(Nota Introdutória: o documento publicado há 3 dias (09-04-2014) no 'site' do FMI sob a designação de 'Monitor Fiscal' - em minha opinião, em português a imprensa deveria designá-lo por 'Relatório de Monitorização Orçamental' - é o modelo divulgado, sem economia de recurso a detalhes, da política que o FMI - Fundo Monetário Internacional pretende ver instaurada a nível global.
O FMI, independentemente de agrupar de forma artificial porque genérica países sob as classes de 'Economias Avançadas', 'Mercados Emergentes' e 'Países de Baixos Rendimentos', em termos de contas públicas, o núcleo dos interesses das análises, têm como argumentos comuns as 'reformas da despesa pública' para se atingir o objectivo de obsessiva 'consolidação orçamental'.
Cortar nas despesas de saúde, de educação e nas condições de contribuições e benefícios de pensionistas, entre outros, são exaustivamente citados como alvos a atingir. Seria de esperar, considero eu, alguma referência a diagnosticar e definir medidas drásticas sobre 'offshores' e paraísos fiscais. Ambas, a par de outras iniquidades, do ponto de vista fiscal para uma entidade supranacional e global empenhada (?) na solidez das contas públicas dos Estados-membros da organização, deveriam estar na primeira linha das preocupações. Esta e outras graves omissões e divergências que ferem o espírito humanitário que deveria constituir princípio irrefutável e universal, inocenta a obscena China, os responsáveis máximos pelos miseráveis territórios asiáticos e africanos, políticas na América Latina que, caso após caso, o FMI atraiçoou com opções financistas, com total desprezo por milhões de seres humanos que nessas áreas geográficas sofrem desigualdades inaceitáveis, traduzidas por viver na pobreza, por sobreviver na miséria ou mesmo por condenação à morte, à falta dos mais elementares meios de sustentação da vida humana, da alimentação à saúde.
EUA e Europa, como o conjunto países de Economias Avançadas, estas na linguagem imprecisa do FMI, também são abordados segundo a mesma lógica: contas orçamentais certas, custe o que o custar para os desprotegidos, renda o que render para os multimilionários detentores de fortunas obscenas que não envergonham e jubilam os donos do mundo actual - chamem-se Obama, Merkel, Putin, Li Keqiang, Lagarde, o pestilento Kim Jong-Il ou outra 'merda qualquer', como Schäuble, Barroso, Oli Rhen, Van Rampoy, sem contar com os de cá de dentro que nem são poucos nem menos fétidos.
Hesitei em publicar já o trabalho de tradução, naturalmente parcial porque extenso e complexo, mas não quis condenar o meu modesto blogue, este sim verdadeiramente modesto, ao silêncio, que me cala e distancía dos leitores que em número crescente o visitam. Portanto, publico a parte da tradução concluída, sempre com a ideia de estar aberto a sugestões que contribuam para a melhoria do documento).