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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Há uns que comem muito mais bifes do que outros

Do (mal) iluminado cérebro de Isabel Jonet, e incapacidade de entender a responsabilidade inerente à instituição que dirige, Banco Alimentar contra a Fome, tivemos, em 2012, uma ofensiva e inconsciente declaração:
O conformismo em relação à pobreza é revelador da falta de solidariedade que, no caso, deveria estar na primeira linha do empenho, postura e compromisso públicos que o cargo lhe exige.
O 25 de Abril é uma data histórica, que comemoro desde o primeiro dia, em que me cruzei com oficiais, Salgueiro Maia em especial, sargentos e soldados no Largo do Carmo e noutras artérias de Lisboa. Vivi-o e senti-o profundamente. Sob a forma de alegria exteriorizada, mas igualmente com estado de espírito de euforia intima inenarrável.
Decorridos 40 anos, interrogo-me se a acção de militares e marinheiros, em aliança com o povo,  não tem registado, passo a passo, desde há anos uma deriva constante, assassina dos ideais democráticos do povo e catalisadora de imorais sucessos de gente como a Jonet ou o intrujão sem vergonha, Pedro Passos Coelho – a ‘net’ retracta-o de forma extensa e clara.
Da primeira das citadas figuras, alguns jornalistas de renome a quem se exige informação rigorosa, chegaram a considerar Isabel Jonet, à época do ‘caso dos bifes’, a fundadora do Banco Alimentar contra a Fome. A verdade é que essa obra caritativa, destinada a suprir os problemas sociais e económicos que os governos multiplicam a uma velocidade infrene, fora fundada em 1990 sob o impulso do comandante José Vaz Pinto.
Quanto a Pedro Passos Coelho, deve dizer-se que os partidos, em particular os grandes partidos, desde meados da década dos 1980, se especializaram à produção de ‘jotinhas’ segundo um tal processo de fabrico de salchichas que o PM definiu, em citação que ficará para a história.
O pior é que toda esta gente se especializa na produção de trampa e em transformar-se numa corja de trapaceiros ‘diplomados’. Quem acredita que Passos Coelho se tenha esquecido de ter redigido e assinado este documento junto da AR? Como é possível não se lembrar se  foi pago pela Tecnoforma entre 1997 e 1999? 
O episódio na SICN entre Miguel Relvas e Helena Roseta, esta a denunciar a tramóia, faz parte dos contributos para a verdade desta história triste… triste porque se 0 25 de Abril nos proporcionou um conjunto de liberdades e uma vivência democrática, é lamentável concluir que não se revela suficientemente sólido e eficaz para escrutinar uma corja imensa de oportunistas. É preciso reacender a luta!
A continuar assim, apenas se dilatará a diferença entre alguns que comem muitos bifes e um vasto número que nem carne nem peixe têm para se alimentar. Um pedaço de pão duro e seco é a refeição que, em muitos dias, lhes conforta o estômago.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Henrique Monteiro, chamo-lhe ignorante

henrique monteiro
Em artigo no ‘Expresso’, no uso do legítimo direito de opinião, critica com alguma veemência aqueles que, nas redes sociais e jornais, se insurgiram contra as palavras de Isabel Jonet na SIC Notícias.
Entendo que esses outros usaram da mesma liberdade de opinião sobre o triste depoimento de Isabel Jonet – um aparte: seria interessante saber qual é o salário da benemérita senhora no BA e se o valor está em sintonia com o padrão de pobreza por si defendido.
Bom, deixemos essa questão para outra o ocasião. Como a coluna de Henrique Monteiro se intitula “Chamem-me o que quiserem”, eu opto por chamar-lhe ignorante. Com efeito, quando escreve:
“[…] da instituição privada que ela própria fundou”
está a passar para opinião pública a ideia de que Isabel Jonet, heroína tipo padeira de Aljubarrota, foi a fundadora do BA. Das duas uma, ou o Henrique Monteiro escreveu de má-fé ou é ignorante. No meu ponto de vista, é ignorante.
Para conhecer o mínimo da história do Banco Alimentar contra a Fome, e saber quem foram fundadores, com o Comandante José Vaz Pinto no topo, aconselho o Henrique Monteiro a ler este texto.
(Adenda: eliminei a afirmação de Henrique Monteiro tinha sido militante do MRPP. Era uma informação errada que me havida sido dada por alguém que também estava convencido desse facto que, afinal, é falso. Peço-lhe desculpa pelo erro.
Quanto ao restante, tenho a dizer que o texto por mim publicado foi influenciado pelo 'Chamem-me o que quiserem', da autoria do Henrique Monteiro. E, de facto, Isabel Jonet não foi a fundadora do Banco Alimentar, tendo sido ainda mais infeliz no princípio da resignação do 'vamos ter que viver mais ser pobres' na Rádio Renascença. Já gora mais pobres, menos saudáveis, diminuir a esperança de vida e fazer todo o percurso anti-social que gere bolsas de pobreza e miséria do tempo vitoriano; do qual Charles Chaplin dizia que a pobreza era uma condição social a combater, mas já a miséria era um vício e como tal...)