sábado, 21 de março de 2015

Hard Day's NIght, os imortaisThe Beatles



'The Beatles' deixaram um legado musical imortal. Contemporâneos da minha geração, julgo que todas as posteriores e as do futuro hão-de venerar sempre a sua música.
Aos milhões de jovens no mundo, explorados através de trabalho escravo (do Bangladesh à Índia) e precário (este mais comum no Sul da Europa, com destaque para Portugal e mediante a 'flexibilização do laboral' que foi o grande "trunfo" propagandeado pelo Sr. Aníbal  há dias em Paris), dedico a ainda actual Hard Daý's Night. A letra da canção é inequivocamente expressiva, iniciando-se nos dois primeiros versos com as seguintes frases:

It's been a hard day's night
And I've been workin' like a dog
....
(Tem sido uma noite de um dia árduo
E eu tenho trabalhado como um cão

quinta-feira, 19 de março de 2015

As quedas do 'Very Ignoble People', autores da lista VIP

A queda

O topo da Autoridade Tributária e Aduaneira, passo a passo, vai caindo. Ontem foi o Director-Geral. A imprensa de hoje dá-nos conta de que o subdirector-geral, José Maria Pires, também pediu a demissão. E a ministra aceitou, que remédio! Motivos: a lista VIP confeccionada pelos dirigentes da AT e a política de perseguição a funcionários que consultaram dados dos protegidos. Estranha-se a ignorância do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, mas deixemos o tempo correr.

A ignóbil protecção dos VIP (desta feita, mesmo Very Important People), além de inconstitucional, é um acto com as características das políticas das sociedades africanas, subdesenvolvidas, tipo Guiné-Equatorial que, em cerimonial político em que Cavaco Silva participou, se tornou país nosso parceiro na CPLP.

As quedas, até agora, têm tido um sentido hierárquico descendente. Esperemos, todavia, que esse sentido se inverta e caiam também os de cima, ao menos o Secretário de Estado que manifestamente faltou à verdade, como Passos Coelho, e tentou arranjar um estratagema para proteger os políticos, empresários, gestores e até outros notáveis como o também demitido Relvas, Salgado, Mourinho e Ronaldo - estará lá também a Dona Dolores?

Como o Paulo Núncio é pesado, segundo a 'lei da queda dos corpos', definida originalmente por Galileu Galilei e revista depois por Isaac Newton, temos de arranjar algo solidário e lembrei-me da seguinte solução:







   


quarta-feira, 18 de março de 2015

A lista VIP criada por 'Very Ignoble People'

video


A Autoridade Tributária Aduaneira (AT), da qual milhares de portugueses têm razões de queixa graves, converteu-se com este governo numa espécie de PIDE fiscal. 
Se as antigas finanças já eram aquilo que se sabe,  os dois últimos Ministros, os sinistros Gaspar e Maria Luís, e o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, um tal Núncio, apelido tauromáquico, transformaram a máquina fiscal, de facto, em centro de torturas, vocacionado para destruir a vida de muitos cidadãos, mesmo em casos de comprovada inocência.
Sei do que falo, porque senti o sofrimento ao longo de quase um ano com dois processos de reversão, em que, por alegado engano do sistema em 2008 - o sistema engana-se? -, fui ameaçado de duas penhoras, totalizando mais de uma centena e meia de milhares de euros. Com documentos oficiais, nomeadamente uma Certidão do Registo Comercial, provei não ter o vínculo à empresa que me estava a ser atribuído. Todavia, foram horas de sono perdidas e a mágoa permanente, perante o risco de ficar sem a habitação.
O relatado coincide com casos de muitos outros cidadãos. Com frequência, as faltas são justificadas pelos serviços através da alegação de erros do sistema.
As medidas extra-gestão corrente da AT, a meu ver o caso das famigeradas listas VIP, têm de ser necessariamente do conhecimento e aprovação prévia dos responsáveis ministeriais da governação. Ao menos, ao nível dos ajudantes, como dizia Cavaco ao referir-se aos Secretários de Estado.
A credibilidade em Coelho e Portas é muito escassa, não conseguindo convencer o cidadão consciente de que ignoravam a existência de tal lista. Coisa ainda mais inconsistente, no que toca à conclusão, é admitir-se a ignorância do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Núncio. 
Há poucos dias, o BE reivindicou o termo de penhoras de casas a famílias, onde predomina a falta de trabalho, de dinheiro e, se não houver uma IPSS, até uma sopa de feijão para aconchegar as barrigas esfomeadas de crianças e adultos.
O Sr. Núncio, ao referir-se à reivindicação,  afirmou categoricamente que essas penhoras eram necessárias à receita do Estado - por vezes, trata-se de dívidas de 600 euros e coisas do género.
Veja-se a postura do partido dos contribuintes, o CDS, no debate parlamentar de hoje, ao escolher o silêncio. 
Quanto à demissão do Sr. Director-Geral, Brigas Afonso, é estranho ter sido apenas hoje anunciada. Já há uma semana, no debate parlamentar, Passos Coelho afirmou que tais listas não existiam e que o governo, portanto, estava de mãos limpas sobre o caso. Onde estava o Director-Geral da AT?
Pergunto também ao Sr.Brigas: se a responsabilidade lhe é cometida, e comungada por outros quadros, nomeadamente um tal Vítor Lourenço, se existem inquéritos a funcionários, se houve uma ilegalidade com tal gravidade, porque esperou estes dias para se demitir? Esteve a aconselhar-se com a Maria Luís e o Núncio, foi?

