e Soho) são escassos exemplos de lutas sociais e 'cases studies' que se multiplicaram por várias cidades do mundo.
Na síntese social e económica do debate teórico, há uma ideia consensual muito abrangente:
"A gentrificação tem na actualidade uma dimensão global e, nos processos desenvolvidos, os interesses dos investidores em activos imobiliários prevalecem sobre os valores e direitos inerentes às condições de vida das populações locais, tradicionais e de menores rendimentos."
Centre-se a abordagem em Lisboa (e, por analogia, no Porto). No último ano e meio, os preços de aquisição e de arrendamento de casas tiveram subidas muito acentuadas. Na zona histórica de Alfama, um T1 é arrendado por 2.200 euros, no Lumiar um T3 vale uma renda de 1.800 euros (valores mensais) e, segundo uma responsável da Remax com quem falei há cerca de 3 meses, o prazo médio de venda de um T2 em Telheiras é de 3 dias e o preço pode variar entre 250.000 e 300.000 euros. Há muitos compradores chineses, russos, brasileiros e de outras nacionalidades, disse ela.
Se atendermos a que o salário médio líquido em Portugal ronda os 810 euros e que, segundo as regras da economia familiar e do bom senso (os custos da habitação devem limitar-se, no máximo, a 35% do rendimento familiar), então concluiremos que, à classe de baixo-rendimento (low-income), temos de adicionar parte significativa da classe média para o conjunto da população sem capacidade financeira para adquirir ou arrendar casa na capital. Isto sucede no caso de famílias, como a divorciados ou solteiros a viver, eventualmente, sem filhos ou, pior ainda, com um ou dois descendentes.
No jogo da gentrificação, e em acréscimo aos famosos actores, actrizes e figuras de outras artes e ofícios estarem a demonstrar, activamente, preferência por casas em Lisboa, há um sector grande vencedor, o dos senhorios do chamado Alojamento Local (AL). 
No meio de tanta turbulência - e afluência de turistas - a verdade é que a população residente de Lisboa está a envelhecer e, nos últimos 10 anos, diminuiu drasticamente. 
Com o estrangeiramento das zonas históricas, a cultura popular, o associativismo recreativo, o bairrismo típico e demais traços identitários da cidade 'menina e moça' continuarão a desmoronar-se - temos de imaginar Michael Fassbender a marchar por Alfama, Monica Belluci pelo Castelo e, talvez, Madonna pela Madragoa. Tudo isto cheira mal, não cheira a Lisboa.
Na contenção da grande ofensiva contra a cidade, a sua população e a sua identidade, é necessário que a CML incremente a intervenção no mercado do arrendamento de longa duração e que o poder central lhe assegure meios para captar gente jovem para Lisboa, incluindo zonas históricas. 
A vereação com o pelouro da habitação já conseguiu alguns resultados, mas é necessário intensificar o grau de intervenção da autarquia no mercado de arrendamento, bem como da regulação mais exigente e do condicionamento da abertura de hostéis e da actividade do Alojamento Local. 
A teoria de Adam Smith de que a "mão invisível" regula o mercado é, comprovadamente, uma aberração.




quinta-feira, 1 de junho de 2017

“Turistificação” (1) e descaracterização das grandes cidades portuguesas

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"A cidade pode ter os turistas,
mas os turistas não podem ter a cidade"
DOUG LANSKY, no Green Project Awards /Lisboa

Lisboa e Porto, em especial nas zonas históricas, estão submetidas a um intenso processo de "turisficação" (1) e gentrificação, inimaginável há uns pares de anos atrás - os centros das duas principais cidades, à noite, eram locais desertos e considerados de risco. 
Sou lisboeta, filho de lisboetas. Vou concentrar-me nos problemas do turismo e do comércio antigo na capital, realidade que conheço melhor. Todavia, o que escrevo em relação a Lisboa aplica-se, em grande parte, ao Porto. Nada de rivalidades mesquinhas.
Estou de acordo com Fernando Medina em algumas questões, mas, no meio das minhas divergências com o autarca, destaco a actividade do turismo em Lisboa. Rendeu em quatro anos, disse ele, 6,3 mil milhões de receitas e criou 80.000 postos de trabalho. 
Trata-se, a meu ver, da estafada argumentação economicista dos números. E então as pessoas? Mesmo dos 80 milhares de postos de trabalho citados, resta saber qual o peso dos precários pagos com o salário mínimo. Basta percorrer a Rua das Portas de Santo Antão, entre o Rossio e o Coliseu, e, como disse alguém em reunião em que estive presente, ver que a maioria dos trabalhadores da restauração, a convidar quem passa para se sentar, é constituída asiáticos. Não se trata de um julgamento xenófobo, mas apenas o sintoma de que no sector,  beneficiário do turismo, abunda a mão-de-obra barata.
Há algum tempo, eu e a minha mulher, como habitualmente, dirigimo-nos ao Restaurante Pessoa  (Ruas dos Douradores/Santa Justa) - a cabidela de galo à 6.ª feira era (era, porque já não é) uma excelente pitança. Demos de caras com o restaurante fechado. Alguém nos informou que iam instalar um hostel no prédio. A Mercearia Alves, à entrada de Alfama pelo lado de São João da Praça, também fechou definitivamente. Duas lojas históricas encerradas de uma assentada.
Chegou o tempo, a meu ver, dos poderes central e local tomarem iniciativas corajosas e eficazes para preservar lojas históricas. Bem sei que, há semanas, recebi uma mensagem a divulgar que a CML se tinha empenhado na manutenção de 80 lojas históricas. É pouco, muito pouco, numa cidade em que, se fosse exaustivo, poderia listar dezenas e dezenas daquelas que entretanto desapareceram.
Tem de haver um equilíbrio e medidas que impeçam a praga dos hotéis e hostéis em Lisboa. Basta! Há que respeitar o património urbano histórico, no qual o comércio tradicional se integra, para Lisboa preservar o que resta da sua identidade, tão severamente ameaçada pela invasão de residentes permanentes ou de ocasião nas zonas históricas - mas, deste aspecto, habitação e população, tratarei em 'post' específico.

(1) "Turisficação" é uma palavra precisa, criada pelo Prof. Rio Fernandes, catedrático da Faculdade de Letras do Porto.