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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Silly? Hot Season!

Chegado o Verão, temos as férias de famílias, os serviços mínimos de políticos e da comunicação social. Ou seja, desfrutamos da tranquilidade da 'Silly Season', perturbada, e não pouco, pelos grandes incêndios.
Este ano, porém, 'Hot' está a derrubar 'Silly' e sente-se já, de facto, um ' Verão Quente'. 
No domínio dos incêndios, registou-se a maior tragédia de sempre, a de Pedrogão Grande e de dois concelhos vizinhos, Figueiró dos Vinhos e Góis. 64 mortos, meia centena de habitações e pequenas propriedades rurais destruídas, e ainda unidades produtivas completamente arrasadas. Tornou-se numa catástrofe histórica. Não vamos lembrá-la somente quando circularmos nas áreas afectadas e observarmos o rastro de negritude que o fogo plasmou na paisagem. 
Para sofrimento das populações desse interior despovoado, desprezado, de tristes silêncios que as sirenes dos bombeiros rasgam, outros fogos florestais vastos eclodiram, por mãos criminosas ou diferentes origens, em outras áreas do País: Alijó, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Mangualde, Gouveia, Sabugal... - no momento em que escrevo, o 'site' da Protecção Civil cita, no total, 171 fogos, combatidos por 2389 operacionais, 777 viaturas e 8 meios aéreos... enfim, a desgraça continua. 
Desta vez e não motivados apenas pela 'Tragédia de Pedrogão' mas pelos recorrentes dramas dos incêndios em território nacional, será que o Governo e partidos da oposição se unem na acção de estabelecer e fazer executar regras para a reestruturação e limpeza de matos e florestas e a prevenção efectiva, e activa todo ano, contra incêndios? É uma pergunta longa, mas, mais importante do que isto, é formulada sem esperança. Sim sem esperança, porque a coisa já começou mal: PCP desafia BE a tirar terrenos sem donos do banco de terras {'Público']. Tiro de 'Hot' em 'Silly'.
A Protecção Civil traçou novas regras de comunicação sobre incêndios. PSD e o loquaz Jaime Mata Soares classificaram a medida de "lei da rolha". Outro tiro em 'Silly'.
O desventurado André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD e PPM, lança-se em ataque xenófobo à comunidade cigana. Se ele procurasse saber o número de famílias que, em Portugal, recebe o 'rendimento mínimo garantido', talvez concluísse que a grande maioria não é cigana. O populismo sustenta-se também da ignorância. Terceiro tiro em 'Silly'. 
Acrescente-se que, em Outubro próximo, haverá eleições autárquicas e mais tiros é coisa que não faltará.
Por fim, cito que tivemos e temos Tancos, e deste lado pode surgir a artilharia pesada, quando os resultados das investigações forem - se forem - divulgados. 
Estou, pois, preparado para uma 'Hot Season'. Note-se que, a tudo o que se sabe, seguem-se os imprevistos e muito destes são sempre mais surpreendentes do que os casos antecedentes. Por exemplo, hoje soube-se que o truculento Hugo Soares foi eleito líder parlamentar 'laranja' ['Público']. Um tiro no pé do PSD. 

domingo, 12 de agosto de 2012

Incendiários à solta, bombeiros descoordenados

Os incêndios este Verão voltaram a irromper em diversas regiões do País. Todos os dias temos notícias de fogos; muitas vezes deflagrados em simultâneo a partir de três ou quatro pontos distintos, em áreas de 1 hectare, que logo alastra para 2, 3 ou mais, muito mais. Expandem-se, pois, florestas adentro, aqui e ali dizimando habitações, armazéns, gado, pastagens e equipamentos agrícolas.
Os efeitos, mais desgraça menos desgraça, são aqueles que acabamos de descrever. Responsabilidades? Todos os anos repetimos os mesmos juízos e opiniões. É muito generalizado o consenso centrado na origem criminosa; seja esta activa e voluntária, seja, como diz o presidente da Liga dos Bombeiros Portuguesas, desfecho do abandono e falta de controlo das autoridades competentes pela floresta portuguesa – nos últimos anos foram eliminados 12.000 bombeiros, reduzindo-se de 38.000 para 26.000; por força da política do actual governo, com os cortes nos pagamentos de transportes de doentes, muitos mais desaparecerão.
Terem ardido mais de 22.000 hectares, nos concelhos de Tavira e São Brás de Alportel, só é, pois, entendível por escassez de meios e/ou ausência de coordenação e acção das autoridades a quem estão cometidas funções de liderança – Protecção Civil e altos comandos dos Bombeiros.
Outros pontos do país foram atingidos. Incendiados por um casal de irmãos,  arderam mais de 2.000 hectares, entre as freguesias de Tramaga (norte de Montargil) e Galveias, por exemplo. Os bombeiros compareceram e em força – haviam corporações de Celorico da Beira, Cernache de Bonjardim, Sertã, Torres Vedras, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Cadaval e de muitas outras localidades.
Bombeiros não faltaram. Eram mais de 400. Faltou, isso sim, a coordenação e as orientações da Protecção Civil e do Comando dos Bombeiros de Portalegre.
Felizmente, a evitar mal pior, agiram elementos da população civil que conduziram os bombeiros ao interior de densas matas, a locais por eles naturalmente desconhecidos.
Os bombeiros actuaram e bem! Todavia, houve quem se tivesse criminosamente alheado, desprezando os prejuízos de chaparrais e olivais destruídos pelo fogo. Tanto quanto a deterioração da paisagem.
Este ano ainda não terminou; mas, com este tipo de lideranças, para o ano a história repetir-se-á.