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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A catástrofe humanitária na Birmânia (Myanmar)

As imagens acima publicadas constituem, apenas, uma parcela, inferior a 25%, do vídeo que o “The New York Times” divulgou na edição desta 2.ª feira, sobre o que se passa em Myanmar. A repórter foi Hanna Beech. Revela ao mundo a violência dolorosa e mesmo lancinante na limpeza étnica executada sobre a população rohingya, residente no estado de Rakhine, na Birmânia, em zona fronteiriça com o Bangladesh.  
Na Birmânia, também conhecida como Myanmar, ocupa o cargo designado como Conselheira de Estado, mas equivalente a primeira-ministra, Aung San Suu Kyi, a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz em 1991, em reconhecimento pela luta empreendida justamente pelos direitos humanos, no seu país. Cumpriu 15 anos de prisão domiciliária.
Trata-se, pois, de uma suprema e repugnante ironia que uma mulher laureada com o Nobel da Paz permita que seja possível às forças armadas do país que lidera actuar com a barbaridade e a extensão próprias de um holocausto. Ao contrário do esperado, não estará presente na AG das Nações Unidas. Prometeu dar explicações sobre os acontecimentos dos brutais e numerosos crimes dos seus militares sobre a população rohingya, maioritariamente muçulmana.
António Guterres, secretário-geral da ONU, o Papa Francisco e o arcebispo Desmond Tutu, este, também laureado com o Prémio Nobel da Paz e agora apoiante desiludido de Aung San Suu Kyi, já imploraram junto da primeira-ministra birmanesa no sentido do fim da violência sobre os perseguidos que, aos milhares, estão em fuga, a caminho do Bangladesh.
Do que ela, San Suu Kyi, disser amanhã, nada valerá para salvar milhares de vidas ceifadas, bem como para recompor famílias de que apenas restaram crianças de 2, 3, 4, 5 ou poucos mais anos de idade; algumas delas com as mãos decepadas, como narrava Hanna Beech numa das suas peças no ‘NYT’. Resta, apenas, o assumir do compromisso de estancar imediatamente com os massacres da autoria das forças armadas birmanesas.
Os líderes dos países ocidentais, e em especial os europeus, têm de ser empenhados e eficazes junto da Birmânia para fazer cessar a carnificina sobre a população rohingya. Têm de tomar em conta que, no seio desta população de fé muçulmana, se criou uma força de combate, a ‘ARSA-Arakan Ruhingya Salvation Army’. Os seus membros, em processo de radicalização e de pré-disposição para serem mártires pela causa islâmica, estão a ser aliciados pela Al Qaeda e, porventura, outros grupos de radicais, como o Estado Islâmico (Daesh). Entre as repercussões destas mais do que hipotéticas fusões têm de contar-se os riscos para a segurança em várias sociedades no mundo, em particular as europeias.

sábado, 24 de dezembro de 2016

O provincianismo do Tavares, escriba do ‘Público’

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Tavares é de Portalegre. E Portalegre, claro, não tem culpa. Todavia, tem de reconhecer-se que, nas mais diversas localidades, há os filhos da terra que tanto podem manchar como prestigiar a cidade, vila ou aldeia onde vieram ao mundo. Exemplos muito claros: um indivíduo tanto pode associar Arouca a actos cometido por um cidadão da burguesia local, como em relação a outro de origem diferente, mesmo migrando para a capital, constatar que não logra dissociar-se do provincianismo que lhe está plasmado na pele e inculcado no cérebro, tornando-se promotor da má imagem da sua própria terra.
J. M. Tavares é daqueles jornalistas que, embora estudando em Lisboa, jamais se emancipou da tacanhez e do provincianismo. É de direita, opção que, no plano dos direitos humanos e da cidadania, qualquer democrata sério respeita.
No entanto, como jornalista que diz que é, deveria esforçar-se para se libertar do papel de provinciano, no estilo de intriga pessoal predominante nos artigos que publica no jornal ‘Público’. É incapaz de escrever sobre temas importantes e objectivos, acantonando-se na prosa subjectiva que visa sempre atingir ostensivamente alguém de esquerda.
A falta de imparcialidade de Tavares, desta vez, escolheu como visados Inês Pedrosa e António Guterres, ambos afectos ao PS.
O que leva Tavares a injuriar apoiantes da escritora? Não o facto de Inês Pedrosa estar a ser acusada pelo Ministério Público por abuso de poder na direcção da Casa de Fernando Pessoa; isto é já matéria de processo judicial em curso. Foi o facto de, em solidariedade com Inês, ter havido a iniciativa de 38 seus amigos do meio cultural subscreverem uma carta aberta em defesa da honra da escritora – entre os subscritores constam figuras destacadas da literatura e da música - Eduardo Lourenço, Tolentino Mendonça, Francisco José Viegas, Lídia Jorge e Sérgio Godinho, entre outros.
Em relação a António Guterres, considera igualmente crime que a AR tenha atribuído o prémio Direitos Humanos de 2016 ao novo Secretário-Geral da ONU (25.000 euros), o qual só poderia ser concedido a quem tivesse tido actividade numa ONG. Como esta condição não foi preenchida, e sem tomar em conta que António Guterres será o primeiro português a ocupar o mais alto cargo a nível da ONU, o juiz Tavares acusou a AR de acto de criminoso. Desvalorizou completamente o facto do homenageado ter passado de imediato, em minutos, o prémio a uma senhora de uma organização humanitária.
Quando um escriba de jornal inventa estes falsos crimes em relação a figuras de esquerda, nunca se empenhando em investigar por que razão outros processos judiciais que envolvem gente de direita estão paralisados (BPN, por exemplo), fica bem claro que, por doentio sectarismo, é incapaz de cumprir a missão de informar e opinar a preceito e com respeito pela deontologia da profissão. Tavares não consegue, de facto, ultrapassar a dimensão do provinciano, entretido com sarilhos que preenchem as conversas de café da pequenez de carácter.