quarta-feira, 19 de julho de 2017

Silly? Hot Season!

Chegado o Verão, temos as férias de famílias, os serviços mínimos de políticos e da comunicação social. Ou seja, desfrutamos da tranquilidade da 'Silly Season', perturbada, e não pouco, pelos grandes incêndios.
Este ano, porém, 'Hot' está a derrubar 'Silly' e sente-se já, de facto, um ' Verão Quente'. 
No domínio dos incêndios, registou-se a maior tragédia de sempre, a de Pedrogão Grande e de dois concelhos vizinhos, Figueiró dos Vinhos e Góis. 64 mortos, meia centena de habitações e pequenas propriedades rurais destruídas, e ainda unidades produtivas completamente arrasadas. Tornou-se numa catástrofe histórica. Não vamos lembrá-la somente quando circularmos nas áreas afectadas e observarmos o rastro de negritude que o fogo plasmou na paisagem. 
Para sofrimento das populações desse interior despovoado, desprezado, de tristes silêncios que as sirenes dos bombeiros rasgam, outros fogos florestais vastos eclodiram, por mãos criminosas ou diferentes origens, em outras áreas do País: Alijó, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Mangualde, Gouveia, Sabugal... - no momento em que escrevo, o 'site' da Protecção Civil cita, no total, 171 fogos, combatidos por 2389 operacionais, 777 viaturas e 8 meios aéreos... enfim, a desgraça continua. 
Desta vez e não motivados apenas pela 'Tragédia de Pedrogão' mas pelos recorrentes dramas dos incêndios em território nacional, será que o Governo e partidos da oposição se unem na acção de estabelecer e fazer executar regras para a reestruturação e limpeza de matos e florestas e a prevenção efectiva, e activa todo ano, contra incêndios? É uma pergunta longa, mas, mais importante do que isto, é formulada sem esperança. Sim sem esperança, porque a coisa já começou mal: PCP desafia BE a tirar terrenos sem donos do banco de terras {'Público']. Tiro de 'Hot' em 'Silly'.
A Protecção Civil traçou novas regras de comunicação sobre incêndios. PSD e o loquaz Jaime Mata Soares classificaram a medida de "lei da rolha". Outro tiro em 'Silly'.
O desventurado André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD e PPM, lança-se em ataque xenófobo à comunidade cigana. Se ele procurasse saber o número de famílias que, em Portugal, recebe o 'rendimento mínimo garantido', talvez concluísse que a grande maioria não é cigana. O populismo sustenta-se também da ignorância. Terceiro tiro em 'Silly'. 
Acrescente-se que, em Outubro próximo, haverá eleições autárquicas e mais tiros é coisa que não faltará.
Por fim, cito que tivemos e temos Tancos, e deste lado pode surgir a artilharia pesada, quando os resultados das investigações forem - se forem - divulgados. 
Estou, pois, preparado para uma 'Hot Season'. Note-se que, a tudo o que se sabe, seguem-se os imprevistos e muito destes são sempre mais surpreendentes do que os casos antecedentes. Por exemplo, hoje soube-se que o truculento Hugo Soares foi eleito líder parlamentar 'laranja' ['Público']. Um tiro no pé do PSD. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A minha estupefacção

Tenho apreço pelo Dr. Seixas da Costa. Sou leitor do seu blogue, 'duas ou três coisas'. Normalmente, concordo com os conteúdos publicados.
Todavia, há sempre excepções, no que respeita a regras e opiniões. E, por via da excepção, não poderia estar mais em desacordo com o conteúdo do  'post', publicado em 14-Julho, sob o título 'Perplexidade'.
Convirá sublinhar que as nossas carreiras profissionais tiveram percursos muito distintos. O Dr. Seixas da Costa foi Embaixador, moveu-se naturalmente em ambientes da diplomacia e, ao que parece, é intransigente no princípio do 'politicamente correcto'. Eu percorri um caminho mais frugal, entre operários e engenheiros, em unidades fabris; por inerência de funções no comércio internacional, corri mundo a promover exportações de vidro em chapa e transformado da Covina, hoje Saint-Gobain Glass, e de produtos de higiene pessoal e de limpeza das empresas Sonadel e Uniclar, do ex-grupo CUF/Quimigal.
Sucedeu que, detidas por IPE e Quimigal, as três sociedades foram privatizadas por alienação a grupos estrangeiros. A Covina à Saint-Gobain e a dupla Sonadel-Uniclar à Colgate. Consequências: a ex-Covina actualmente não passa de um entreposto da Saint-Gobain, a funcionar com menos de três dezenas de trabalhadores; por outro lado, Sonadel e Uniclar desapareceram como sociedades industriais e comerciais, embora as suas marcas continuem a ser comercializadas em Portugal - ao ler um invólucro do sabonete 'Feno de Portugal', da ex-Uniclar, depara-se com a menção 'Fabricado na EU / (Alemanha)'.
Ainda no domínio das consequências a nível da Economia Portuguesa, deverá sublinhar-se que as referidas alienações, como outras, contribuíram para diminuições do PIB, eliminação de centenas de postos de trabalho e de exportações, aumentando importações e remunerações (dividendos) de capitais externos.
O que acabei de descrever é suficientemente elucidativo, julgo, dos resultados de certas operações de IDE - Investimento Directo Estrangeiro; várias das quais, como é notório, se vêm a revelar adversas para o interesse nacional. É natural, portanto, a minha estupefacção perante críticas às declarações de António Costa na AR - debate do Estado da Nação - que, instado a pronunciar-se pelo PCP, acusou a PT/Altice de grave incumprimento na prestação de serviços de telecomunicação na 'Tragédia de Pedrogão'; prestação a que está vinculada pela PPP no âmbito das obrigações do SIRESP.
O tempo correrá e estaremos cá ver o que, na PT e na Media Capital, a Altice vai fazer. Certamente dinheiro, muito dinheiro, com pesados prejuízos para Portugal e portugueses, prevejo.
Muito mais haveria para dizer, mas fico-me por este esclarecimento: não sou militante de qualquer partido, nem apoiante incondicional de António Costa.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Mozart: 'Pequena Serenata Nocturna'


Sexta-feira, noite quente. Ouvir, sentado, a 'Pequena Serenata Nocturna', que, dizem, foi composta para bailar, não cansa. Aliás, Mozart nunca cansa e encanta sempre. Bom fim-de-semana!

