Porque hoje é um dia triste, escolhi 'A Felicidade' de António Carlos Jobim (música) e Vinicius de Moraes (poema). Uma melodia e uns versos simples e apropriados ao meu estado de espírito.
Um episódio da minha vida pessoal, esta semana, fez-me pensar em 'Saudade', composição de João Gil, cantada por Luís Represas, ambos integrados no grupo 'Trovante'. A letra diz "Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado." Eu não tive. Serve-me de consolação ouvir a melodia e ter em atenção a letra.
Um sopro de música para o fim-de-semana. Desta vez, a 'Marcha Turca' de Mozart interpretada de forma irreverente, e portanto nada ortodoxa, pelo quarteto feminino Amadeus. Quatro jovens romenas que, através de instrumentos electrónicos, oferecem a descontracção e a alegria de uma bela melodia.
Orquestra, coro e grupo de dança da Companhia de Ópera de Filadélfia, em 2012, ofereceram, em sessão especial, a interpretação da mais popular das 24 peças musicais de 'Carmina Burana', de Carl Off. O cenário foi uma estação ferroviária de Filadélfia e o público gostou e participou.
As sessões de boa música em locais públicos constituem, de facto, iniciativas de promoção do gosto popular pela música de qualidade.
Espero sinceramente que a CML, este ano, volte a realizar no Largo de São Carlos os programas de orquestras e canto, do género daqueles que ofereceu ao público lisboeta e turistas em 2016. Levar a música à rua e fazê-la sair das tradicionais salas de concertos são acções essenciais para a difusão da cultura musical, captando outros públicos que não sejam apenas aqueles que frequentam aqueles espaços.
Entretanto, e porque o fim-de-semana chegou, veja-se e escute-se o vídeo acima publicado.
Estamos de fim-de-semana. Salte a música! Desta, seleccionei o Bolero de Ravel, de autoria de Maurice Ravel e interpretado pela primeira vez em 1928.
Escolhi uma das interpretações mais ligeiras e curtas. Uso-a como uma metáfora: é urgente unir pessoas de pensamento e ideologias de centro-esquerda e esquerda num movimento de objectivo único: acabar com esta criadagem germanófila que nos governa.
Sinto saudades de tempos idos que sou incapaz de decifrar. Esta amarga dor na alma jamais se me acalma. São águas passadas, mas quais? Nem sei se aquelas que, entre pedras e verdes musgos, saltitavam alegres e límpidas na ribeira, onde me divertia em criança. Ou de outras, agrestes, de enxurradas inclementes com que encharcado me alegrava ingenuamente, nas cinzentas tardes do regresso da escola.
Não sei o significado. E porque as sinto longe, longe, e me desassossegam o espírito, imploro que deixem de me inquietar, Uso como prece a doce melodia 'Chega de Saudade' do imortal Tom Jobim:
De todos os intérpretes a quem ouvi 'Summertime' de George Gershwin, a minha eleita é Ella Ftitzgerald:
Neste Verão, climaticamente incaracterístico e estranho, em que milhões de portugueses vivem as amarguras de uma sociedade prenhe de injustiça social, saibamos, ao menos, extrair algum prazer deste 'Summertime' idealista assim descrito no poema da canção:
Summertime And the livin' is easy Fish are jumpin' And the cotton is high Your daddy's rich And your mamma's good lookin' So hush little baby Don't you cry One of these mornings You're going to rise up singing Then you'll spread your wings And you'll take to the sky But till that morning There's a'nothing can harm you With daddy and mamma standing by Eis, pois, a minha escolha musical de fim-de-semana.
Eis o 'Desafinado' de Tom Jobim interpretado por João Gilberto:
Estamos em fim-de-semana e mesmos nós os 'desafinados' - cada vez somos mais - merecemos o hino que Jobim também escreveu com intenção de manifestar solidariedade a quem canta e dança a 'Bossa Nova' e deixa o lado escuro da vida, quando pode. Todos os 'desafinados' de que obviamente se excluem os 'salgados' e quem mais nos salga o dia-a-dia.
Um fim-de-semana muito, muito desafinado para quem merece!
Janis Joplin preferiu ser breve na vida. Viveu como ambicionou e a satisfez.
Partiu cedo, mas deixou para sempre este voz poderosa e imortal, não havendo assim tantas que a igualem. Tinha um disco dela à mão e não resisti à tentação de a relembrar. Espontaneamente.
Bernardo, já muitos escreveram e dissertaram bastante a teu respeito. Todavia, jamais expressaram tudo. É impossível. Nem neles, nem em mim há essa capacidade. Tu não és apenas passado. És presente e futuro.
Intemporal, partiste mas ficaste para sempre. Os sonhos dos outros e promessas, afinal também foram e são os teus. Continuarão, na infinidade do tempo, a expressar-se em sons das melodias por ti desenhadas sobre o teclado do piano, em ternos e harmoniosos gestos. O piano nunca ficará silencioso.
Adeus Bernardo! Sonhamos e prometemos sempre contigo, lado a lado.
Há dias assim. Hoje é um deles. Por momentos, liberto-me do mundo desumano que me esfarrapa a alma. E, então, revivo um tempo GOSTOSO DEMAIS, como metáfora em relação ao que mais adoro na vida. Que pena ser tão efémero.