Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Santos Guerreiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Santos Guerreiro. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Clube de contadores de mortos

O 'miserável aproveitamento político' foi o epíteto certo do ex-PGR, Dr. Pinto Monteiro, para qualificar o ignóbil uso político-partidário da 'Tragédia de Pedrogão' que ceifou a vida a 64, 65, 66 ou mais vítimas.
Beirão e conhecedor profundo do interior do País - é natural de uma aldeia próxima do Sabugal - o ex-PGR revelou igualmente não entender a razão por que a lista dos mortos não era divulgada pelo Ministério Público,  agora sob as ordens da sua sucessora,  Dr.ª Joana Marques Vidal.
Coincidência ou não, horas depois, a PGR divulgou esta 'nota para a comunicação social', com a lista de 64 mortos por causas directas do incêndio: inalação e/ou queimaduras fatais.      
A campanha dos media, especulando através de números mais elevados de mortes por efeito das causas citadas, tem sido igualmente deplorável. Em especial, as torpes notícias, entrevistas e insinuações dos jornais 'Expresso', 'Público' e 'Jornal i' e dos canais SIC e TVI - com a choldra do CM e da CMTV nem sequer conto.
O título sensacionalista do 'Expresso' de Sábado, 'Lista dos 64 mortos exclui vítimas de Pedrogão', é obra do grupo dos 'jornalistas de facção' que povoam a redacção daquele semanário, sob a direcção de Pedro Santos Guerreiro, figura que critiquei neste 'post' de Outubro de 2015. O homem nunca mais se ergueu do tropeção que, então, registei. No título antes citado, escreveu-se 'exclui vítimas' (vítimas no plural), mas depois concluíram que haveria a adicionar somente a morte por atropelamento da Dona Alzira Carvalho Costa, a quem a PGR, na 'nota para a comunicação social', se refere nos seguintes termos:
"A morte de Alzira Carvalho Costa está a ser investigada no âmbito de outro inquérito, iniciado logo que noticiado o acidente ocorrido."
Por sua vez, a SIC-N noticiou que o número de mortes poderia ser 66, invocando a possibilidade de vir a considerar-se a morte de um homem (José Rosa Tomás, também referido na 'nota' da PGR) em unidade hospitalar em que estava internado. Mas a locutora da SIC-N adiantou que não estava em posição de confirmar se a causa da morte teria sido o incêndio, um mês antes. Justificou que os médicos fundamentaram o falecimento com pneumonia grave, desconhecendo a SIC-N se esta teria sido efeito do fogo. Acima de tudo, e no desespero de contar mais mortes em Pedrogão, a SIC-N omite - e é mais grave se o faz propositadamente - a existência de uma lista de mais 200 vítimas com lesões, algumas delas internadas em estado grave. E a morte de qualquer destas vítimas terá, naturalmente, de ser acrescida ao número de vítimas mortais. 
Por fim, vem o 'Jornal i' que, em destaque de primeira página, começou por contabilizar 73 vítimas mortais, por informação de uma tal empresária de Lisboa que se deslocara a Pedrogão. A SIC-N e a TVI deram relevo ao que mulherzinha disse. Na estação de Queluz (TVI), a funesta Judite Sousa entrevistou em 'prime-time' a mulherzinha, Isabel de sua graça. A certa altura, a intrujona dizia que, segundo os últimos dados que recolhera, já contava 96 mortos. De seguida, afirmou peremptoriamente: "Alguém em Pedrogão me disse que o número de mortos poderá atingir três dígitos, provavelmente 108." . O conteúdo da nota da PGR também é elucidativo quanto a esta criatura.
A democracia, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa são valores essenciais para o progresso social e cultural de qualquer povo. Todavia, nesses valores, não cabem estratégias macabras de políticos e jornalistas que se servem de uma tragédia para atingir objectivos políticos. Nos últimos dias, formaram o 'clube de contadores de mortos'. Haja decoro!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O tropeção de Pedro Santos Guerreiro

Pedro Santos Guerreiro (PSG) é um dos jornalistas por quem tenho apreço. Ainda ontem tive a oportunidade de lembrar a quebra de qualidade do 'Jornal de Negócios', depois da sua saída para o 'Expresso'.
A consideração e a concordância dedicadas aos artigos e intervenções televisivas não estão condicionadas por qualquer relação pessoal - jamais o conheci pessoalmente ou fiz esforços nesse sentido. 
Trata-se meramente de me agradar a isenção, a argúcia e o estilo com que escreve. 