Interesses públicos versus interesses privados

Políticos, economistas e sociólogos têm debatido o conceito de interesse público. Seria despropositado, além de impossível, descrever esse histórico e longo confronto de concepções, no âmbito de um 'post'.
Tomo, pois, como referência três ideias principais:
  1. A supremacia do interesse público sobre o privado, não equivalendo, todavia, a uma liberdade irrestrita de arbitrariedades de quem conduz os negócios públicos.
  2. No período pós-2.ª Guerra Mundial, e com especial incidência na Europa, o Estado Social resulta de uma transformação super-estrutural do Estado Liberal, com vista a eliminar a contradição entre igualdade política e desigualdade social; esta última mais óbvia na Saúde, no Ensino, na Justiça e nas relações laborais.
  3. Nos anos 1980, o neoliberalismo irrompe na Europa pelas mãos de Margaret Tatcher, a mulher do 'TINA' (There is no alternative), argumentando não haver alternativa às leis do mercado, ao neoliberalismo, ao capitalismo e à globalização; esta teoria propagou-se então no seio da Europa por acção de outros políticos, incluindo socialistas e social-democratas, a começar pelo trabalhista Tony Blair com a sua proclamada 3.ª via.
António Costa, no debate do estado da Nação, ao criticar o mau desempenho da PT (Altice) na tragédia de Pedrogão, fê-lo por diversos motivos, entre os quais destaco: (a) a ruptura operacional e efectiva da PT, com a agravante de ser parte do núcleo de privados da PPP SIRESP; (b) a transformação, o desmembramento e os despedimentos esperados na PT, estimados em 3.000 e que AC já havia declarado recusar; (c) finalmente a imagem ideológica, que o PM, a governar com o apoio da esquerda parlamentar, está a tentar recuperar para o PS, ainda que condicionado por uma União Europeia de tratados e directivas de pendor neoliberal.
Passos Coelho, por sua vez, comparou Costa com Donald Trump (MSN vídeo). A comparação não passa de desvario do líder do PSD. Sem estratégica política, anda a compor a sua agenda com os acontecimentos de Pedrogão Grande, de Tancos e com reacções eleitoralistas àquilo que o PS diz, faz ou deixa de fazer. Coelho, ao invés do que querem fazer acreditar alguns aliados na comunicação social, nunca foi, nem é um político brilhante, bem preparado, de ideias consistentes e fluídas. 
Resta, em Passos Coelho, a marca ideológica aguda do neoliberalismo. E é neste registo que, para ele, criticar esta ou aquela empresa privada equivale a desrespeitar um 'templo sagrado'. O mercado, inspirado na famigerada teoria de Adam Smith, tudo equilibra e resolve, admitindo-se, apenas, uma regulação ineficiente por parte do Estado. Foi, dentro deste pensamento, que, quando PM, PC afirmou que o BES não era um problema do Estado, mas sim de privados. De seguida, a sua Ministra das Finanças, M. L. Albuquerque, aplicou, de uma penada, 3.900 milhões de euros dos contribuintes na resolução do caso 'BES/Novo Banco'. Contradições e falta de ideias traçam o perfil de Passos Coelho. Está desacreditado, até no seio do próprio PSD.
António Costa, na declaração parlamentar, referiu ainda a CIMPOR, que é um tema interessante. Todavia, fica para outro 'post'.




terça-feira, 11 de julho de 2017

Três secretários de Estado foram à bola

Parece que haverá saída de outros secretários de Estado, disse-o o 'comentador minhoca' no Domingo, na SIC, e outros órgãos da comunicação social ecoam o badalo de manhã à noite, desde então.
Escrito isto, deixo claro que este 'post' se refere exclusivamente aos três secretários de Estado que, a convite da GALP, foram ao Europeu de 2016 - de uma penada esclareço também que deixei, há anos, de ser fã de futebol. 
O que os três políticos fizeram há um ano é éticamente reprovável e o Ministério Público precisou exactamente de um ano - trabalho árduo - para os constituir arguidos. Os homens, na altura da primeira denúncia em 2016, assumiram a responsabilidade e reembolsaram a GALP das viagens, ao mesmo tempo que o governo de AC criava este 'código de conduta' para obstar a actos iguais ou semelhantes. Tudo isto de nada valeu e o MP prosseguiu com o processo.
Neste singular país da política reles, os media, em especial a SIC e o 'Expresso' curto ou comprido, têm vindo a terreiro desancar forte e feito no governo de AC. O momento é favorável à oposição de direita, há as fragilidades de Pedrogão e de Tancos, então puxa-se do cacete para nova sova pelo caso dos secretários de Estado. "Nós não fomos nem vamos à bola com eles - pensam Gomes Ferreira, Martim Silva e mais uns quantos 'jornalistas de facção' que andam por aí - e então vamos aproveitar mais esta para descascar a valer".
A cumplicidade entre políticos e empresas é histórica. Construiu-se, ao longo do tempo da democracia, com casos bem mais escandalosos do que a aceitação do convite da GALP para ir ao 'Europeu 2016'. E a intervenção da comunicação social foi mínima. Vou apenas listar alguns nomes, sociedades e números para despertar memórias:
  • Os ex-ministros Armando Vara (PS), Carlos Tavares, Mira Amaral e Fernando Faria de Oliveira (estes três do PSD) e Celeste Cardona (CDS) constituem uma minoria de 23 ex-ministros e secretários de Estado que ingressaram na administração da CGD;
  • Murteira Nabo (PS) e mais 18 ex-ministros passaram pela PT, antes e depois da privatização - e também foram investidos em cargos de administração na operadora os ex-secretários de Estado Franquelim Alves (PSD) e Norberto Fernandes (PS)
  • No grupo EDP, além do inefável António Mexia, albergaram-se mais 12 ex-governantes, entres estes Luís Braga da Cruz e Daniel Bessa (PS) e Rui Machete e Joaquim Ferreira do Amaral (PSD).
Todo este role de abutres claro poderia estender-se - estou a lembrar-me das deambulações do rubicundo Catroga, de Jorge Coelho na mesma Mota-Engil onde está Paulo Portas e ainda da ida de Joaquim Ferreira do Amaral para a LUSOPONTE. 
Enfim, a lista seria, de facto, muito extensa, mas, que eu saiba, apenas o 'DN' lhe dedicou algum espaço. Outros mantiveram-se em silêncio ou passaram de raspão pelo tema.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ivanka à mesa do G20

Ivanka Trump na mesa do G20, entre May e Xi Jiping
O episódio de Ivanka Trump se sentar à mesa dos líderes do G20 causou uma onda de diversas críticas, piadas e comentários.
A atitude de Ivanka até acaba por ser natural, em função do tipo de personalidade grosseira, ignorante, e recheada de embustes do pai Donald.
No entanto, é de sublinhar que, se de Trump tudo de mau se espera, já no que diz respeito ao G20, e sem nunca se aguardar grande coisa, o magno grupo agora ficou ainda mais desacreditado. 
Saliento que este G20 em Hamburgo foi óptimo para Trump negociar, na próxima Polónia, a venda de 7 mil milhões de armas ao governo de extrema-direita no poder, mas, acima de tudo, a reunião magna dos 20 países criou a oportunidade de ouro de, pela primeira vez, o Presidente dos EUA se avistar com Putin em reunião de cerca de 2h30m, quando a duração prevista era de meia-hora. Superiormente inteligente, o Presidente da Rússia vai extrair benefícios da superficialidade do grosseiro e básico Trump. Esta hipótese já está a causar apreensões entre sectores de opinião norte-americanos.
Regressando ao incidente 'Ivanka à mesa do G20', e optando pelo lado lúdico do caso, cismo no que seria dito e escrito em certa comunicação social, incluindo parte da portuguesa, se os protagonistas fossem a filha do Presidente do México e o pai; ou da África do Sul, da Argentina ou de outros países do Hemisfério Sul e da Ásia - o Brasil é caso especial, porque a Temer bastaria levar a mulher, que tem idade para ser sua filha.
Mas, no aspecto lúdico do ridículo acontecimento, existem algumas críticas bem humoradas no 'The New York Times'. Destaco duas:
  1. O actor Ike Barinholtz escreveu no 'twitter': "Isto é uma coisa totalmente normal para países normais como a Arábia Saudita ou Westeros."
  2. Ted Lieu, democrata da Califórnia, transmitiu na mesma rede social a seguinte mensagem: "Baseado no exemplo de Ivanka, vou perguntar ao Presidente da Câmara, Ryan [republicano] se o meu filho pode sentar-se no meu lugar na próxima reunião da Comissão de Negócios Estrangeiros do Congresso."
Valha-nos, pois, algum humor neste desastrado percurso dos grandes líderes e, consequentemente, da humanidade.



