quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Os incêndios das relações entre PR e Governo

Terminadas - por ora e oxalá que para sempre - as tragédias dos incêndios, seria de esperar que a comunicação social, pelo menos a parte que é tida como de referência, se empenhasse no debate público das recomendações do relatório da Comissão Técnica Independente (tragédia de Pedrogão), assim como na avaliação do conteúdo e da probabilidade de eficácia das medidas do Conselho de Ministro do passado Sábado.
Ontem, na SIC-N e hoje no ‘Público’, aqui e aqui, apercebi-me, sem dificuldade, que há profissionais de comunicação mais interessados em desempenhar o papel de incendiários das relações entre o PR e o Governo. Sem a necessidade de ser prestidigitador na manipulação de ideias, percebe-se que o objectivo fulcral do truque é apenas um: destroçar o Governo, a ‘geringonça’ e, naturalmente, a maioria parlamentar do PS, BE, PCP e Verdes. Para os escribas em causa, novas eleições são a saída ambicionada. Se possível para o início de 2018, com Santana Lopes ao leme do PSD. Até lá, o CDS de Cristas aguenta o barco da direita.
Na altura própria, em dois ‘posts’, condenei a incompetência da ex-Ministra da Administração Interna, assim como a co-responsabilização de António Costa nessa incompetência, de desastrosos resultados para o País.
Quanto a Marcelo, e também neste meu blogue, expressei que não sou admirador dos afectos do PR que, como sublinhei no devido momento, é uma personalidade volúvel.
De facto, dispenso os serviços de Marcelo Rebelo de Sousa ou de qualquer outro político em papéis de intermediários da partilha de dor e da solidariedade devida a vítimas de calamidades ou de pobreza extrema. Desde os tempos da escola primária (Escola 15 de Lisboa), eu e outros mais remediados – assim se designava à época – valíamos a companheiros que viviam em condições miseráveis, na então ‘Quinta dos Peixinhos’, junto do Convento de Santos-o-Novo. Segui a educação e a cultura do humanismo, tradicional nos meus antepassados. Não careci de ingressar na JUC-Juventude Universitária Católica para aprender a ser solidário. Vivi o tempo do salazarismo sem pai ministro ou alto funcionário do Estado.
Nesta hora de pós-tragédia, de um terço do País manchado de negro, o que é urgente é agilizar e cumprir, de forma célere, o processo de ajudas a famílias e actividades económicas atingidas pelos incêndios. O que os interesses primordiais do País dispensam são as divergências entre órgãos de soberania, alimentadas pela comunicação nacional, com o objectivo de servir apenas fracturantes e fracturadas ambições partidárias.