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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ricardo Salgado e a lembrança de dois 'posts' de Fev. de 2013

O megaprocesso 'Operação Marquês', divulgado esta semana pelo MP, trouxe-me à memória este 'post', intitulado 'O Sagrado Sal do Espírito Santo (BES)' e publicado em Fevereiro de 2013 - a detenção de José Sócrates ocorreu em Novembro de 2014, cerca de um ano e nove meses depois.
O conteúdo do 'post', porque muito crítico da conduta de Ricardo Salgado, como banqueiro, gestor do BES e do GES, cidadão e contribuinte, serviu de pretexto para um tal Paulo Padrão, então director de comunicação do BES, me ter convocado para um encontro, com o objectivo de me agredir fisicamente. Até que ponto executaria a agressão não sei. Porque mo disse, apenas estou certo de que queria usar violência . 
Esclareço que o referido indivíduo, tido por 'apadrinhado' por Eduardo Catroga no ingresso no BES, se serviu de um amigo meu para obter de forma tortuosa o meu número de telemóvel.
Em relação ao acto de ameaça de que fui alvo, contei com a solidariedade de vários amigos, em especial de autores do blogue 'Aventar', no qual escrevi. Entre estes, destaco o Ricardo Pinto, que, de forma activa e deste modo, fez a minha defesa no 'Aventar'.
O triste caso veio-me à memória, por força da quantidade de jornalistas e comentadores que, agora e uma vez publicitado o megaprocesso em causa, são ferozes críticos de Ricardo Salgado. À época do meu texto, apenas Nicolau Santos do 'Expresso' condenava o BES e em especial Paulo Padrão. Os outros nem piavam (esta foi a primeira vez que Cavaco Silva me foi útil na vida).    

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

José Miguel Tavares, o maledicente provinciano

José Miguel Tavares é um comunicador difícil de qualificar. O rapazinho, à partida, parece-me bipolar. Umas vezes tenta fazer humor na TVI, naquilo a que chamo 'os 'Parodiantes de Lisboa' da era moderna - os 'Parodiantes de Lisboa' foram um ícone dos antigos programas populares de rádio; em outras ocasiões, está mal-humorado e desata a desancar em estilo esquizofrénico nos políticos de esquerda. 
Com efeito, o 'fulaninho' é de direita, o que em princípio é democraticamente aceitável; mas, não está isento de ser criticado, sobretudo quando procura o sistema do ataque pessoal no lugar de formular análises objectivas que, como sabemos, privilegiam temas precisos. De política; neste caso, poderia criticar o programa do PS, se é que o leu, apontando-lhe falhas e fragilidades. Trabalha para um jornal dito de referência. 
À partida devo declarar não ser militante nem do PS nem de qualquer outro partido. E quanto a Sócrates, que tanto perturba a massa encefálica do Tavares, jamais fui um admirador do estilo e tenho provas públicas do meu distanciamento. 
Por sua vez, à semelhança dos cada vez menos cidadãos que se interessam por política, anseio que o processo avance rapidamente. Somente o Ministério Público sabe o que será o teor da acusação, nada me surpreendendo que José Sócrates e os outros envolvidos no processo venham a ser julgados e condenados. Até lá, devem ser considerados inocentes.
O que penso do caso Sócrates, porém, não me concede o direito, a mim ou ao maledicente Tavares, de vir a público ofender e denegrir terceiras pessoas, ou seja,  ministros e secretários de Estado do governo de António Costa, hoje empossado. 
José Miguel Tavares, primeiro recorre ao título 'José Sócrates nunca existiu' e daí parte para hostilizar ex-ministros socialistas que se juntaram a António Costa - Augusto de Santos Silva e Vieira da Silva - e nem poupa outros próximos do ex-secretário geral do PS, José Sócrates, casos de João Soares e em especial Capoulas Santos.  
Mas de tudo, mesmo de tudo o que o Tavares escreve, o que considero mais ignóbil e ofensivo é a referência à Ministra Francisca Van Dunem. É impossível não existir por detrás das palavras um certo sentimento racista. Ao escrever:
"E porque me lembro disto tudo, estou até receoso que a nomeação de Francisca Van Dunem para ministra da Justiça, interpretada por alguns comentadores como um reforço da autoridade do Ministério Público junto do governo, tenha sido antes uma escolha de António Costa com o objectivo de vigiar de perto a actividade da Procuradoria numa era dominada por vários processos com profundas implicações políticas. Tendo em conta o currículo do PS no domínio da justiça desde os tempos da Casa Pia, ninguém pode dormir descansado. Mas se a qualidade da nomeação de Van Dunem é ainda incerta, isto, pelo menos, já temos como certo: António Costa não retirou qualquer ilação política nem do desastre de 2011, nem da detenção de 2014."
Tavares nem se dá conta de, em primeiro lugar, estar a lançar suspeitas sobre a nova Ministra da Justiça, e igualmente sobre todo o Ministério Público, porque o entende maleável, na totalidade, a interesses e influências partidárias. De Certeza, não leu no seu jornal, o 'Público', esta peça significativa e justamente elogiosa  para Francisca Van Dunem que, em futuro não muito longínquo, poderá vir a ser Juíza Conselheira do Supremo Tribunal de Justiça.
Tavares, temos de nos resignar, é um provinciano. E mesmo nessa acepção existem diferenças. Os que têm o culto do provincianismo mesclado de cosmopolitismo são os mais incomodativos e, nesta particular situação, a uma besta portalegrense não se pode exigir a performance de um cavalo de Alter do Chão. Conclusão minha.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Notícias para distrair

