Da parte dos principais líderes da UE e dos EUA, é chocante a passividade perante os acontecimentos na Síria; onde, desde há um ano, o regime de Bashar al-Assad dizima milhares de vidas - crianças, mulheres e idosos, incluídos - numa das carnificinas mais sangrentas e brutais da actualidade. O Ocidente, nas declarações inconsequentes de Hillary Clinton, nas críticas vagas da UE e nesse vai-e-vem patético de Kofi Annan a Damasco, deixa claro não querer tocar no protectorado de Vladimir Putin.
Verdadeiramente, em termos de petróleo, o interesse da Rússia é nulo, uma vez que dispõe de vastos e diversificados recursos energéticos e, para além disso, a Síria não tem a expressão da Líbia.
As bases em solo sírio integram-se nos desígnios geoestratégicos de Putin homem que é essa herança preciosa do alcoólico Ieltsin, no bailado da “democracia rotativa” dançado com Medvedev. Vale-se de expressão artística e de estética política com talento superior à arte corporal dos bailarinos do Teatro Bolshoi.
Da guerra fria, o mundo evoluiu para os actuais tempos teatrais do absurdo; onde, uns líderes falam sem sentido e outros são impunes a fomentar e manter jogos de guerra.