O 'Expresso', no seio da comunicação social portuguesa, desde há meses, embalou em descontrolada luta contra António Costa (AC); nem sei mesmo se, em certos casos, a ligação familiar do secretário-geral do PS ao pretensioso Ricardo Costa não é a fonte de sentimentos odiosos, na página do jornal, do 'Expresso Diário' e do 'Expresso Curto'.
A Ângela, o Monteiro, o Martim, o económico Vieira, uns mais do que outros, atiram-se a António Costa (AC) como gato a bofe. Destes eu entendo, ou porque detestam o mano Ricardo, ou porque estar nas graças ao Dr. Balsemão é mais gratificante do que respeitar princípios deontológicos da profissão.  Sempre foram assim.
O importante é estar na crista da avassaladora vaga contra AC - igualmente faço aqui uma declaração de princípios, assegurando que nem sou amigo de António Costa, nem tão pouco militante do PS ou de qualquer outro partido. Sou de esquerda, ponto final!
À falta de Sócrates - "por azar nosso nem tem falado", lamentam-se eles - desanca-se no Costa.
Causa-me alguma surpresa que com seu artigo 'António Gosta', PSG, que até poderia e deveria abordar o tema de forma honesta e neutral, também se tenha integrado ao núcleo de vanguardistas pró-governamentais e pró-Dr- Balsemão.
Ainda assim, PSG poderia evitar o uso de estilo jocoso e humilhante próprio do 'Correio da Manhã', No 'Expresso Diário', para consolidar o título do artigo, Pedro Santos Guerreiro, começa assim o escrito António gosta:
"Gosta de poder. Gosta de negociar. Gosta de sobreviver. António Costa quer consumar o inexplicável e conseguir o impossível. ..." 
Em jeito de réplica, poderia dizer-se que Passos e Portas não gostam mesmo nada do poder. odeiam negociar, mas gostam de sobreviver. E se ambos precisam de sobreviver da forma como vivem!  Um só começou a trabalhar quase quarentão (entretanto, a Tecnoforma e o Foral foram dando umas coroas) e o outro sem a política certamente não se meneava tanto, decorado pelos padrões da moda do Rosa & Teixeira.
Todavia, a passagem onde entendo que PSG se espalha é na seguinte: 
"[...] PCP e BE ficarão anos com a mordaça acrítica da austeridade que durante anos aí vem, os bancos que ainda há que capitalizar, a privatizações que podem continuar a ser inevitáveis?"
Afinal, PSG, de forma indirecta - ia a dizer ao estilo de insinuação covarde - desmente subtil e totalmente o governo da coligação PáF, em particular os seus líderes Coelho e Portas. Isto é, o programa de ajustamento não expirou e austeridade é para manter por anos. Trata-se de um contrato sem termo à vista, a despeito da 'troika' e FMI terem abandonado, entretanto, Lisboa. Apenas de quando em vez, os fabulosos técnicos estarão por aí  para meros actos de cortesia e, já agora!, para usufruir de  manjares de estalo no Ritz. 
Capitalização da banca? Aliena-se a CGD, como o sábio Coelho desde sempre defendeu e emprestam-se os fundos de capitalização aos bancos necessitados. Para a venda da CGD, não faltam chineses, mas começa é a faltar dinheiro aos chineses.
Por último, excepto a CGD, o que é que existe mais para vender? A TAP, sim essa sim, porque está num processo complexo, mas tudo há-de terminar em felicidade. A CP Carga, que essa então vai render umas pipas de massa a quem quiser explorar o diamante chamado 'Porto de Sines' de água profundas e de ligações marítimas ao Oriente, goza de possibilidade de venda segura, mesmo numa altura em que os Mercados Emergentes, incluindo China, e os fluxos de bens estão em declínio. 
O que temos mais para privatizar? A água, o ar, e talvez o grupo Imprensa que de manhã pode vender-se ao Estado e à tarde é transaccionado por preço muito mais elevado a um bielorrusso com direito a visto 'gold' - é uma espécie de 'cross-selling'. E pronto, pelos caminhos de Portugal, como cantava o outro, entraremos todos no paraíso.
Se, de facto, quiser continuar a fazer o jornalismo sério, sugiro ao PSG que, em vez de recorrer a amesquinhar homens como ele,  critique os políticos de forma séria e objectiva, fazendo alusão a políticas e à estratégia de desenvolvimento de que o País tanto carece. E se não é com AC, também não é com a PáF que a Pátria Portuguesa deixará de ter uma Diáspora em expansão e um Território abandonado.