sábado, 8 de julho de 2017

Manifestações anti G20, a minha obrigação de esclarecer

Manifestação pacífica anti G20 (19+1)
Ontem publiquei um 'post', sob o título 'Cimeira G20, o alvoroço  em Hamburgo'. Do texto, poder-se-á deduzir que sou defensor de todo o tipo de manifestações anti-globalização, contra o capitalismo e a falta de humanismo reinante. Não é caso.
Quem me conhece bem, meus familiares e amigos mais próximos, sabem que sempre estive ao lado dos mais fracos. Sem militar em qualquer partido político, combato à minha maneira contra o neoliberalismo, a obscena desigualdade de riqueza e rendimentos no mundo e ainda contra a pobreza  e o estado de miséria que atingem milhões à volta do planeta, em especial crianças, mulheres e idosos - os 8 mais ricos têm tanto como metade da população mundial ('BBC').
A minha oposição à ordem mundial vigente é expressa de modo transparente, democrático e por meios pacíficos. Identifico-me, portanto, com os manifestantes que se orientam por estes princípios. E, segundo o 'The New York Times', houve uma manifestação ordeira de 76.000 pessoas que expressaram, nas ruas de Hamburgo, a sua oposição às políticas do G20 que, com Trump, se transformou em G19+1. 
A comunicação social portuguesa, em especial as TV's, nem sequer relativizou o citado acto cívico e democrático. Pura e simplesmente, omiti-o dos noticiários. Obcecados por mostrar mortes, feridos e violência, os nossos canais televisivos apenas dão conta de actos de repugnante impetuosidade, cometidos por grupos de radicais anarquistas, que saquearam, destruíram e praticaram outros graves desacatos. Banditismo deste género jamais terá o meu apoio. Pelo contrário, merece-me total reprovação. É minha obrigação dar este esclarecimento.  
  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Beethoven, 'Für Elise"


Neste meu recanto, quando leio ou escrevo, ouço música de que gosto, naturalmente. Tenho diversos compositores preferidos. Em cada dia e mesmo em cada parcela de tempo, escolho em função do meu estado de espírito, do que se passa comigo e com os meus e do que vai sucedendo no mundo. Hoje, desde a tarde, ouvi melodias de Ludwig van Beethoven. Os seus sons arrebatam-me e, em simultâneo, tranquilizam-me. Aqui deixo um curto trecho de "Für Elise" (piano). Bom fim-de-semana a todos.

Cimeira do G20, o alvoroço em Hamburgo



Não é inédito. Tem anos. Onde há cimeira de G7, G8 ou G20, há milhares e milhares de manifestantes em protesto. A onda começou em Seattle em 1999 e teve o primeiro mártir em Génova em 2001. O jovem italiano Carlo Giuliani, aos 23 anos, foi assassinado com um tiro disparado de um carro da polícia paramilitar italiana. 
A cimeira do G2O, em Hamburgo, está envolvida em ambiente escaldante. Os confrontos entre manifestantes e polícias são intensos. A prestigiada 'Der Spiegel', às 9h31m, anunciava que já teriam sido feridos 111 polícias; por sua vez, as autoridades tinham detido 29 opositores à cimeira.
Nas manifestações anti-G20, em Hamburgo, embora no seguimento de outras como dissemos acima, há algumas novidades. Começou com um desfile de 'zombies', carregado de elevado simbolismo pela solenidade do desfile e encenação da libertação do capitalismo global, fomentador de crescentes e aviltantes desigualdades na distribuição de riqueza e rendimentos no mundo, de desumanismo e de agressões climáticas graves.   
Que eu me lembre, além de inúmeras organizações e manifestantes mobilizados, trata-se do protesto mais intrusivo em relação à localização e circulação dos líderes reunidos na cimeira. A baixa de Hamburgo está, em parte, invadida por manifestantes e, por exemplo, Jean Claude Juncker e Donald Tusk atrasaram-se na chegada à conferência de imprensa programada, por complicações no trânsito.
O que, de facto, é relevante é a mensagem enviada por quem protesta para o seio da cimeira, relativizando a mensagem em sentido inverso. Sim, simboliza aquilo que a maioria dos cidadãos do mundo, e não apenas os que protestam em Hamburgo, pode esperar de uma reunião de figuras tão divergentes, controversas, umas mais anómalas e prepotentes do que outras. Formam um mosaico de países desiguais, como o Brasil de Temer, os EUA de Trump, a Turquia de Ergodan, a Grã-Bretanha de May, a Alemanha de Merkel, a China de Jinping, a Indonésia de Jiki Widodo, a UE do atarantado Juncker e por aí fora. Têm em comum a protecção dos poderosos actores do sistema económico-financeiro. Os líderes que lá estão e outros que lhes seguirão têm de perceber que milhões e milhões de seres humanos vivem na pobreza ou em miséria extrema, que a luta pela preservação do planeta deverá ser determinada e séria (já nos bastam as desgraças disparadas do Ártico ao Antártico). 
A cimeira arrancou. Vamos esperar pelo fim do filme, que é uma verdadeira trágicomédia, com o populismo e as pós-verdades de Trump, a falta de escrúpulos do seu protegido Ergodan, o opressor turco, ou, ainda, a ostentação de riqueza obscena do grande cliente de armamento norte-americano que é a Arábia Saudita - a Polónia também prometeu a Trump comprar 7 mil milhões de armas.
Aguardemos também o que Trump escreverá no 'twitter'. Sim, porque, do Brasil, Temer, mal chegou,  afiançou: "Não há crise económica no Brasil". Puxa vida, Temer, você é um cara p'ra temer mesmo... fora Temer!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Mariana Mortágua estende a mão à direita

Mariana Mortágua é economista de qualidade. Demonstrou-o em várias ocasiões, mas a mais exuberante de todas foi a participação na comissão de inquérito parlamentar ao BES.
É obviamente uma mulher inteligente. Mas, como dizia muitas vezes um amigo meu 'carioca', mesmo os mais sábios e inteligentes têm uma zona de estupidez no cérebro. Poderá não ser o que se passa com ela. Todavia, parece-me que se trata de um caso de mesquinhez do ego, segundo os princípios do pensamento do hinduísmo.
Huston Smith, em 'A Essência das Religiões' e ainda a propósito do hinduísmo, escreveu: "Ao apoiar ao mesmo tempo a nossa vida e a vida dos outros, a comunidade tem uma importância que nenhuma vida individual pode assumir. Vamos então transferir para ela a nossa dedicação, concedendo às suas exigências prioridade sobre as nossas." É justamente neste sentido que Mariana Mortágua deve pensar e orientar as suas intervenções políticas. Mas, fez objectivamente o inverso na Comissão de Orçamento e Finanças, ao exigir a Mário Centeno que, ministério a ministério, o Governo especifique as cativações de 2016 e 2017. A direita exultou de alegria e  entusiasmo com a exigência da bloquista.
Mariana Mortágua sabe que o governo de António Costa não firmou, mas herdou o 'Tratado Orçamental' da UE que impõe limites ao défice e duras regras orçamentais; sabe também que a dívida pública do País é enorme e que a contenção do défice por Centeno já se repercutiu favoravelmente nos custos do serviço de dívida (juros); conhece também que, para equilíbrio das contas públicas, é preferível criar desenvolvimento económico sustentável, mas que este é o caminho mais difícil por escassez de meios para investimento, restando ao governo opções financeiras para a melhoria das contas públicas. 
Mariana sabe tudo isto e muito mais. E politicamente deve estar sempre consciente do que sucedeu na Grécia com o  seu ex ou ainda aliado Syriza. 
O BE apoia no parlamento o governo actual, que está, de resto, a viver um momento muito difícil, fruto de acontecimentos graves e de responsabilidades próprias. Acima de tudo, Mariana Mortágua deveria ter aprendido a lição de, no passado não muito longínquo, BE e PCP terem escancarado as portas do poder à direita neoliberal do PSD e CDS, com as pesadas consequências que se conhecem. O povo, na grande maioria, não quer regressar a tamanho sofrimento dos cortes salariais, de pensões e de outras prestações sociais. 
O BE, sabe-se, mantém um diálogo permanente com o governo. O pedido de Mariana deveria ter sido formulado nesses encontros. 
Jamais PSD e CDS, coligados no governo, deram tal espectáculo. Houve o caso da demissão irrevogável de Paulo Portas, mas, com a mão de Cavaco, não passou de um curto episódio de comédia.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Tancos, imagens da degradação

