sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Música - 'Saudade' de João Gil, 'Trovante'


Um episódio da minha vida pessoal, esta semana, fez-me pensar em 'Saudade', composição de João Gil, cantada por Luís Represas, ambos integrados no grupo 'Trovante'. A letra diz "Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado." Eu não tive. Serve-me de consolação ouvir a melodia e ter em atenção a letra.
Bom fim-de-semana!

O populismo de Marcelo desnudado pelo blogue ' O Jumento'

Sou leitor diário do blogue 'O Jumento'. O seu único autor, ao que julgo saber, é funcionário público e já foi alvo de investigação por parte da Polícia Judiciária e Interpol por queixa do actual CEO da CGD, Paulo Macedo, à época Director-Geral dos Impostos [ler aqui].
Os 'posts' de 'O Jumento', além da qualidade do estilo, são objectivos e, quando tem de ser, afrontam quem entende que deve enfrentar. Usa a liberdade de expressão, dentro das normas do civismo, o que não impede ser directo e duro nas críticas sejam a quem for.
No 'post' de hoje, sob o título 'O Populismo segundo Marcelo Rebelo de Sousa', e em último parágrafo, pode ler-se em 'O Jumento' o seguinte:


Tenho a mesma opinião; mas, a quem possa ter dúvidas, recomendo a leitura integral do 'post'.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Os fogos políticos à volta dos incêndios

Eu e as TV’s vivemos de costas voltadas, na maior do tempo. Encontramo-nos à meia-noite, na RTP 1, na SIC-N ou na TVI24. Depende do gesto instintivo do meu indicador sobre o comando. Isto explica que, quando escrevi e publiquei o meu último ‘post’, Marcelo afectuoso e volúvel, Domingo, ao final da tarde, desconhecia a imensa tragédia de devastadores incêndios que estava o ocorrer pelo País.
De Monção a Mafra, de Oliveira do Hospital ao Pinhal de Leiria, de Vouzela a Penacova, e por aí fora, o Norte e o Centro de Portugal foram varridos por enormes manchas de chamas que, à semelhança da ‘tragédia de Pedrogão’, deixaram para trás 42 mortos, à data de hoje, umas dezenas de feridos, alguns em estado grave. Os outros despojos desta nova tragédia são aqueles que se sabem: sofrimento de populações locais, vidas familiares, casas e aldeias destruídas, mais uns milhares de hectares de florestas e pastos manchadas daquele negro que, de tão imenso e triste, nos derruba para uma dor a que nenhum analgésico pode valer.
Sabe-se que a Ministra da Administração Interna se demitiu hoje e António Costa aceitou (‘Público’). Sabe-se até mais: depois de Pedrogão, Constança Urbano de Sousa pedira a demissão e Costa recusara, com alegação de que seria preciso aguardar pelo relatório da Comissão Técnica Independente; relatório este que, para quem como eu tem uma casa de aldeia em zona florestal, vem, no fundo, repetir aquilo que sabemos desde há décadas e uns quantos académicos repetem em comentários na comunicação social; ou seja, as graves falhas de ordenamento do território, a acumulação de matérias combustíveis em vastas áreas, a carência de acessos, a orografia, a falta de patrulhamento e de vigilância, o despovoamento e o envelhecimento nas comunidades do interior, aldeias, vilas ou mesmo cidades, e a incapacidade dos bombeiros voluntários para as exigências do combate. No caso presente, de inúmeras e complexas frentes de fogo acolhido em clima de seca severa e humidade reduzida e ainda propagado por ventos erráticos e vigorosos.
Seguindo o ritual imposto pelo calendário gregoriano, o termo da fase ‘Charlie’ implicou uma redução de recursos (dispensa de 29 meios aéreos, desactivação de postos de vigia e efectivos de prevenção e combate). A Ministra, agora de saída, ajudou à deterioração da ANPC, desde sempre um abrigo para militares na reserva e militantes partidários, com a colocação na chefia, ao que nos é dado a perceber, de gente incompetente e do amiguismo que Manuel Alegre, no DN de hoje, denuncia com revolta e mágoa.
Sobretudo, no verão quente e prolongado que temos tido, a ANPC, a nível central e local, jamais poderia ter ficado paralisada, fosse em que período de tempo fosse e, por maioria de razão, num fim-de-semana para o qual o IPMA havia previsto ‘ventos muito fortes’, oriundos do Norte de África e causados pelas franjas do furacão ‘Ophelia’ que atingiu os Açores. A Ministra tem responsabilidades na falta de mobilização de meios e de acção organizada contra os incêndios. Pedir resiliência a populações, maioritariamente compostas por sexagenários, septuagenários e octogenários, é no mínimo ridículo. Lamento dizê-lo.
António Costa, em relação à tragédia de 15-Outubro, teve igualmente um discurso lamentável. Não é necessário citar. Basta ler.
Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou, entretanto, para se furtar do círculo de conivência com o Governo, criado em Pedrogão. – Nada mais poderia ter sido feito – disse então o PR. Ontem, em Oliveira Hospital, afirmou: - A Assembleia da República que clarifique se quer manter o governo. Isto, obviamente, é endereçar para os deputados do BE, PCP, PS e Verdes a responsabilidade de manter a ‘geringonça’, face à incompetência e vontade política do Governo em matéria de gestão de florestas e incêndios. Sim, porque Marcelo ainda acrescenta: - Usarei de todos os poderes como PR…
O sarilho está criado e Marcelo, habilmente e invocando questões ponderosas, passou nitidamente do apoio à oposição a António Costa. O Primeiro-Ministro pôs-se a jeito…


