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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nuno Crato: a tradição é lei

 
O putativo Nuno Crato, sábio na exploração das vicissitudes da vida pública, alega que "contratos de um mês sempre existiram na Educação". A existência, porque histórica, não importa se é injusta, irracional ou desumana; as tradições não se discutem, prolongam-se. Mesmo que delas resultem sofrimentos humanos – é um princípio tauromáquico. Que importam as dificuldades e insegurança que impendem sobre os contratados? Do ponto de vista do ideário neoliberal e anti-social, a que Crato acabou por aderir, nada. Absolutamente nada.
Tem-se de compreender que Nuno Crato, perto de Manuel Alegre em 2006 e presidente da controversa Taguspark no tempo de Sócrates, soube com precisão e sucesso desempenhar o papel de camaleão. Ontem com Sócrates, hoje com Coelho. Ou melhor, os benefícios financeiros pessoais foram calculados friamente por um homem da ciência matemática. Os teoremas, de Tales de Mileto a Leibniz, serviram-lhe de suporte às ambições carreiristas. Sempre matematicamente correcto, por caminhos social e politicamente condenáveis.
Com os "tachos" acumulados ao longo do tempo, entre os quais o de Ministro do governo Passos Coelho, Crato, a prazo, ficará registado na história da política portuguesa como um oportunista sem seriedade, nem vergonha. Metaforicamente mais um réptil, entre a bicharada rastejante que saca e enche os bolsos, com a hipocrisia de servir (-se) (d) os cidadãos. É desta m…. que eu e muitos mais estamos saturados.
(ADENDA: Entretanto Crato, em sintonia com a elasticidade da plasticina, acabou por afirmar que, afinal!, o ministério não vai contratar professores ao mês. Dentro de meia-hora, ou de algum tempo mais, é natural que haja outras notícias da parte do ministro. É muito volátil e as novidades surgem á velocidade da equação da energia E = m.c2)



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Notícias para distrair

Nada, na comunicação social, poderá ser mais vantajoso, no presente, ao governo de Passos Coelho do que publicar notícias das maldades de Sócrates, ou mesmo dos seus familiares. O 'Correio da Manhã', o conhecido pasquim dos escândalos, noticia hoje que, por denúncia do nazi Mário Machado, o Ministério Público está a investigar contas em 'off-shores' existentes desde há 30 anos, dos familiares do ex-PM. O Jornal "i", na mesma onda, refere e amplia a notícia do CM.
Trata-se, pois, de um género de notícias, cujos conteúdos e a formatação me deixam dúvidas quanto à seriedade e objectivos de quem as produz e deixa publicar.
Com efeito, se as faltas foram cometidas há 30 anos, significa que remontam a 1981, sensivelmente. Nessa ocasião, Sócrates tinha cerca de 24 anos de idade e estudaria possivelmente em Coimbra. De todo, não exercia funções políticas em instituições dos poderes central, regional ou local. Até poderia suceder que ainda militasse na JSD, facto, aliás, enaltecido por Miguel Relvas em 2004.
Segundo se entende, não Sócrates, mas sim familiares não identificados é que estão envolvidos no caso. Haverá naturalmente que investigar os actos cometidos por esses familiares, mas a maior responsabilidade de alegadas ilegalidades terem ocorrido há 30 anos sem qualquer investigação e eventual punição é, de facto, do SISTEMA DE JUSTIÇA PORTUGUÊS. Que precisamente nos últimos 30 anos tem usado redes de várias malhas para, segundo o tipo de peixe miúdo ou graúdo visado, deixar em liberdade este último nos 'habitats' naturais das fraudes, dolos e outros crimes contra os interesses do País e dos portugueses (BPN e BPP, por exemplo).
(OBSERVAÇÃO: O teor deste 'post' não impede o juízo bastante crítico que faço do desempenho de José Sócrates e que, por diversas vezes, manifestei neste meu blogue. A crítica política não é uma espécie de terra do vale tudo, até o recurso a métodos pidescos. Não queiram, há maneira da arrastada argumentação da longa noite fascista, recorrer à figura de Sócrates para distrair os portugueses das nefastas políticas do governo de Passos Coelho, cujo objectivo central é castigar-nos para além do que a 'troika' exige e que já é muito.)