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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Nada de brincadeiras com o electrizante Catroga

Catroga não é para brincadeiras! Rubicundo, quando se trata de dinheiro o homem entra em ciclos de picos eléctricos e até à distância  dá choque.
Electrizado e electrizante, a propósito do alegado processo de corrupção de António Mexia e Manso Preto na EDP, Catroga foi, como sempre, bravo e branco, ameaçando:
"Alguns accionistas da empresa [entre estes os amigos chineses da Tree Gorges] admitem avançar com queixa contra os autores da denúncia anónima." [Público].
Quando o veterano ex-ministro, negociador do 'memorando da troika', vem a público com ameaças deste tipo, alguém que está dele cansado e, por vezes, o vê à sexta-feira, após o almoço, a descer a Rua Garrett, disse-me: 
"É urgente que Eduardo Catroga se retire de vez e vá para a Quinta da Coelha, dar umas passeatas com o amigo e vizinho Cavaco."
Eu também digo: "deixe-nos em paz Catroga!, já bastam as contas das rendas da EDP que temos de pagar."
  


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

José Miguel Tavares, o maledicente provinciano

José Miguel Tavares é um comunicador difícil de qualificar. O rapazinho, à partida, parece-me bipolar. Umas vezes tenta fazer humor na TVI, naquilo a que chamo 'os 'Parodiantes de Lisboa' da era moderna - os 'Parodiantes de Lisboa' foram um ícone dos antigos programas populares de rádio; em outras ocasiões, está mal-humorado e desata a desancar em estilo esquizofrénico nos políticos de esquerda. 
Com efeito, o 'fulaninho' é de direita, o que em princípio é democraticamente aceitável; mas, não está isento de ser criticado, sobretudo quando procura o sistema do ataque pessoal no lugar de formular análises objectivas que, como sabemos, privilegiam temas precisos. De política; neste caso, poderia criticar o programa do PS, se é que o leu, apontando-lhe falhas e fragilidades. Trabalha para um jornal dito de referência. 
À partida devo declarar não ser militante nem do PS nem de qualquer outro partido. E quanto a Sócrates, que tanto perturba a massa encefálica do Tavares, jamais fui um admirador do estilo e tenho provas públicas do meu distanciamento. 
Por sua vez, à semelhança dos cada vez menos cidadãos que se interessam por política, anseio que o processo avance rapidamente. Somente o Ministério Público sabe o que será o teor da acusação, nada me surpreendendo que José Sócrates e os outros envolvidos no processo venham a ser julgados e condenados. Até lá, devem ser considerados inocentes.
O que penso do caso Sócrates, porém, não me concede o direito, a mim ou ao maledicente Tavares, de vir a público ofender e denegrir terceiras pessoas, ou seja,  ministros e secretários de Estado do governo de António Costa, hoje empossado. 
José Miguel Tavares, primeiro recorre ao título 'José Sócrates nunca existiu' e daí parte para hostilizar ex-ministros socialistas que se juntaram a António Costa - Augusto de Santos Silva e Vieira da Silva - e nem poupa outros próximos do ex-secretário geral do PS, José Sócrates, casos de João Soares e em especial Capoulas Santos.  
Mas de tudo, mesmo de tudo o que o Tavares escreve, o que considero mais ignóbil e ofensivo é a referência à Ministra Francisca Van Dunem. É impossível não existir por detrás das palavras um certo sentimento racista. Ao escrever:
"E porque me lembro disto tudo, estou até receoso que a nomeação de Francisca Van Dunem para ministra da Justiça, interpretada por alguns comentadores como um reforço da autoridade do Ministério Público junto do governo, tenha sido antes uma escolha de António Costa com o objectivo de vigiar de perto a actividade da Procuradoria numa era dominada por vários processos com profundas implicações políticas. Tendo em conta o currículo do PS no domínio da justiça desde os tempos da Casa Pia, ninguém pode dormir descansado. Mas se a qualidade da nomeação de Van Dunem é ainda incerta, isto, pelo menos, já temos como certo: António Costa não retirou qualquer ilação política nem do desastre de 2011, nem da detenção de 2014."
Tavares nem se dá conta de, em primeiro lugar, estar a lançar suspeitas sobre a nova Ministra da Justiça, e igualmente sobre todo o Ministério Público, porque o entende maleável, na totalidade, a interesses e influências partidárias. De Certeza, não leu no seu jornal, o 'Público', esta peça significativa e justamente elogiosa  para Francisca Van Dunem que, em futuro não muito longínquo, poderá vir a ser Juíza Conselheira do Supremo Tribunal de Justiça.
Tavares, temos de nos resignar, é um provinciano. E mesmo nessa acepção existem diferenças. Os que têm o culto do provincianismo mesclado de cosmopolitismo são os mais incomodativos e, nesta particular situação, a uma besta portalegrense não se pode exigir a performance de um cavalo de Alter do Chão. Conclusão minha.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Portas “o comprador” testemunha da compra dos submarinos