domingo, 15 de outubro de 2017

Marcelo afectuoso e volúvel

O narcisismo é um traço de personalidade muito comum em políticos. Cavaco Silva, da governação à Presidência da República, usou e abusou desse estilo, acrescentando-lhe uma contranaturalidade repugnante. Sempre hirto e rígido, física e emocionalmente, emproado na comunicação e dissimulado em gestos e sorrisos esfíngicos, chegou ao fim do mandato mais impopular de todos os presidentes do regime democrático.
Dito isto, a probabilidade do seu sucessor ter a simpatia das massas era altíssima. Com Marcelo Rebelo de Sousa (MRB), a probabilidade converteu-se em realidade. Inteligente, culturalmente superior, hábil comunicador e excelente intérprete dos sentimentos da alma portuguesa, na campanha eleitoral e no exercício do cargo, Marcelo recolocou a PR no coração dos portugueses. Onde passa Marcelo passa o afecto.
A ‘geringonça’, termo que Vasco Pulido Valente inventou no vaticínio de que a cangalhada soçobraria no dia seguinte; a ‘geringonça’, dizia eu, mediante a política de reversão de rendimentos, tornou-se em instrumento útil para Marcelo. A alegria assim como a dor são duas componentes do mundo dos afectos em que o PR adora mergulhar. O pior é que ele também sabe ser volúvel.
Entretanto, surgiram dois obstáculos de monta para a governação tranquila e de sucesso de António Costa: o incêndio de Pedrogão e o furto de armas de Tancos. Deixemos o caso de Tancos – denunciei oportunamente o desmazelo aqui – e fixemo-nos no incêndio de Pedrogão.
Do relatório da Comissão Técnica Independente (CTI), extraem-se conclusões acerca de causas e efeitos do dramático fogo de Pedrogão e concelhos limítrofes. Algumas dessas conclusões são, naturalmente, de carácter político e atingem áreas ministeriais da Agricultura e da Administração Interna, a primeira mais no domínio da prevenção e gestão da floresta e a última na actuação incapaz da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC).
Publicado o relatório, Marcelo não tardou a iniciar o processo de responsabilização da Administração Pública, ao declarar em nota escrita:
“ […] Portugal aguarda com legítima expectativa as consequências que o Governo irá retirar de uma tragédia sem precedente na nossa história democrática”, ´Público’.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

'Marcha Turca' de Mozart


Um sopro de música para o fim-de-semana. Desta vez, a 'Marcha Turca' de Mozart interpretada de forma irreverente, e portanto nada ortodoxa, pelo quarteto feminino Amadeus. Quatro jovens romenas que, através de instrumentos electrónicos, oferecem a descontracção e a alegria de uma bela melodia.
Bom fim-de-semana.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ricardo Salgado e a lembrança de dois 'posts' de Fev. de 2013

O megaprocesso 'Operação Marquês', divulgado esta semana pelo MP, trouxe-me à memória este 'post', intitulado 'O Sagrado Sal do Espírito Santo (BES)' e publicado em Fevereiro de 2013 - a detenção de José Sócrates ocorreu em Novembro de 2014, cerca de um ano e nove meses depois.
O conteúdo do 'post', porque muito crítico da conduta de Ricardo Salgado, como banqueiro, gestor do BES e do GES, cidadão e contribuinte, serviu de pretexto para um tal Paulo Padrão, então director de comunicação do BES, me ter convocado para um encontro, com o objectivo de me agredir fisicamente. Até que ponto executaria a agressão não sei. Porque mo disse, apenas estou certo de que queria usar violência . 
Esclareço que o referido indivíduo, tido por 'apadrinhado' por Eduardo Catroga no ingresso no BES, se serviu de um amigo meu para obter de forma tortuosa o meu número de telemóvel.
Em relação ao acto de ameaça de que fui alvo, contei com a solidariedade de vários amigos, em especial de autores do blogue 'Aventar', no qual escrevi. Entre estes, destaco o Ricardo Pinto, que, de forma activa e deste modo, fez a minha defesa no 'Aventar'.
O triste caso veio-me à memória, por força da quantidade de jornalistas e comentadores que, agora e uma vez publicitado o megaprocesso em causa, são ferozes críticos de Ricardo Salgado. À época do meu texto, apenas Nicolau Santos do 'Expresso' condenava o BES e em especial Paulo Padrão. Os outros nem piavam (esta foi a primeira vez que Cavaco Silva me foi útil na vida).    