terça-feira, 17 de março de 2015

Ó meus amores, ajudem os reformadores

Do indiano da ‘troika’ a Cavaco, do Zorrinho a Cadilhe, deste e do outro extremo do famoso segmento curvo do distinto ‘arco do poder’ (PS, PSD e CDS), a ordem é clamar por ‘reformas estruturais’. A fim de satisfazer tal ânsia reformista, logo que encontre o Zé Pedro ou o Tim dos Xutos, implorarei: “Reformulem a letra da canção ‘Contentores’, para que regressem os amores a este recanto do mundo em auxílio dos reformadores…”.
A hora é de retorno às zonas de conforto na Pátria. Zé Pedro e Tim poderão auxiliar-me na minha abstrusa proposta e ao sábio programa de incentivos ao regresso de emigrantes qualificados, da autoria do preclaro Lomba, uma medida de arromba! Ainda mais abstrusa.
Insistem os grandes mestres, da nossa desgraça, que temos de dotar o País de ‘reformas estruturais’. Ainda ontem, Miguel Cadilhe defendeu esse objectivo no ‘Clube dos Pensadores’, em consonância com o pensamento manifestado em Paris por Cavaco“um irmão deve sempre estar sempre em consonância com o outro”, diz, pleno de acrítica convicção, o beato de inabalável fé, sem enxergar que Francisco não é igual a Bento, da mesma forma que oficial não é sargento.
A expressão ‘reformas estruturais’, pronunciada amiúde por eminentes figuras, transformou-se em jargão. A omissão de objectivos não é inocente. Para as eminências defensoras da tese, estão em causa números, as contas públicas, mas, acima de tudo, as despesas com o Estado Social que nos resta. Sim, porque atingir milionários e corporações poderosas da sociedade, que evito discriminar, é impensável; aliás, demasiado embaraçoso para as elites do poder.
A racionalização das contas públicas, na óptica dos distintos pensadores, reduz-se a afectar direitos dos pobres e da classe média em degenerescência: dos desempregados aos reformados, das crianças a velhos carenciados.
É premente, isso sim, solucionar o défice orçamental, sem incomodar os acomodados e os detentores de fortunas que se multiplicam a ritmo superior ao do empobrecimento de milhões das camadas sociais desprotegidas – ler ‘O Capital no Século XXI’, de Thomas Piketty ajuda, e de que maneira, a compreender o fenómeno da expansiva desigualdade no mundo e a imunidade das oligarquias financeiras às ‘reformas estruturais’.
Cantemos, pois, “Ó meus amores, ajudem os reformadores”. Acabem com o pouco que sobra aos cidadãos comuns. Quando sobra, porque em regra falta.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Cavaco, o presidente de uma minoria de portugueses