Estas imagens do TVI, em algumas passagens, ilustram com clareza o estado de degradação dos arruamentos do chamado 'Polígono de Tancos', onde funcionam 5 comandos do exército.
O objectivo primeiro da TVI seria mostrar a chegada e digressão do Presidente Marcelo naquele complexo do Exército. Todavia, foram captadas imagens de extensas áreas de mato, susceptíveis de aumentar a probabilidade de incêndios, em época de altas temperaturas e junto a instalações de armazenamento de armas de alto risco de explosão.
Ora isto sucede por que razão? É uma pergunta natural de cidadão preocupado. A questão ainda se torna mais absurda, porque no citado 'polígono', está instalada a unidade de Engenharia 1, que deverá dispor de recursos humanos e materiais para limpar os matos que, devido à intensidade e altura em certos locais, mal deixam ver os edifícios que lhes estão subjacentes. 
Recorde-se que na tragédia de Pedrogão Grande, e com o natural destaque da comunicação social, compareceram destacamentos militares, justamente da Arma de Engenharia, com 'máquinas de rasto' para desmatar terrenos e conterem, assim, a propagação do fogo.
Tancos demonstra o grau de incúria e de falta de acções de manutenção dos quartéis e outras instalações do exército. As obras de conservação de edifícios, vedações e de espaços de circulação de pessoas e equipamentos, se, houvesse profissionalismo e vontade, poderiam ser asseguradas por militares de Engenharia e até de outras especialidades. Há em Tancos especialistas de telecomunicações. 
Este cenário de Tancos, que até de longe pode ser observado, não é culpa exclusiva do Ministro da Defesa. É tanta dele, como dos anteriores, como o Dr. Portas que, se calhar, nunca visitou Tancos - a poeirada é muita e suja qualquer tipo de vestuário, mesmo os fatos de Rosa & Teixeira.
A culpa, sim a culpa, germinou e ampliou-se desde há muito tempo, propagando-se até hoje e centra-se, no essencial, nas Chefias do Exército, mais do que em qualquer membro deste ou daquele governo. É preciso que a instituição Exército encontre e desenvolva, com celeridade, a estratégia de recuperação da capacidade de liderança, organização, funcionamento e disciplina nos quartéis, como locais críticos para a segurança dos cidadãos em democracia. Para que isto suceda, o Presidente não se pode confinar à emoção dos afectos.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Afinal, a Força Aérea também voa rasteiro

Ontem, publiquei este 'post'. A propósito do 'caso dos comandos' e do gravíssimo furto de armamento em Tancos, critiquei exclusivamente o Exército. 
Tive, pois, o cuidado de preservar a Força Aérea e a Marinha dessas críticas. Pensei ser injusto e despropositado censurar os três ramos das Forças Armadas, de que o PR é 'Comandante Supremo'. Ingenuidade minha, hoje desmontada pela notícia de ´ultima hora' de que a PJ deteve 12 militares da Força Aérea e quatro empresários, por suspeitas de corrupção ('Público'). Estas detenções, ao que percebo, relacionam-se com a prática de sobrefacturação, em que o Estado, refere-se, sofreu prejuízos da ordem de 10 milhões de euros. 
Arquivado pelo MP o processo de aquisição dos submarinos à Ferrostal, empresa que teve gente condenada na Alemanha por corrupção nesse negocio, resta incólume a Marinha. Só não se sabe se é com carácter definitivo. Sim, poderá vir a suceder que, em futuro próximo ou longínquo, um arrastão da PJ venha a capturar, nas redes, oficiais ou sargentos marinheiros. Sabe-se lá! 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O Exército Português, do zelo ao desmazelo

À data actual, o 'site' do Exército Português incita a candidatura à carreira militar. O apelo inicia-se com a frase:
"Segurança e defesa dos cidadãos e dos interesses dos portugueses" 
A esta expressão de alento seguem-se outras de idêntico sentido.
O curioso é que o incitamento, pela natureza e conteúdo das mensagens publicadas, se já era controverso à luz do caso dos comandos em 2016 (dois instruendos mortos, vários afectados com problemas de saúde e 18 arguidos constituídos em Abril passado), mais polémico se tornou com o recente furto de armamento em dois 'paiolins' de Tancos. Do zelo passou-se para o desmazelo. 
O que está em causa, e não havendo por ora eventos idênticos na Marinha e Força Aérea, é o deficiente desempenho de altos e intermédios comandos, bem como o funcionamento de toda a estrutura do Exército. 
Os portugueses devem a libertação democrática às Forças Armadas, em especial ao Exército.  Sucede, porém, que, anos após o 25 de Abril, se deu uma deterioração na vida dos quartéis. Os oficiais, sargentos, cabos e praças de hoje beneficiam de um ambiente de laxismo e desregrado, outrora nunca visto. O caso de Tancos, pela falta de rondas e do sistema de videovigilância, a localização física dos 'paolins' que obrigou os autores do furto ao uso de meios logísticos consideráveis (capacidade de manipular e transportar imensa e pesada carga) e outros factores, não se excluindo as mais do que presumíveis conivências internas, constituem o paradigma da desorganização vigente nos quartéis. 
Tancos, Santa Margarida e outras unidades, excepto se houver cursos de comandos, são locais de lazer. Come-se bem e gratuitamente, não se faz grande coisa e folgas não faltam. "Se houver uma missão no Afeganistão ou no Iraque, vale a pena arriscar porque volto de lá com dinheirinho para comprar nova moradia na terra e ainda fico com uns euros..." - isto sou eu a imaginar um sargento a falar com amigos. A culpa é dele?

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Simone Veil

Judia, nascida em Nice em 1927, faleceu hoje Simone Veil. Passou, com a mãe e a irmã, pelos campos nazis de Auschwitz-Birkenau e, em seguida, por Bergen-Belsen. Sofreu a dureza do holocausto, mas livrou-se.
Licenciada em direito, optou pela magistratura. As notáveis qualidades intelectuais permitiram-lhe atingir o cargo de secretária-geral do Conselho Superior de Magistratura de França.
Abandonada a carreira na Justiça, ingressou definitivamente na política. Em 1974, foi nomeada Ministra da Saúde do governo de Jacques Chirac e Raymond Barre - o presidente era Valery Giscard d'Estaing.
Centrista, e muito próxima dos partidos de centro-direita UDF e RPR, fez história com a luta pela Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez. Bateu-se pelos direitos de igualdade do género. 
Inteligente, culta e activa foi uma política empenhada no papel social do Estado, tendo sido a primeira mulher eleita Presidente do Parlamento Europeu. O 'Público' (1) destaca a sua participação no governo da Presidência de François Mitterrand, o que pode induzir na ideia de que era socialista. Uma referência simplista, porque, na realidade, ao tempo de Mitterrand, Simone Veil integrou o governo de Edouard Balladour, homem próximo da UDF e do PRP que disputou e perdeu a eleição presidencial para Jacques Chirac.
Simone Veil, com outros actores da sua área política, combateu a favor das mulheres, da justiça social e de outras causas que o centro-direito do seu tempo assumia como deveres democráticos. Longe, muito longe, das ideias, concepções e acção de cariz neoliberal que caracterizam o desempenho de mulheres políticas do centro-direita de hoje, como Cristas e outras que vemos na ala direita da nossa Assembleia da República. 
(1) Adenda: O jornal 'Público' entretanto rectificou e ampliou a notícia inicial, em que conectava Simone Veil apenas com um governo de Mitterrand.