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O sebastianismo na figura de Passos Coelho

O jornal ‘Público’ de Domingo, 08-10-2017, publicou na 1.ª página uma destacada imagem de Pedro Passos Coelho (PPC). O título do texto é: “Passos fora: a história de um projecto liberal interrompido”; e, para que não haja dúvidas, em subtítulo reforça: “[…]Sai agora, quase só e com um projecto liberal interrompido. Sem o dar por terminado.”
Do texto em causa, de David Dinis, extrai-se a ideia de que o autor partilha das dores da partida de PPC. Exprime-se até em tom melancólico, sob a crença de um dia, não se sabe quando, o homem regressar para retomar o projecto ora descontinuado. O artigo remete, pois, para a ideia de um tipo de sebastianismo. Só não explica se o regresso acontecerá numa manhã de nevoeiro, numa tarde tempestuosa ou numa noite de tormentas. O futuro o dirá.
Classificar PPC de liberal é um erro, cometido, aliás, por outros jornalistas e comentadores políticos. Com efeito, o ainda líder do PSD/PPD não se integra no ‘liberalismo clássico’, ideologia a que, à semelhança de outros estudiosos, Tony Judt, em ‘O Século XX Esquecido’ se refere assim:
“O Estado-providência, em suma, nasceu de um consenso transpartidário do século XX. Foi implementado, na maioria dos casos, por liberais ou conservadores que haviam entrado na vida pública muito antes de 1914, e para quem o fornecimento público de serviços médicos universais, pensões de velhice, subsídios de desemprego e doença, educação gratuita, transportes públicos subsidiados, e os outros pré-requisitos de ordem civil estável, representavam não o primeiro estádio do socialismo do século XX mas o culminar do liberalismo reformista do fim do século XIX.”
Os propósitos programáticos e de acção governativa de PPC identificam-se, isso sim, com o ‘neoliberalismo’, na lógica dos modelos de Thatcher e Reagan, após a ‘Perestroika’ e a queda do muro de Berlim em 1989.
De resto, o texto do ‘Público’ denúncia com clareza o carácter ‘neoliberal’ do projecto de PPC, nomeadamente quando se escreve:
“[..] Passos tinha até orgulho nisso: o quase líder aparecia propondo uma redução das funções do Estado, uma contracção também no número de funcionários públicos (com a entrada de uma para…cinco saídas), o fim da subsidiodependência, a criação de uma ‘Entidade Reguladora da Educação’ para evitar ‘a dependência excessiva do Ministério’, a ‘modernização’ das leis laborais, o plafonamento da Segurança Social, financiado por emissão de dívida pública.”
Os portugueses, de hoje e do futuro próximo, sentem na pele e na alma que a “modernização” das leis laborais significa a precarização dos salários e das condições de trabalho. Também os pensionistas souberam, na vida real, o que representa o “plafonamento da Segurança Social”, não devendo esquecer que foi o Tribunal Constitucional quem cortou os passos a Coelho, assim como, posteriormente, nas últimas eleições, o ainda líder do PSD/PPD propôs um corte efectivo de 600 milhões de euros nas despesas da SS.
Todavia, temos de reconhecer a instabilidade, a volatilidade e as contradições das sociedades da globalização, não surpreendendo que o citado Coelho ou outro láparo se afirme na cena política em tempos futuros, com os mesmos propósitos. Vive-se demasiado à pressa e a memória colectiva é curta.

sábado, 7 de outubro de 2017

Música 'América' do West Side Story


Mulheres e homens civilizados, ao redor do mundo, já estranham pouco os disparates de Trump, umas vezes no 'twitter', outras em comportamentos absurdos e estrambólicos. Do actual PR dos EUA, espera-se tudo menos sensatez e respeito pelos supremos interesses e direitos de seres humanos.
A sua recente visita a Porto Rico foi caricata e desrespeitadora para uma população fustigada por um furacão, Maria, que devastou a ilha, matou gente e deixou apenas 7% da ilha com energia eléctrica. A BBC registou esta e outra informação, aqui, classificando de abominável o comportamento de Trump.
Porque estamos em fim-de-semana e música é a melhor das terapias para nos descontrair, recorri à publicação de 'América' do memorável 'West Side Story', musicado pelo não menos inesquecível Leonard Bernstein e com poemas de Stephen Sondheim. O filme foi dirigido pelo histórico Robert Wise, cineasta e produtor que foi premiado com vários óscares.
Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Catalunha, os independentistas e os anti independentistas