Cavaco está ressabiado. Tem uma quota de popularidade negativa (-6,2%, segundo o Expresso, agravada em -5% desde a última sondagem). Segundo os analistas, a quebra atribui-se às declarações feitas pelo inquilino do Palácio de Belém, a propósito do incumprimento de Passos Coelho perante a Segurança Social e à antecipação do perfil, gémeo do seu, para o próximo Presidente da República.
Cavaco, que se auto-sugestiona de sábio infalível, cultiva a presunção da sapiência que se traduz em discursos do género: “acima de todos, eu é que sei, eu afirmei que seria assim há muito tempo [quando, não raras vezes, se desmente a si próprio.]”.
Na linha do comportamento habitual, e se tomarmos em conta a revolta de um derrotado, na sessão da OCDE em Paris, exultou hoje de encómios o desempenho governativo do governo desde 2011.
Cavaco, nitidamente, tentou favorecer Passos Coelho, ao afirmar que a Economia Portuguesa crescerá 2% em 2015, nem mais nem menos, 2%, contrariando as previsões do próprio governo e do Banco de Portugal (1,5%) e da OCDE (1,3%). O discurso foi tão sectário e laranja, que Portas foi secundarizado; posição, de resto, mais do que merecida.
No discurso em causa, há algumas contradições. É útil assinalá-las, em defesa da verdade. Cavaco é elogioso quanto ao desempenho do governo actual e quer fazer-nos acreditar que as políticas aplicadas na educação, ciência, ciências do mar, mercado laboral, fiscalidade, justiça e ambiente de negócios têm sido o pilar do pretendido mas falso sucesso.
Todavia, na defesa dos seus 2% de crescimento do PIB em 2015, considera serem determinantes ‘a queda do preço do petróleo’ e ‘a desvalorização do euro’, duas variáveis exógenas. Afinal em que ficamos? O que é mais decisivo para o referido crescimento, o desempenho do governo ou as variações de impacto macroeconómico da economia global e, portanto, de ordem externa? Também cita a queda dos juros como mérito da governação interna, ocultando que são as medidas tomadas por Draghi no BCE a causa determinante de tal redução.
Sem ponta de pudor, uma dívida de 129% do PIB é sustentável. Coisa inversa disse-o há tempos e o nível de endividamento era mais baixo.
Enfim, e mesmo para terminar, registe-se que as PPP, com a Ponte Vasco da Gama e o Hospital Amadora-Sintra, tiveram o primeiro passo na governação cavaquista e, por último, mesmo por último, citemos o ‘Jornal de Negócios’, edição de 23 de Abril de 2011, onde a propósito do agravamento do défice de 2010 se poderia ler:
A revisão para 8,6% do défice em Março deveu-se a alterações realizadas na metodologia pelo Eurostat que obrigaram então a uma revisão em alta do défice para 2010 em 1,8 pontos percentuais.
Em causa estava a incorporarão nas contas nacionais das imparidades com o Banco Português de Negócios (BPN), que acrescentam um ponto percentual ao défice de 2010, 0,5 pontos percentuais provenientes das empresas de transporte e 0,3 pontos percentuais relativas ao Banco Privado Português (BPP).”


Compreende-se a dificuldade de Cavaco em falar do BPN, de Oliveira e Costa, de Dias Loureiro & Cia..

domingo, 15 de março de 2015

Uma advertência ao Sr. Subir Tall (FMI)

No âmbito do ‘Capítulo IV’ do FMI, noticia o ‘Expresso’ na edição de Sábado, há uma semana que se encontra em Portugal uma delegação do FMI, chefiada pelo indiano Subir Tall. Não se trata, sublinhe-se, de supervisão do ‘programa de ajustamento’ aplicado ao nosso País.
Em síntese, destaco as seguintes conclusões do Sr. Tall:

“Não encontra na sociedade forças a favor de reformas estruturais e depara-se com sentimento generalizado contra a austeridade…”;
“O aumento do salário mínimo nacional (SMN) é criticável… [20 euros/mês, para 589,00 euros mensais, considerando 14 mensalidades de 505,00 euros, acrescento].

Estas e outras considerações ferem, pela injustiça, legítimos direitos de vida digna de grande parte da população portuguesa. São fruto da política implacável do FMI, na defesa do monetarismo, do chamado equilíbrio da estrutura bancária, da ganância de intocáveis investidores; tudo isto, com desprezo absoluto pelo humanismo e o culto da abjecta desigualdade no mundo em que vivemos.
Todavia, e centrando-me no Sr. Lall, provavelmente pertencente à casta dos brâmanes, a mais privilegiada do seu País, permito-me adverti-lo de que, na India, se quiser aplicar os seus saberes tecnocráticos, reciclados no sentido humanitário, tem campo de sobra onde poderá gastar a sua energia, como, por exemplo, nos domínios seguintes:
No que respeita a pobreza e miséria, a dimensão na terra do Sr. Lall é imensa. De relatório recente da ONU, página 126, traduzimos o texto seguinte que, além de chocante, é bastante elucidativo:

“Caixa 3.1. Crescente dívida de unidades rurais, aumentando a angústia na agricultura indiana
O aumento da dívida das unidades agrícolas e suas consequências trágicas são grandes preocupações em muitos países em desenvolvimento na região. Talvez a Índia seja o melhor exemplo de onde esse fenómeno foi estudado em profundidade e trouxe a atenção dos responsáveis políticos seniores.
De acordo com um relatório recente (governo da Índia, 2007), a agricultura indiana enfrenta uma crise de dívida, especialmente desde os meados dos anos 1990s, evidente no grande número de suicídios de agricultores em algumas regiões. Do conjunto de famílias de agricultores de 89,3 milhões em 2003, estima-se que 43,42 milhões (48,6%) estavam endividados (governo da Índia, 2005). A dívida média era de 12.585 rúpias (US $320) por agregado familiar do agricultor e 25.902 rúpias ($660) por família de agricultor em dívida (governo da Índia, 2007).

sábado, 14 de março de 2015

Bolero de Ravel - para auxiliar o movimento de sentido único



Estamos de fim-de-semana. Salte a música! Desta, seleccionei o Bolero de Ravel, de autoria de Maurice Ravel e interpretado pela primeira vez em 1928. 
Escolhi uma das interpretações mais ligeiras e curtas. Uso-a como uma metáfora: é urgente unir pessoas de pensamento e ideologias de centro-esquerda e esquerda num movimento de objectivo único: acabar com esta criadagem germanófila que nos governa. 

‘YDreams’ > ‘YNightmares’ ou o Sonho Transformado em Pesadelo

O empreendedorismo é considerado, em meios políticos e académicos, uma espécie de punção mágica de combate ao desemprego. Assenta no recurso a projectos empresariais de iniciativa pessoal ou de um número restrito de empreendedores, aspirando ser portadores de inovação – a propósito: o que é feito do jovem empreendedor Martim que foi revelado ao país como uma preciosidade do desenvolvimento empresarial a mandar pintar camisolas?
O falecido João Pinto e Castro (JPeC) desmontou clara e objectivamente que o conceito de empreendedorismo, inerente à ideia de sucesso na criação de emprego próprio, é fenómeno comum de países menos desenvolvidos, com economias estruturadas em tecido onde predominam microempresas. O empreendedorismo de êxito internacional, disse e demonstrou JPeC, é em regra um sucedâneo de grandes empresas e não de iniciativas de carácter individual e voluntarista.
Tenho estima e admiração por Nicolau Santos (NC), um dos poucos jornalistas económicos honestos e competentes nos conteúdos que redige e publica. Todavia, nem ele escapou ao entusiasmo cego à volta da YDreams, empresa tecnológica, Prémio Pessoa de 2006, e comandada pelo Professor Catedrático, António Câmara, no cargo de CEO.
A YDreams, dizia-se, tendia a ser a Google portuguesa. Agora, endividada em 18 milhões de euros, está a tentar salvar-se através do PER (Plano Especial de Revitalização). Oxalá atinja o objectivo de sobrevivência. Acima de tudo, conseguir a preservação de mais de uma centena de postos de trabalho, de especialização tecnológica, ameaçados de desaparecer. Todavia, as dívidas são demasiado elevadas – o Novo Banco, nascido velho, regista o maior crédito: 7,7 milhões de euros – e a revitalização parece-me comprometida.
Este ‘case study’, tal como o do BCP, ficará para a história económico-social portuguesa. É desejável que fique também como paradigma do que não deve fazer-se nem elogiar sem conhecimento profundo da viabilidade futura de cada projecto. 
O nosso jornalismo económico é de baixa qualidade e precipita-se com frequência a valorizar projectos e empresas, cujos perfis económicos e financeiros, a qualidade da oferta e da estratégia desconhece. Foi, em minha opinião, o caso da YDreams, com a figura do Professor António Câmara muito mediatizada e sem a avaliação de mérito do projecto que um analista autêntico não pode dispensar.