O povo uniu-se, os políticos hostilizam-se

Sou português de corpo e alma. Sou do povo da saudade, do fado e da solidariedade. Sou apenas um entre os mais desse povo emotivo, generoso e capaz de se reunir aos milhares e acumular milhões em socorro de concidadãos vítimas de tragédias.
A última manifestação de solidariedade e altruísmo dos portugueses teve como centro o concerto da passada terça-feira, dia 27, no Meo Arena. Os 25 intérpretes, muitos músicos, técnicos de som e de outras especialidades, seguranças e demais pessoal foram acompanhados ‘in loco’ por cerca de 14 mil espectadores. Em acréscimo, e remotamente, uns tantos milhões de emocionada e devotada gente viu e ouviu o evento, transmitido, em uníssono, pelos três principais canais televisivos, RTP, SIC e TVI, e um ‘batalhão’ de estações de rádio, para Portugal e para o mundo português. Este último é vasto e disperso.
Nessa noite da solidariedade com as povoações dos concelhos de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Góis, o povo uniu-se e gritou “Estamos aqui para ajudar!”. Que noite de serena e sentida concórdia.
Sem aprender nada com o significado do gesto colectivo e nacional, os políticos hostilizam-se. Tudo porque despudoradamente anseiam obter dividendos políticos com a desgraça. Vergonhoso.
Atendendo à natureza, dimensão e interesse colectivo do problema humano da colossal tragédia, seria agora o tempo de, na AR, os partidos desprezarem divergências e conciliarem esforços, com solenidade e espírito de unidade idênticos àqueles que o povo demonstrou. Caminharem juntos para: (1) averiguar com celeridade as razões objectivas e próximas do calamitoso incêndio (as causas remotas são conhecidas e resultantes de cumplicidades de diversos governos, há décadas); (2) avaliar as decisões e desempenhos das diversas instâncias envolvidas no combate ao catastrófico incêndio; (3) definir e executar um programa rápido e eficaz em relação a famílias, empresas e equipamentos locais, para devolver aos sobreviventes da tragédia a dignidade, os bens e os estilos de vida perdidos, já que, de alguns deles, jamais se poderá remover a dor pela perda de entes queridos que a tragédia matou; (4) discutir e definir estratégias para combater a desertificação, desenvolver o interior, reorganizar e estabelecer regras para a floresta, matos e a prevenção dos incêndios.
Tudo o que se enunciou pode parecer demasiado. Mas não. É justamente tudo o que, sem disputas repugnantes por votos e poder, compete à totalidade dos partidos parlamentares realizar com suprema eficácia. Infelizmente, não é o que está a suceder, como se pode concluir por este tipo de notícias (‘Público’).
Ouçam Srs. ministros, secretários de estado, deputados e dirigentes partidários!, o povo gritou a uma única voz e bem alto: “JUNTOS POR TODOS”. Cumpram!

terça-feira, 27 de junho de 2017

Passos Coelho é um incapaz! Ainda há quem não perceba?


Vasco Pulido Valente, Paulo Portas e acólitos enganaram-se rotundamente. A "geringonça", afinal, não é o governo do PS e os aliados parlamentares, BE e PCP. É, esse sim, o PSD de Pedro Passos Coelho, desgovernado, desconjuntado e conduzido para a auto-mutilação por um líder incapaz e cego pelo poder a qualquer preço. No desastroso percurso, existem outros figurantes cúmplices do comportamento errático e desprovido de sentido - lembro-me, agora, que não tenho visto o inefável Zeca Mendonça, talvez por estar encoberto por um monte que é negro e outros obstáculos e marcos dispersos, desde a costa a sinuosos caminhos interiores.
A tragédia de Pedrogão Grande e concelhos vizinhos, na qual se registaram 64 vítimas mortais, teve a maior expressão de todas aquelas geradas, em cada ano, no Portugal interior, desertificado, florestal e esquecido, há décadas, pelo poder político.
Se a utilização da catástrofe no discurso com fins de disputa pelo poder já é, por si, atitude reprovável, inventar suicídios é inqualificável. Passos Coelho já demonstrara insistentemente ser um político incapaz. Agora, tratou-se de mais um episódio.
O PSD, nas suas mãos, anda à deriva. Teve o acesso à direcção do partido pelo empenho do amigo Miguel Relvas, agora escuso. Sócrates, de PEC em PEC até ao PEC fatal, abriu-lhe o caminho do poder que exerceu sob o alto patrocínio de Schäuble e da 'troika'. Ultrapassou as metas de austeridade dessa mesma 'troika', com o detestável zelo de castigar os pobres e a classe média do País de forma desmedida. 
Derrotado por nova maioria parlamentar, diabolizou, no estilo e na figura, a governação de António Costa e ficou no vazio em termos de estratégia para a governação - o corte de 600 milhões na Segurança Social foi a derradeira promessa que se lhe ouviu. 
Deixou o sector financeiro em situação calamitosa, também pelo contributo da amiga Maria Luís de Albuquerque e da indiferença da 'troika'. E continua a demonstrar incapacidade de mobilizar grande parte do eleitorado, por falta de ideias e de projecto alternativo e credível. É um incapaz, em quem a maioria dos portugueses, alguns figuras de proa do próprio partido, não deposita confiança. 
As autárquicas serão a prova de fogo que enfrentará e ontem, uma vez mais, andou bem juntinho a toda a incapacidade crónica de que padece. Desde Pedrogão Grande, onde o candidato 'laranja' João Marques o impulsionou para grave erro, até Odivelas, concelho a que concorrerá o desacreditado Fernando Seara. É verdade: onde anda Teresa Leal Coelho? Bom, fiquemos por aqui. 