Notícia do ‘Público’, em título:
O homem nasceu para servir a Marinha. Atente-se nas alegorias (“as exportações são o porta-aviões da recuperação”) e em actos da governação (compra de submarinos como Ministro da Defesa no governo de Durão Barroso).
Marinheiro virtual mas devoto, amante da farda e dos galões, é em tempestuosas e turvas águas que tem o dom de flutuar em mar chão, vencendo intempéries políticas e de outras espécies complexas, por mais adversas que sejam. 
Todavia, na viagem do ‘negócio dos submarinos’, que já teve condenados na Alemanha e na Grécia, um dos dois decisores da compra do equipamento à Ferrostal, justamente Portas, vê-se afrontado pelo Ministério Público como testemunha no nebuloso processo.
Ouça-se a frontal Ana Gomes e ajuíze-se se o estatuto de testemunha reflecte com rigor o papel de Portas em mais um processo judicial aparentemente enviesado que, como outros, a “justiça portuguesa”, presumo, fará aportar na "inocência" dos mais poderosos:     



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A justiça portuguesa, a preguiça e os interesses dominantes

A justiça portuguesa funciona em ritmo lento. Tão lento, tão lento que, na maioria  de fraudes e crimes de ‘colarinho branco’, estagna, senta-se e descansa durante longo tempo – isto, complementado por labirínticos percursos dos recursos que dilatam os processos até às trevas da impunidade. O caso ‘Isaltino’ é apenas um de muitos exemplos.
O formato e desfecho de investigações e julgamentos parecem absurdos. Mas, deixam de o ser, se analisado em função do estatuto dos arguidos.
Qual será a razão fundamental para sustentar a lógica do Ministério Público ter necessitado de dois anos (!) – processo iniciado em Fevereiro de 2010 – para deduzir acusação contra “João Rendeiro, Fezas Vital e Paulo Guichard, ex-administradores do Banco Privado Português (BPP), pela prática do crime de burla qualificada, em co-autoria.” O erário público, com o BPP, teve um custo de 400 M de euros, no mínimo.
A acusação prende-se com ilícitos praticados ao abrigo da ‘Privados Financeiros’, constituída em 2008, para espoliar a clientes do BPP um montante de 41 milhões.
O objectivo do projecto, utilizando um esquema espúrio, era aplicar o dinheiro na compra de acções do BCP – agora valorizadas à volta de 10 cêntimos e que, na altura, estavam cotadas a mais de 2 euros.
Justificar-se-á uma demora do MP de dois anos para concluir o processo? Talvez, mas apenas por motivos de ineficiência; ineficiência esta que, a partir de agora, se prolongará no tempo pelos tribunais.
Noutra frente, a TIAC – Transparência e Integridade Acção Cívica denuncia que o combate à corrupção não tem tido progressos, não cumprindo parte substancial das 13 recomendações do Grupo de Estados Contra a Corrupção do Conselho Europeu.
A respeito deste último caso, a Ministra Paula Teixeira da Cruz alega ser falsa a denúncia da TIAC. Sem outra motivação que não seja a verdade, entendo que, mais do que do lado da ministra, a credibilidade é um activo da TIAC. Os argumentos de Paula Teixeira da Cruz não são convincentes.
  
 
 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

How are you Artur?

grémio literário
Salão do Grémio Literário, Lisboa
Como estás Artur? Desde aquele noite em que foste brilhante prelector no Grémio Literário que não nos encontramos. Foste muito além, bastante mesmo, das expectativas que a Anne Taylor causou na assistência ao apresentar-te.
Tive o privilégio de ouvir a dissertação sobre o trabalho que tu e restantes elementos da equipa estavam a fazer para a ONU.
Dias depois, quando cheguei a casa e me disseram das intervenções do ‘Expresso da Meia-Noite’, lamentei não ter estado a tempo de apanhar esse combóio. Eu que mal te conhecia, do café onde às vezes também tomavas a bica e dissertavas. Todos te tratavam com a deferência devido a um ilustre professor catedrático, que eu também estava convencido que eras.
Agora Artur, e apenas curiosidade, gostaria de saber se estás muito preocupado com o processo do Ministério Público (DIAP). A Dra. Morgado é muito empenhada na acção processual, mas o ‘sistema de justiça português’ é lento. Para alguns fulanos, políticos e experimentados em golpadas, nem sequer se enlerda – pura e simplesmente não consegue mover-se.
Além de tudo, condenações, penas e prisões fazem parte do curriculum das tuas experimentações. Tenho confiança em ti, mesmo forçado a conviver com prisioneiros comuns, afastado das “trutas” do BPN, do BPP, da ‘Face Oculta’, do ‘Monte Branco’, dos jogadores do ‘Insider Trading’. Esses, meu amigo, safam-se sempre e quem paga conta é cá o “Zé”.