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À semelhança de outras regiões de Espanha, a Catalunha tem uma história multisecular, complexa e recheada de transformações políticas. Se iniciarmos a análise histórica no século IX, regista-se que a região catalã esteve, nessa época, sob o domínio do Império Carolíngio, da França medieval; no século X, os condados catalães declararam a independência em relação ao poder carolíngio; no século XII, o conde Berenguer IV (1131-1162) tomou em casamento Petronita de Aragão, filha do rei Ramiro, tornando-se príncipe daquele reino, através de uma união dinástica do Condado de Barcelona com o Reino de Aragão.
A citação de estes fragmentos históricos serve para evidenciar que as transmutações, ao longo de séculos, da Catalunha, em termos de particularismo, soberania e dependência, foram diversas e, por vezes, profundas. Centrar a análise histórica, apenas, na sublevação catalã, em 1640, parece-me redutor, ainda que os acontecimentos, à época, também tenham sido relevantes do ponto de vista político, económico, social e até religioso.
Perante este acervo histórico e a tensão actual entre o Governo de Madrid e o Governo Autónomo da Catalunha, sinto-me incapaz de defender uma posição pró ou contra a independência da região. Estou certo, apenas, da legitimidade de pugnar pelo escrutínio participado, idealmente, por todos os catalães habilitados a exercer o direito de voto no processo de autodeterminação.
Trata-se, pois, de um processo político, para o qual a História pode contribuir, mas nunca de forma decisiva. De igual modo, aliás, se revelou contraproducente a judicialização da causa pelo desastrado Governo de Rajoy que, para cúmulo, recorreu à força policial para repressão de manifestantes independentistas – polícias, bastões e balas de borracha de um lado e agredidos, com muita ou pouca gravidade, de outro; tudo isto só favoreceu os independentistas e multiplicou os seus apoiantes. Neste tipo de causas, a vitimização é fácil e rende mais manifestantes e apoios.
Todavia, há que admitir que, ao contrário do que os media e em especial as TV’s mostram, também existem, e muitos, anti independentistas. Segundo números divulgados ‘El País’,  em 1 de Outubro, votaram 2.262.424 cidadãos, dos quais 2.020.144, número adiantado pelo Governo Catalão, se pronunciaram pelo sim à secessão; adianta o citado jornal que o total de recenseados é de 5.343.358, concluindo que, apenas, 42% exerceram o direito de voto.
A notícia exibe ainda imagens de uma manifestação muito participada de anti independentistas, referindo a existência de um clima de intimidação de que estes são vítimas por parte dos defensores da independência.
De nada adianta, como fazem hoje no ‘Público’ diversos intelectuais e universitários, despejar mais argumentos suportados por Leis e Tratados. O processo é só e tão só político. Rajoy e Puigdemont negoceiem e organizem um referendo democrático envolvendo a grande maioria dos catalães na votação e sem pressões de um e de outro lado. Quem ganhar, ganha! Mas há que advertir que há a probabilidade de resultados com mais benefícios do que custos ou de outros com mais custos do que benefícios. Depende da perspectiva. Todavia, votar é preciso.

sábado, 23 de setembro de 2017

'Lira', Adriano Correia de Oliveira


Não tenho publicado 'posts'. Desta vez, andei retirado em turismo interno. O circuito iniciou-se em Lisboa, Alto Alentejo, Coimbra e Porto.
Coimbra tem um significado especial na minha vida. Foi lá que o meu pai, dos primeiros enfermeiros psiquiátricos portugueses, se perdeu para a vida. Dotado de educação musical, de excelente voz e intérprete de viola e banjo, entrou na boémia coimbrã com o prazer de extasiado pelo paraíso e acabou exausto e vencido.
Porque em Coimbra, os estudantes, as 'repúblicas', o perfume da boémia, da História e dos saberes me estão sempre plasmadas na alma e na memória, lembrei-me de Adriano Correia de Oliveira que, portuense, se revelou no fado de Coimbra e cantares de intervenção.
Escolhi justamente 'Lira', uma balada açoriana, que Natália Correia, curiosamente, também interpretava excelentemente. A poetisa era dos Açores, como se sabe.