segunda-feira, 26 de junho de 2017

António Domingues ao serviço da “princesa” Isabel dos Santos

Sábado, encontrei um amigo. Já não o via há tempos. Esteve em Angola. “Então por cá de férias?”, perguntei. Respondeu-me: “Não! Regressei de vez, aquilo é um barril de pólvora. O presidente decidiu nomear João Lourenço, actual Ministro da Defesa, e há outros generais revoltados, não se sabe o que pode vir a suceder. Está tudo muito quente.” Despedimo-nos.
Conheço Angola. Por obrigações profissionais, durante anos a fio, visitava Luanda e outras cidades, mais de uma dúzia de vezes por ano.
Já aqui contei, mas repito: em 1992, no Huambo (antiga Nova Lisboa), vi crianças nuas, duramente desnutridas. Vagueavam pelas ruas e bebiam água das poças, como cães abandonados. Não contive as lágrimas. Sentei-me em cima de um pedregulho e chorei. Atrasei por 15 a 20 minutos a reunião com o Comissário local.
Angola, como é sabido, é, desde a independência, um vespeiro de corrupção. Nos últimos 36 anos, sob o comando de José Eduardo dos Santos e em benefício do próprio, claro, da filha mais velha, Isabel dos Santos, a “princesa” bilionária, de outros familiares e membros da casa presidencial; à cabeça destes, o poderoso e ultra corrupto, Kopelika (Vieira Dias) e o outro general famoso, Higino Carneiro. São estes dois últimos, e outros militares, quem reagiu com ódio à nomeação de João Lourenço para candidato presidencial.
Com muito povo a viver em miséria extrema, em musseques de Luanda e em outras cidades, vilas e aldeias do País, esta foi e é a Angola de “Zédu”. Desumana e cruel.
Tive vários convites para trabalhar naquele país. Rejeitei todos. A vida forjou-me defeitos e qualidades. Não serei o melhor juiz de uns e de outras. Tenho, todavia, firme convicção de que sofreria bastante, se estivesse ao serviço de corruptos angolanos (ou portugueses), com muitos dólares no bolso, gins na mesa do Clube Naval de Luanda e a circular, em carro de alta cilindrada, em Luanda. Sou incapaz de olhar com indiferença para incontáveis miseráveis, sobretudo crianças, ao meu redor. As novas torres de luxo, edificadas em Luanda, disfarçam mas não eliminam tamanha desgraça social.
É com o sentimento de exigência de ética e respeito pelos mais frágeis que me habituei a estar na vida. É impossível imaginar-me a trabalhar para a filha do autoproclamado Presidente da República Emérito de Angola.  Também designado pelo ‘Ditador Emérito’ e ‘Corrupto Emérito’ pelos críticos.
António Domingues, essa figura que me faz lembrar um ex-seminarista, beato, cínico e ambicioso, mostrou, de novo, a face de membro dessa elite ignóbil, que proliferou e arrasou a banca nacional, em prejuízo dos cidadãos. No caso dele, manter-se-á banqueiro, como vice-presidente do BFA,  ao serviço da corrupta Isabel dos Santos – aliás, Domingues já esteve ou está na NOS, de Isabel dos Santos e Paulo de Azevedo (Sonae).
Talvez não seja de estranhar que, desta vez, no ‘Observador’, que derramou notícias sobre notícias de Domingues com Centeno e CGD (aqui, aqui, aqui e aqui), se comemore com champanhe a nomeação do herói para o BFA de IS. Se houver festa, António Lobo Xavier estará lá e contará tudo, em pormenor, a Marcelo – Lobo Xavier faz-me lembrar o ministro salazarista Correia de Oliveira, a quem, nas redacções dos jornais, chamavam ‘O correio do Oliveira’.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Bocas do fogo

Sentir-me-ia mal comigo próprio se, antes do mais, não expressasse tristeza e dor causadas pela hedionda onda de incêndios, em três distritos do País (Castelo Branco, Coimbra e Leiria). Houve 64 vítimas mortais e é, acima de tudo, por estas, e famílias, que manifesto enorme mágoa.
O meu pai, enfermeiro psiquiátrico, foi bombeiro voluntário. Faleceu na minha adolescência. Desde então, na família ou entre amigos mais próximos, não conheci outro bombeiro. Dada a especialidade da profissão, era um homem sem conhecimentos de ataque a incêndios. Limitava-se a prestar assistência a vítimas de acidentes, fossem estes fogos ou de outro género - por exemplo, um acidente ferroviário em Vila Franca de Xira, onde passou uma noite inteira a cuidar de feridos e a encontrar mortos.
A alusão ao meu pai não é inócua. É feita por contraposição ao comandante da Liga dos Bombeiros, Mata Soares, que, por excesso de exposição e comunicações televisivas, é, a meu ver justamente, criticado por Raquel Varela (RV).
O ‘post’ de RV cita diversas declarações de Mata Soares, parte das quais também vi e ouvi. Mas, divergindo do conteúdo dessas declarações, Mata Soares ontem passou a argumentar que a origem do vasto incêndio não foi a trovoada, mas sim uma mão criminosa. Reforça o argumento com a possessiva afirmação “tenho para mim.” Tem para ele, acrescento eu, mas tem de partilhar explicação fundamentada perante a sociedade portuguesa, em especial aqueles que foram assolados pela tragédia.
À PJ, que, no dizer do Prof. Rui Pereira, foi demasiado lesta a divulgar a imagem de uma árvore visada pelo relâmpago como causa do vasto incêndio, competirá colher de Mata Soares o testemunho daquilo que ele diz que “tem para ele.” A catástrofe foi demasiado grave para servir de pretexto a presunções pessoais em termos de causas e de eventuais responsabilidades de quem cometeu o crime da ignição incendiária.
O que se passa com o presidente da Liga dos Bombeiros é idêntico ao que ocorre com um número elevadíssimo de comentadores e políticos de diversas tendências. São as “bocas do fogo.” Do PSD, que tem as mãos bastante sujas no SIRESP (veja-se este artigo do insuspeito João Miguel Tavares no ‘Público’), ouve-se diversas vozes a partidarizar a discussão de uma calamidade que, em geral e excepto para Mata Soares, teve origem em fenómeno meteorológico de gravidade e consequências extremas.
Seja de que partido for, e por consequência do próprio governo, não é legítimo e honesto usar o incêndio de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos, Góis e áreas geográficas conexas, como arma de arremesso ou de disputa político-partidária. Exige-se apenas a verdade e que sejam punidos os responsáveis, assim como o afastamento dos incompetentes na condução das operações.
Todavia, tome-se em consideração que as causas mais remotas e profundas se situam nas políticas que os partidos da governação, incluindo o PS, têm desenvolvido, ao longo de 4 décadas, no sentido da desertificação do interior, da limitação de culturas e criação de gado, e na arborização intensiva de eucaliptos.
Sou lisboeta, filho de lisboetas, com uma casa em aldeia do Alto Alentejo. Sou espectador activo do envelhecimento da população, da erosão dos solos e do abandono pelo Estado central, autarquias e própria GNR de gentes e terras do interior. É tudo isto que tem de mudar. Custe o que custar.    