quinta-feira, 12 de março de 2015

À atenção do Coelho, da Maria Luís e do Pires

Na qualidade de cidadão de Portugal, país de que entoam um desempenho económico com vozes de tenor (Coelho e Pires) e de soprano (a amanuense Maria Luís), cumpre-me rogar que, em muito próxima ocasião, cantem aos quatro ventos, sem afinação como sempre, as seguintes árias de ópera bufa:

  • O saldo da balança comercial de bens fixou-se em -10 605,9 milhões de euros em 2014, correspondente a um aumento do défice de 966,3 milhões de euros face a 2013. O défice comercial excluindo os Combustíveis e lubrificantes atingiu   4 391,4 milhões de euros, resultando num aumento de 945,5 milhões relativamente a 2013. (INE-1)
  • O índice de volume de negócios nos serviços apresentou, em Janeiro, uma variação homóloga nominal de -3,4% (-4,2% no mês de Dezembro). Os índices de emprego, de remunerações brutas e de horas trabalhadas ajustado de efeitos de calendário apresentaram aumentos homólogos de 2,1%, 3,5% e 0,6%, respectivamente (1,7%, 2,4% e 0,3% em Dezembro, pela mesma ordem). (INE-2)
  •  Em Fevereiro de 2015, a variação homóloga do IPC situou-se em -0,2%, taxa superior em 0,2 pontos percentuais (p.p.) à registada no mês anterior. O indicador de inflação subjacente, medido pelo índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, manteve em Fevereiro a taxa de variação homóloga de 0,3% verificada em Janeiro. (INE-3).
  •  O índice de produção na construção apresentou em Janeiro uma variação homóloga de -4,0% (-5,4% em Dezembro). Os índices de emprego e de remunerações diminuíram 1,7% e 3,2% (variações de -1,6% e -5,3% no mês anterior), respectivamente. (INE-4).
  • O Índice de Volume de Negócios na Indústria apresentou, em termos nominais, uma diminuição homóloga de 4,4% em Janeiro (aumento de 1,2% no mês anterior). O índice relativo ao mercado nacional diminuiu 4,9% (redução de 0,7% em Dezembro) enquanto o índice relativo ao mercado externo passou de um aumento de 4,1% em Dezembro para uma redução de 3,8% em Janeiro. (INE-5).
Estudadas as pautas, e percorrendo os auditórios dos canais de TV amigos, com o empenho militante do Gomes Ferreira na SIC, talvez consigam metamorfosear a desarmonia musical em melodias pouco afinadas. Nada mais se exige que interpretem uma ópera  bufa, mas não tosca.

terça-feira, 10 de março de 2015

Um vai partir, outro pode chegar

Sobre Cavaco, PR não-político e no termo da rodagem do Citroën já escrevi, parte, repito parte, do que sinto - repulsa, em termos gerais.
Do que nos pode chegar, há Marcelo e Santana, cujos discursos são bem mais esclarecedores do que quaisquer palavras minhas.
Entretanto, do território 'rosa', tem-se focado a probabilidade da candidatura de António Vitorino. Um polivalente, com 12 ocupações profissionais remuneradas:
 'Sócio da sociedade de advogados Cuatrecasas, presidente da Assembleia-Geral da Brisa, presidente do Conselho Fiscal da Siemens Portugal, presidente da mesa da Assembleia Geral da Novabase, presidente da mesa da Assembleia Geral do Banco Santander Totta, presidente da mesa da Assembleia Geral  da Finpro SPGS, vogal não executivo do Conselho de Administração dos CTT... e, além destes, venham mais cinco que pago já, do branco ou do tinto, como cantava o Zeca.'
Em entrevista ao Jornal de Negócios, Vitorino argumentava:
 “Em Portugal as pessoas acham que ganhar dinheiro é pecado, há ainda uma costela judaico-cristã muito forte. Quem deu 25 anos da sua vida à causa pública tem alguma autoridade para perguntar o que fizeram pelo país os que atiram essa pedra”.
A "causa pública", no caso dele e de outros mais, é uma coutada privada de privilégios de minoria social, os políticos de sucesso. Ter 12 empregos bem remunerados paga-se, no final das contas, com cerca de 2.000.000 de pobres e desvalidos da sociedade; ou seja, 1/5 da população portuguesa. Traduz o preço da desigualdade banalizada nos tempos modernos, ao qual, aqui sim, se aplica a teoria da 'banalidade do mal' de Hanna Arendt.
Eu e muitos outros também fizemos algo pelo país e nunca atirarei a Vitorino qualquer pedrada. Coitada da pedra, que de xisto se transformaria em pó. 

