Mostrar mensagens com a etiqueta João Miguel Tavares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Miguel Tavares. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Bocas do fogo

Sentir-me-ia mal comigo próprio se, antes do mais, não expressasse tristeza e dor causadas pela hedionda onda de incêndios, em três distritos do País (Castelo Branco, Coimbra e Leiria). Houve 64 vítimas mortais e é, acima de tudo, por estas, e famílias, que manifesto enorme mágoa.
O meu pai, enfermeiro psiquiátrico, foi bombeiro voluntário. Faleceu na minha adolescência. Desde então, na família ou entre amigos mais próximos, não conheci outro bombeiro. Dada a especialidade da profissão, era um homem sem conhecimentos de ataque a incêndios. Limitava-se a prestar assistência a vítimas de acidentes, fossem estes fogos ou de outro género - por exemplo, um acidente ferroviário em Vila Franca de Xira, onde passou uma noite inteira a cuidar de feridos e a encontrar mortos.
A alusão ao meu pai não é inócua. É feita por contraposição ao comandante da Liga dos Bombeiros, Mata Soares, que, por excesso de exposição e comunicações televisivas, é, a meu ver justamente, criticado por Raquel Varela (RV).
O ‘post’ de RV cita diversas declarações de Mata Soares, parte das quais também vi e ouvi. Mas, divergindo do conteúdo dessas declarações, Mata Soares ontem passou a argumentar que a origem do vasto incêndio não foi a trovoada, mas sim uma mão criminosa. Reforça o argumento com a possessiva afirmação “tenho para mim.” Tem para ele, acrescento eu, mas tem de partilhar explicação fundamentada perante a sociedade portuguesa, em especial aqueles que foram assolados pela tragédia.
À PJ, que, no dizer do Prof. Rui Pereira, foi demasiado lesta a divulgar a imagem de uma árvore visada pelo relâmpago como causa do vasto incêndio, competirá colher de Mata Soares o testemunho daquilo que ele diz que “tem para ele.” A catástrofe foi demasiado grave para servir de pretexto a presunções pessoais em termos de causas e de eventuais responsabilidades de quem cometeu o crime da ignição incendiária.
O que se passa com o presidente da Liga dos Bombeiros é idêntico ao que ocorre com um número elevadíssimo de comentadores e políticos de diversas tendências. São as “bocas do fogo.” Do PSD, que tem as mãos bastante sujas no SIRESP (veja-se este artigo do insuspeito João Miguel Tavares no ‘Público’), ouve-se diversas vozes a partidarizar a discussão de uma calamidade que, em geral e excepto para Mata Soares, teve origem em fenómeno meteorológico de gravidade e consequências extremas.
Seja de que partido for, e por consequência do próprio governo, não é legítimo e honesto usar o incêndio de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos, Góis e áreas geográficas conexas, como arma de arremesso ou de disputa político-partidária. Exige-se apenas a verdade e que sejam punidos os responsáveis, assim como o afastamento dos incompetentes na condução das operações.
Todavia, tome-se em consideração que as causas mais remotas e profundas se situam nas políticas que os partidos da governação, incluindo o PS, têm desenvolvido, ao longo de 4 décadas, no sentido da desertificação do interior, da limitação de culturas e criação de gado, e na arborização intensiva de eucaliptos.
Sou lisboeta, filho de lisboetas, com uma casa em aldeia do Alto Alentejo. Sou espectador activo do envelhecimento da população, da erosão dos solos e do abandono pelo Estado central, autarquias e própria GNR de gentes e terras do interior. É tudo isto que tem de mudar. Custe o que custar.    

terça-feira, 22 de abril de 2014

O 25 de Abril perturba os pobres Tavares

Sim, pobres de espírito e sem respeito pelo 25 de Abril, ambos são Tavares e ambos exalam descontentamento com a comemoração da histórica data. Um, veterana figura mediatizada, confessa na SIC ser adverso a comemorações:

Do estilo categórico da afirmação, depreende-se que jamais comemorou aniversários, seus e de outros, as vitórias do FCP no futebol, quanto mais, acrescento eu, rememorar a alegria do nobre acto de militares de 1974, extermínio do Estado Novo; sim, porque as comemorações é problema deles, como diria a Assunção Esteves. Que atitude mais infeliz a deste pobre Tavares rico.
Para azar nosso, um 'pobre Tavares' nunca está só. Então, outro do 'Público', de nome João Miguel, comediante também contratado pela TVI, nascido um ano antes do 25 de Abril, escreve como tivesse testemunhado com os próprios olhos episódios decisivos da 'Revolução dos Cravos'.
Homem sem experiência directa, serve-se da obra de Adelino Gomes para fazer um comentário não apenas hostil ao 25 de Abril, como ofensivo para o povo português que é, diz o inteligente, "chico-esperto, manhoso e campeão de improvisadores".
Este 'pobre Tavares', nitidamente mais pobre de ideias do que o primeiro, chega ao ponto de estabelecer comparações entre a mentalidade e o perfil dos portugueses e a personalidade-tipo dos norte-americanos, escrevendo:
"Se há coisa em que os norte-americanos são realmente bons é a criar heróis e memoriais. Toda a sua mitologia está assente na figura do homem normal que em momentos extraordinários se consegue superar a si próprio, seja ele Abraham Lincoln, Rocky Balboa ou Chesley Sullenberger, o comandante do avião que em Janeiro de 2009 conseguiu amarar nas águas geladas do rio Hudson, salvando todas as pessoas a bordo."
Tenho alguma relutância em chamar-lhe alarve; mas  não tenho dúvidas de que todo o seu artigo é uma enorme alarvidade. Conclui-se que, em seu entender, o cabo José Alves Costa deveria ter obedecido ao coronel Junqueiro dos Reis e disparado sobre a coluna de Salgueiro Maia.
O reaccionário Tavares do 'Público', empolgado pela "mitologia ianque', sentencia que Alves Costa é um anti-herói, assim como os portugueses no todo e desde sempre. Temos, portanto, de reinventar o Hino Nacional (Herois do Mar...), de negar a epopeia dos portugueses que Camões cantou nos 'Lusíadas' e os militares de Abril passam a ser classificados de manhosos. Sentença de alarve - não resisti!