sábado, 10 de junho de 2017

How about 'Brexit'? Maybe hard

video
Sexta-feira, dia 9 de Junho, em Londres. Theresa May deixou Downing Street, deu uma saltada até ao Buckingham Palace, falou com a Rainha Elizabeth II e regressou ao ponto de partida . 
Saiu Primeira-Ministra (PM) cessante e voltou PM indigitada, pelo que se depreende da declaração "vou formar um governo," no vídeo.
Tudo rápido, simples e eficaz, depois de uma noite eleitoral atribulada. O Partido Conservador perdeu a maioria absoluta ao conseguir, apenas, 318 deputados (-13), contra o sucesso do Partido Trabalhista com 262 (+30) parlamentares, do "perigoso esquerdista", Jeremy Corbyn, a quem muitos analistas vaticinavam uma catástrofe eleitoral - os resultados eleitorais britânicos suscitaram surpresas, entre as quais a eliminação do parlamento do UKIP do empenhado eurocéptico Sr. Farage, grande amigo do Sr. Trump.
Regressemos, porém, à Sra. Theresa May. A despeito das tensões que ficaram a ecoar no seio dos Conservadores, May deitou mãos à obra para se manter no poder. Em minoria relativa, firme e obstinada, captou o ultra-conservador DUP (Partido Unionista Democrático), irlandês e presbiteriano, para uma coligação parlamentar de suporte ao novo governo de May. Como se tratam de partidos de direita, para Pulido Valente, o autor da ideia da "geringonça", e Paulo Portas, o plagiador, a imagem para definir a coligação 'Conservadores+DUP' é um belo "coche" de talha dourada e conduzida por dois guardas palacianos que a rainha cedeu a Theresa May e Arlene Foster.
Em círculos políticos britânicos, a solução de coligação parlamentar está a deixar muitas apreensões. Quanto ao 'Brexit', mas sobretudo em relação ao já conturbado processo de paz na Irlanda do Norte. Os católicos do Sinn Fein, prevê-se, vão reagir mal à promoção do adversário DUP, proporcionada por May. Esta perde, assim, as condições de equidistância e de mediação do governo de Londres no citado processo, sendo certo que Tony Blair, ex-líder trabalhista da 3.ª via, já apelou a Theresa May para não se coligar com o DUP.
E então o 'Brexit'? ("How about 'Brexit'?"). Talvez seja árduo ("Maybe hard"). Talvez? Será certamente e para as duas partes, Reino Unido e União Europeia. A Sra. May submeterá condições leoninas aos 27 países restantes da UE. A preservação City, principal praça financeira europeia a ser transformada em ´paraíso fiscal' gigantesco; as restrições da liberdade de circulação e de exercício de actividades profissionais de imigrantes provenientes da UE; isenção de taxas aduaneiras e fiscais na UE para bens de origem britânica, a fim de reduzir riscos de falências, e de deslocalização para o Continente Europeu, de produtores de bens e serviços... enfim, tudo isto, e muito mais, são temas complexos que integrarão o dossier de negociações que, à partida, define como o árduo, mas que May crê ser apenas no desenvolvimento processual, jamais para os cidadãos e o próprio Reino Unido como país.
As estatísticas de portugueses residentes portugueses, em 2015 e 2016, apontam para cerca de 250.000. Porém, duvido deste número, por insuficiente. Há quem admita ser muito mais elevado, contando com os emigrantes não registados e em trabalho precário. Seja quantos forem, os portugueses do Reino Unido têm razões de peso para se preocupar com o seu futuro nos territórios do velho aliado de Portugal. May prometeu aplicar às sociedades empregadoras de imigrantes taxas por cada imigrante que conste do seu pessoal. As apreensões são muitas, entre enfermeiros e muitos outros profissionais de nacionalidade portuguesa. Não o seriam tanto se Corbyn tivesse ganho.
O 'Brexit' foi a causa invocada para a convocação de eleições antecipadas. May sentiu-se impulsionada pela vantagem 20% de votos das sondagens, mas o tema eleitoral, face a atentados, trouxe o debate da segurança para primeiro plano. E Corbyn insistiu que ela, como Ministra do Interior com Cameron, foi responsável pela dispensa de 20.000 polícias. Aguarde-se, em suspense, o desenrolar do filme 'UK vs EU'.  




quinta-feira, 8 de junho de 2017

0 Daesh em Teerão

Trump e o emir do Qatar em 21-Maio-2017
O Daesh cometeu dois atentados em Teerão. Registaram-se, pelo menos, 12 mortes e 48 feridos. [Público].
O Irão, xiita e republicano, jamais havia sido alvo de actos de terrorismo do ISIS, ortodoxo movimento sunita, em linha, aliás, com o que sucede no autoritário e corrupto regime monárquico da Arábia Saudita.
Independentemente da mágoa e respeito devido às vítimas e familiares, o execrável acto deve ser objecto de reflexão na perspectiva do tempo e espaço em que ocorreu, bem como de algumas transformações e posições políticas registadas entretanto:

(a) o atentado ocorreu dezassete dias depois do começo da visita do tresloucado Donald Trump ao Médio Oriente; visita esta iniciada justamente na Arábia Saudita, país a que o presidente norte-americano vendeu armamento militar, no valor de 98 mil milhões de euros;
(b) dois a três dias antes do atentado, a comunicação social divulgou que 7 Estados islâmicos sunitas (Arábia Saudita, Barhein, Egipto, Emiratos Árabes Unidos, Líbia e Maldivas) decidiram cortar relações diplomáticas e económicas, incluindo ligações aéreas, com o vizinho Qatar - alegaram que o emir do pequeno país, Tamim bin Hamad al-Thani, financia a Irmandade Islâmica (Egipto) e o Estado Islâmico a que o Daesh está vinculado, acusando, ainda, o citado emir de cordialidade nas relações com o grande rival Irão, onde domina a corrente xiita; 
(d) o Golfo Pérsico é uma região geoestratégica crucial,  onde se concentram 56% das reservas mundiais de petróleo e gás natural e os interesses dos negócios são muito significativos, em especial para um empresário, do estilo de Trump, defensor da ideia de que os EUA, ou qualquer outro país, podem ser governados segundo o modelo de gestão empresarial - venda-se armas em abundância a sunitas, porque o objectivo é ter clientes e o dinheiro não é irreconciliável com o terrorismo;
(e) o Qatar, embora com um território de superfície reduzida, é,  em simultâneo, o maior produtor mundial de gás natural e o país onde, curiosamente, está instalada a mais importante base militar e aérea dos EUA no Golfo Pérsico. Dali, partem aviões para bombardear zonas ocupadas pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Todas as condições descritas, face ao atentado do Daesh em Teerão, levam à conclusão que, além do mentiroso da 'pós-verdade' e dos 'factos alternativos', Trump é, de facto, um tremendo irresponsável e um perigoso 'líder' de uma potência, EUA, ameaçando a paz no mundo. 
O terrorismo, na visão perversa de Donald Trump, tem a inspiração dos diabólicos xiitas, à frente dos quais está o Irão. Combater o acordo contra a proliferação de armas nucleares subscrito por Obama e o Irão é, para ele, prioritário, sobrepondo, assim, os interesses da venda de armas  e as relações com o ignóbil reino saudita à paz no mundo. O Daesh desmentiu-o categoricamente.
A reivindicação por 'hackers' russos de que foram eles os criadores, no ciberespaço, de falsas declarações do emir Qatar junta-se às erráticas posições de Trump. Todavia, é de notar também que, no espaço cibernáutico, é habitual se intersectarem e conjugarem actividades de 'hackers' do país de Putin com interesses políticos de Donald. Tudo começou, lembre-se, no combate eleitoral de Trump com Hillary Clinton, e que ainda se encontra sob investigação do FBI. O envolvimento do genro, Jared Kushner e de outros membros e ex-membros da Casa Branca, também consta do processo de investigação.



quarta-feira, 7 de junho de 2017

Nada de brincadeiras com o electrizante Catroga

Catroga não é para brincadeiras! Rubicundo, quando se trata de dinheiro o homem entra em ciclos de picos eléctricos e até à distância  dá choque.
Electrizado e electrizante, a propósito do alegado processo de corrupção de António Mexia e Manso Preto na EDP, Catroga foi, como sempre, bravo e branco, ameaçando:
"Alguns accionistas da empresa [entre estes os amigos chineses da Tree Gorges] admitem avançar com queixa contra os autores da denúncia anónima." [Público].
Quando o veterano ex-ministro, negociador do 'memorando da troika', vem a público com ameaças deste tipo, alguém que está dele cansado e, por vezes, o vê à sexta-feira, após o almoço, a descer a Rua Garrett, disse-me: 
"É urgente que Eduardo Catroga se retire de vez e vá para a Quinta da Coelha, dar umas passeatas com o amigo e vizinho Cavaco."
Eu também digo: "deixe-nos em paz Catroga!, já bastam as contas das rendas da EDP que temos de pagar."
  