A longa rodagem de Cavaco

As frases célebres constituem um ponto de confluência de homens de perfil cultural, profissional  e intelectual bastante distintos. Comungam, portanto, dessa característica, deixar para a posteridade expressões verbais que a História jamais esquece, sobretudo no caso das elites - valham estas o que valerem.

Das digressões pelo País de figuras de Presidente da República, citemos, ao menos, dois exemplos:

Américo Tomás, nos anos sessenta: 
«...É uma terra [Manteigas]bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude...»
Aníbal Cavaco Silva, nos anos oitenta:
"Só fui fazer a rodagem" (1985)
Integrada no processo democrático pós-25 de Abril, é declaração relevante para a nossa História recente.

O despretensioso inquilino da marquise da Travessa do Possolo, num belo dia, com a esposa Maria Aldegundes, resolve deslocar-se ao Congresso do PSD de Maio de 1985, para, dizia ele e eu não acredito, fazer apenas a rodagem do Citroën BX que, então, havia adquirido.

João Salgueiro e Rui Machete disputavam a liderança do PSD, à época. De rompante, Cavaco e sua esposa entraram, a alta velocidade com o Citroën, casino da Figueira adentro. A estonteante marcha acabou com Cavaco Silva na presidência do Partido.

Sublinhe-se que se tratou de atitude jamais programada e ainda muito menos intencional do acesso ao poder. Calhou, pronto. Tanto mais que o homem nem sequer é, jamais foi, político e, a despeito do espírito anti-político, acabou com a vida virada do avesso durante 32 anos - dois como ministro das finanças de Francisco Sá Carneiro (1980-1981); dez como PM (1985-1995); e finalmente mais dez como PR (2006-2016).

Portanto, no próximo ano, veremos o homem pelas costas. Partirá um recordista. É o político com mais anos em actividade em democracia e proprietário do Citroën que, mesmo abatido, continua em rodagem. Por sua vez, acumula resultados imbatíveis de falta de popularidade. Em meados de Fevereiro passado tinha um saldo negativo de -1,2%.

Portugal e a sua malta desempenham a preceito o papel da Cornucópia: na mitologia grega significava 'Corno da Abundância' - e como Cavaco, ilustre conhecedor do seu rebanho, ao volante do Citroën, mesmo na hora da partida, define perante os seu súbditos o abundante perfil de presidente a exigir ao seu sucessor:
"... Conhecimento de matérias de defesa - [por que não ataque?] -, de política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar os dossiers relevantes para o país" 
Com muito mais cinismo do que os aprendizes da governação, Cavaco, no que toca ao desemprego e à emigração jovem, deixa mais esta sublime mensagem:

"... obrigando a que se estendesse a presença de Portugal a outros países."
Confesso que, extasiado, esta tirada deixou-me prostrado. Cavaco ficará, pois, na História como o símbolo divino da Portugalidade no mundo. Das Ilhas Faroé a Pequim, passando por essa Europa, América do Norte e do Centro, Brasil, Praia, Bissau, Angola, Moçambique, Goa, Macau e Timor, qualquer português, independentemente de ser Espírito Santo ou Coelho, estará sob a protecção da divindade Cavaco, esteja ele no Templo do Possolo ou naquele outro da Coelha, em convívio com o rubicundo amigo Catroga. 
Cavaco é um sábio. Ou, dito de outra forma, sabe-a toda...

domingo, 1 de março de 2015

Os insultos de Nuno Melo

Nuno Melo cultiva e executa o estilo de político desordeiro. Ignorante, excepto no acesso ao "tacho", é incapaz de ter um intervenção política séria e menos ainda consistente e profunda.
O 'facebook'  é o meio de comunicação da  política de esquizofrenia conflitual que o estimula, a par dos dinheiros auferidos em Bruxelas, para fazer o menos possível - "trabalhar faz calos", como se diz em linguagem popular.
Com o ar de 'gigolo', teve esta tirada:
 "...as declarações do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, de que Portugal e Espanha querem derrubar o actual governo da Grécia, estão no «domínio da alucinação»."
O Syriza, lá longe, incomoda muita gente e a um populista arruaceiro incomoda muito mais!