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terça-feira, 22 de abril de 2014

O 25 de Abril perturba os pobres Tavares

Sim, pobres de espírito e sem respeito pelo 25 de Abril, ambos são Tavares e ambos exalam descontentamento com a comemoração da histórica data. Um, veterana figura mediatizada, confessa na SIC ser adverso a comemorações:

Do estilo categórico da afirmação, depreende-se que jamais comemorou aniversários, seus e de outros, as vitórias do FCP no futebol, quanto mais, acrescento eu, rememorar a alegria do nobre acto de militares de 1974, extermínio do Estado Novo; sim, porque as comemorações é problema deles, como diria a Assunção Esteves. Que atitude mais infeliz a deste pobre Tavares rico.
Para azar nosso, um 'pobre Tavares' nunca está só. Então, outro do 'Público', de nome João Miguel, comediante também contratado pela TVI, nascido um ano antes do 25 de Abril, escreve como tivesse testemunhado com os próprios olhos episódios decisivos da 'Revolução dos Cravos'.
Homem sem experiência directa, serve-se da obra de Adelino Gomes para fazer um comentário não apenas hostil ao 25 de Abril, como ofensivo para o povo português que é, diz o inteligente, "chico-esperto, manhoso e campeão de improvisadores".
Este 'pobre Tavares', nitidamente mais pobre de ideias do que o primeiro, chega ao ponto de estabelecer comparações entre a mentalidade e o perfil dos portugueses e a personalidade-tipo dos norte-americanos, escrevendo:
"Se há coisa em que os norte-americanos são realmente bons é a criar heróis e memoriais. Toda a sua mitologia está assente na figura do homem normal que em momentos extraordinários se consegue superar a si próprio, seja ele Abraham Lincoln, Rocky Balboa ou Chesley Sullenberger, o comandante do avião que em Janeiro de 2009 conseguiu amarar nas águas geladas do rio Hudson, salvando todas as pessoas a bordo."
Tenho alguma relutância em chamar-lhe alarve; mas  não tenho dúvidas de que todo o seu artigo é uma enorme alarvidade. Conclui-se que, em seu entender, o cabo José Alves Costa deveria ter obedecido ao coronel Junqueiro dos Reis e disparado sobre a coluna de Salgueiro Maia.
O reaccionário Tavares do 'Público', empolgado pela "mitologia ianque', sentencia que Alves Costa é um anti-herói, assim como os portugueses no todo e desde sempre. Temos, portanto, de reinventar o Hino Nacional (Herois do Mar...), de negar a epopeia dos portugueses que Camões cantou nos 'Lusíadas' e os militares de Abril passam a ser classificados de manhosos. Sentença de alarve - não resisti!  

quarta-feira, 19 de março de 2014

O País às ordens de um PM que premeia ilegalidades

No 40º aniversário de Abril de 1974, e da boca de um petulante intrujão que à data da revolução tinha dez anos e vivia em Angola, infiltrado no sistema político, como é possível ouvirem-se dislates e obscenidades sociais tão chocantes?
Estamos, de facto, a ser dirigidos por um PM pesporrente, de espírito verdadeiramente autocrático, a quem o Presidente da República consente – é o consenso – ataques baixos aos mais desprotegidos, os trabalhadores por conta de outrem, como se não bastasse a ignomínia de leis laborais mais flexíveis do que na China, segundo a opinião da própria OIT.
Em cerimónias públicas, e ainda o fez este fim-de-semana ao lado de Balsemão, afirma que o PSD é um partido social-democrata. Apenas de nome, é evidente. Sim, porque na prática é um partido de ideologia e práticas neoliberais que, por exemplo, em matéria de relações laborais tem o objectivo de premiar quem comete ilegalidades. Atente-se no que Passos Coelho afirmou hoje na AR:
“Há uma vontade de explorar com os parceiros sociais a possibilidade de diminuir o que é hoje o diferencial dos montantes a pagar em caso de despedimento sem justa causa, face àquilo que são os montantes que devem ser pagos por justa causa”
Afinal que Estado Social Europeu é este, em Portugal, onde o infractor é premiado por despedir de forma arbitrária, pagando uma indemnização irrisória, sem ter ‘justa causa’ para o fazer?
Do Presidente da República, nada espero sobre o ignóbil projecto do governo, a corporizar através de iníqua e obtusa legislação.
Tenho sim a esperança de que o Tribunal Constitucional continue a declarar a inconstitucionalidade de actos de governação idênticos ou similares a esta afronta aos direitos mais elementares dos trabalhadores, impedindo os empregadores de pagar, aos despedidos ‘sem justa causa’, indemnizações normais e já reduzidas; actos desses, no fundo, transformariam ilegalidades em actos legais.
Este projecto de Passos Coelho é de um autoritarismo não escrutinado através do programa de eleições que anunciou ao País e tresanda ao recurso a uma ideologia aberrante, neoliberal, que igualmente não foi sufragada pelos portugueses.
Que dirá o democrata-cristão Portas de tal desonestidade? Nada, como de costume. Arranja uma viagem até ao Qatar e diz que vendeu sumos e conservas a rodos. Agora é o “Paulinho dos Emiratos”.