Queixa do Sporting à ERC da RTP? Até o burro ri

O futebol, para mim, é coisa do passado. A imundice transbordante das tigelas do 'pontapé na bola', os comilões que se sentam à mesa a chafurdar nas pitanças da bola até ao arroto, os milhões e mais milhões que matariam a fome a tanta criança que dela morre; tudo isto, e ainda as horas e mais horas de desordeiros, advogados ou 'futeboleiros', nas TV's, expulsaram-me do futebol. Obrigado.
Na realidade, é atitude própria de gente desmiolada, esta do Sporting ameaçar queixar-se da RTP à ERC, pelo facto de, perante o prolongamento de um jogo de futebol feminino (masculino que fosse), a estação televisiva estatal ter preferido transmitir o concerto 'One love Manchester'.
'One love Manchester', com Ariana Grande e mais de uma dúzia de outros cantores e músicos famosos, realizou-se em homenagem e benefício das vítimas do ataque terrorista que matou 22 pessoas, muitas jovens, e feriu cerca de 5 dezenas de outros espectadores e famílias. O concerto, cuja receita proporcionada por 50 mil assistentes e direitos televisivos se destinou às vítimas e famílias, foi transmitido em directo para inúmeros países.  
Queixem-se, então, da RTP à ERC, da 'Fox News' ao Trump, da TV turca ao Ergodan, da BBC ao Palácio de Buckingham... enfim, dêem a volta ao mundo a queixar-se. Até o burro ri! 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Grã-Bretanha: fragilidade do sistema judicial no combate ao terrorismo

O terrorismo do Estado Islâmico (EI) é um repto sério, sabemos, lançado a sociedades e governos, em especial na Europa. Todavia, o caso da Grã-Bretanha merece ser analisado especificamente. Trata-se de um país cujo território tem sido fértil no recrutamento de radicais para as hostes do EI, onde as leis de vigilância dos serviços policiais e de segurança são fortes, mas o controlo judicial é deveras débil.
O caso de Anjem Choudary é sintomático quanto à permissividade do sistema judicial britânico. Anos a fio, este advogado, nascido próximo de Londres e muçulmano, envolveu-se, de forma pública e ostensiva, em actos e acções favoráveis ao EI e Al-Qaeda. Porém, somente em 2016, foi condenado a prisão por apoio activo ao ISIS, incluindo o recrutamento de jovens ‘jiadhistas’ para a Síria e o Iraque.
Diversos estudiosos, embora abordem outras causas, argumentam que a falta de legislação adequada é favorecida pelo facto de não haver, na Grã-Bretanha, uma Constituição escrita – a Alemanha e os EUA, por exemplo, dispõem de textos constitucionais que definem os extremistas como aqueles que se opõem aos preceitos da Constituição e esses países têm legislação decorrente deste princípio.
Na síntese da visão do sistema judicial britânico, analistas competentes enfatizam o facto dos políticos, incluindo a actual PM, Theresa May, citarem os “valores britânicos” como o oposto do terrorismo. Trata-se, como é óbvio, de uma forma muito abstracta, não materializada em instrumentos legislativos, que descura o tratamento judicial eficaz do activismo obstinado e adverso de fanáticos fundamentalistas do EI. 
Crêem os políticos e legisladores da Grã-Bretanha que, uma vez assumidos os “valores britânicos”, os cidadãos, na vida comunitária, cumprem as regras da amizade, da tolerância, da educação e da cordialidade. “Não é assim,” dizem os críticos. De facto, se se atentar na imagem de um dos terroristas da London Bridge, Khuram Butt, a desfraldar impunemente a bandeira do ISIS num jardim público, parece-me que, sem dúvida, os críticos têm razão.
Outro óbice à actuação sobre os extremistas islâmicos encontra-se na resistência das tecnológicas de Silicon Valley ao acesso, por serviços secretos nacionais, às mensagens encriptadas das redes terroristas. Mas este obstáculo não se levanta apenas à Grã-Bretanha. Todos os países se confrontam com o problema, havendo uns menos e outros mais activos em comprometer as tecnológicas, nomeadamente o Facebook e Twitter, com a permissão de acesso das ‘secretas’. Creio que a regulação destas redes e da Internet tem de ser objecto de pacto por um número significativo de Estados, ainda que tenha custos para a privacidade de milhões e milhões de utilizadores individuais. É uma opção. Há que debate-la até à exaustão, para defender da morte ou de graves lesões aqueles que um dia podem estar a assistir um concerto ou a divertir-se num local de Paris ou Londres; chame-se este ‘Bataclan’ ou ‘Borough Market’ – sem esquecer o massacre do ‘Charlie Hebdo’.         

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Despacito (Devagarinho)


Segundo o 'Público', desde os tempos de La Bamba, há 30 anos, que uma canção em castelhano ou noutra língua que não o inglês ocupava o 1.º lugar da Billboard nos EUA, na tabela que engloba as 100 músicas mais populares da semana.
A canção, líder da citada classificação, chama-se 'Despacito' (devagarinho) é interpretada pelo porto-riquenho Luis Fonsi, com a participação de Daddy Yankee e Justin Bieber - este último teve presente ontem no 'One love Manchester'.
Fui ao 'Youtube', ouvi e gostei. Resolvi publicá-la no meu blogue, para memória futura.

One love Manchester (and peace everywhere)

One love refere-se ao amor universal e ao respeito de toda a gente por toda a gente, independentemente da origem, credo e da cor de pele
(Urban Dictionary)

Contado o tempo no momento em que começo a escrever, há pouco mais de duas horas, Ariana Grande, como o vídeo revela, terminou emocionada o concerto 'One love Manchester', com a participação de outros intérpretes. Destes, destaco Robbie Williams de quem sou fã incondicional.
O espectáculo teve uma assistência de 50 mil pessoas. Realizou-se em homenagem e a favor das vítimas e/ou famílias destas, do ataque perpetrado pelo terrorista líbio Salman Abedi.
Dramaticamente, o concerto de Manchester findou a hora próxima de, na véspera, Sábado, o terror ter saído, de novo, às ruas, mas na cidade de Londres - London Bridge e Borough Market. Os três terroristas foram mortos; mas, não partiram sozinhos. Roubaram a vida a 7 cidadãos e feriram cerca de meia centena de outros, mulheres e homens; destes, 21 encontram-se internados em estado crítico, segundo notícias recentes.
Nos dois atentados, o Daesh vangloria-se do patrocínio da barbaridade. Mais uma das muitas que os militantes do ISIS têm executado em solo europeu e também noutros territórios - Afeganistão, Iraque e Síria tem sido cenários frequentes de terror e morte.
O que é que os países ocidentais podem fazer de eficaz para destruir ISIS e os seus 'lobos solitários'? Sinceramente, não sei. Estou convicto, sim, daquilo que os líderes de alguns dos países não poderiam ter realizado. Alguns exemplos: 
  • a invasão do Iraque ordenada por George W. Bush; 
  • a 'primavera árabe' suportada por Obama, Cameron e Sarkozy que, sobretudo na Líbia, teve como objectivo a protecção dos interesses da ExxonMobil, BP e Elf Aquitaine e outras petrolíferas internacionais e não os direitos e a liberdade do povo líbio - hoje a Líbia é um centro de treino e planeamento de actos terroristas do Estado Islâmico;
  • a venda de armas, no valor de 98 mil milhões de euros, pelo louco Trump à sunita Arábia Saudita - as relações do reino corrupto, autoritário e ultra-misógino saudita com grupos terroristas, Al-Qaeda e Daesh, deixa suspeitas em muitos analistas de política internacional.
Eis três situações reais que facilitaram e facilitam o nascimento e desenvolvimento do ISIS / Daesh. Concretamente, em relação ao Iraque (Mossul) e Síria (Raqqa), os radicais wahhabistas, ortodoxos sunitas, detêm territórios sob o comando do auto-proclamado califa do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi. 
Como se financia o ISIS? Calcula-se que na exploração e venda de petróleo dos territórios que domina. As vendas, no mercado negro, rendem entre 1 e 3 milhões de dólares por dia. A esta receita somam-se taxas extorquidas a populações das áreas ocupadas e elevados resgates pela libertação de jornalistas e outros cidadãos ocidentais raptados. 
O monstro está criado. Agora resta descobrir a forma de o aniquilar. Como? Não sei.