terça-feira, 20 de março de 2018

UBER e o acidente da ‘Inteligência Artificial Estúpida’


Segundo se lê na imprensa portuguesa, mas também em ‘The New York Times’, a controversa UBER, a par de outras empresas, decidiu desenvolver um programa experimental de recurso a viaturas de condução automática (self-driving, em inglês). Resultado: uma dessas viaturas, em certo cruzamento da cidade de Tempe, no Arizona, colheu e matou uma senhora.
Sem qualquer interesse na defesa dos tradicionais táxis, onde, reconheço, há uma falta de educação crónica e generalizada de condutores, confesso não ser amante da UBER ou de qualquer outra plataforma do género. Com demasiada frequência, e em especial sobre a UBER, tenho-me deparado com notícias negativas: divergências a nível dos órgãos sociais no centro do poder da companhia nos EUA; mau funcionamento e exploração dos motoristas denunciados por jornais prestigiados norte-americanos; violação na forma concretizada de uma passageira na Índia por parte do motorista; vários actos de violação na forma tentada em outros países. Enfim, um role de casos repugnantes, que ficou alongado com o triste acidente no Arizona.
O objectivo mais desejado da UBER, sabe-se, é maximizar o lucro. Carros sem condutor traduzem-se na eliminação de custos e postos de trabalho. Como teorizou Thomas Pikkety, em ‘O Capital do Século XXI’, dos poucos trabalhadores a furtarem-se à desigualdade de rendimentos, contam-se os qualificados, em particular os que vivem de actividades nas áreas das novas tecnologias. Todavia, é preciso tomar em atenção que grande parte das mais-valias duráveis e aplicadas nos bens produzidos, neste caso carros sem condutor, são transmitidas a favor dos investidores, como rendimento de capital crescente.
O acidente em causa é, acima de tudo, um acontecimento trágico para quem morreu, familiares e amigos. Igualmente dramático é aquilo que significa ainda o desvario da ganância do capitalismo actual, na procura de obter rendimentos ainda mais elevados através da supressão de postos e de baixos rendimentos de trabalho.
Agora falamos de um carro de condução automática, multiplicando-se a extinção do trabalho humano através de outras viaturas do género, de equipamentos e sistemas tecnológicos sofisticados e em particular da robótica. É a vaga da Inteligência Artificial que, no Arizona, se revelou dramaticamente estúpida (como estúpido é o diálogo entre o robô Sofia e Cristiano Ronaldo, no anúncio da MEO, agora recorrente nas TV’s).
O brilhante físico Stephen Hawking, falecido há dias, na última ‘LIsbon Web Summit’, deixou uma advertência séria, de ameaça de riscos graves para a humanidade. Já não nos limitamos apenas ao caso da morte do Arizona ou à substituição de postos de trabalho por robôs. Com total transparência, Hawking, entre outras considerações, deixou o aviso:
É útil ler o texto da CNBC, no qual se referem os perigos da ‘Inteligência Artificial’, entre os quais os riscos de armas autónomas, de destruição maciça. Foi um dos últimos legados do ilustre sábio, Stephen Hawkings, ao mundo, em especial a cidadãos conscientes e a políticos que, a meu ver, desvalorizam a complexidade do tema.