Nada, na comunicação social, poderá ser mais vantajoso, no presente, ao governo de Passos Coelho do que publicar notícias das maldades de Sócrates, ou mesmo dos seus familiares. O 'Correio da Manhã', o conhecido pasquim dos escândalos, noticia hoje que, por denúncia do nazi Mário Machado, o Ministério Público está a investigar contas em 'off-shores' existentes desde há 30 anos, dos familiares do ex-PM. O Jornal "i", na mesma onda, refere e amplia a notícia do CM.
Trata-se, pois, de um género de notícias, cujos conteúdos e a formatação me deixam dúvidas quanto à seriedade e objectivos de quem as produz e deixa publicar.
Com efeito, se as faltas foram cometidas há 30 anos, significa que remontam a 1981, sensivelmente. Nessa ocasião, Sócrates tinha cerca de 24 anos de idade e estudaria possivelmente em Coimbra. De todo, não exercia funções políticas em instituições dos poderes central, regional ou local. Até poderia suceder que ainda militasse na JSD, facto, aliás, enaltecido por Miguel Relvas em 2004.
Segundo se entende, não Sócrates, mas sim familiares não identificados é que estão envolvidos no caso. Haverá naturalmente que investigar os actos cometidos por esses familiares, mas a maior responsabilidade de alegadas ilegalidades terem ocorrido há 30 anos sem qualquer investigação e eventual punição é, de facto, do SISTEMA DE JUSTIÇA PORTUGUÊS. Que precisamente nos últimos 30 anos tem usado redes de várias malhas para, segundo o tipo de peixe miúdo ou graúdo visado, deixar em liberdade este último nos 'habitats' naturais das fraudes, dolos e outros crimes contra os interesses do País e dos portugueses (BPN e BPP, por exemplo).
(OBSERVAÇÃO: O teor deste 'post' não impede o juízo bastante crítico que faço do desempenho de José Sócrates e que, por diversas vezes, manifestei neste meu blogue. A crítica política não é uma espécie de terra do vale tudo, até o recurso a métodos pidescos. Não queiram, há maneira da arrastada argumentação da longa noite fascista, recorrer à figura de Sócrates para distrair os portugueses das nefastas políticas do governo de Passos Coelho, cujo objectivo central é castigar-nos para além do que a 'troika' exige e que já é muito.)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Comentários execráveis

O último mês da vida de José Sócrates, muito aparte da luta político-partidária, foi dramático. Pai e o único irmão que lhe restava faleceram. O sofrimento do ex-primeiro-ministro, que quase sempre contestei, merece-me o maior respeito. A discordância política, a não ser que se trate um facínora do tipo de Hitler, de Salazar, de Pinochet ou de outro do género, não deve ser impregnada do ódio expresso nestes dois comentários execráveis, no jornal "i":
Vítor Guerra:
"Falta o tiro no porta-aviões..."(sic)
Fenix Fenixx:
"Já ouviram dizer que tudo se paga neste mundo...pois então!”(sic)
Não me venham com o argumento de serem casos isolados. Já li outros semelhantes. E não se justifiquem também com a tese de se tratarem de loucos. São sim gente ignóbil, incapaz de aceitar a vivência democrática e de prescindir do espírito rancoroso com que se conduz na vida. Infelizmente, a sociedade actual contém cada vez mais estes espécimes espúrios e aberrantes.
ADENDA: Entretanto, o Jornal "i" decidiu remover os comentários denunciados. Louvável.