domingo, 12 de agosto de 2012

Incendiários à solta, bombeiros descoordenados

Os incêndios este Verão voltaram a irromper em diversas regiões do País. Todos os dias temos notícias de fogos; muitas vezes deflagrados em simultâneo a partir de três ou quatro pontos distintos, em áreas de 1 hectare, que logo alastra para 2, 3 ou mais, muito mais. Expandem-se, pois, florestas adentro, aqui e ali dizimando habitações, armazéns, gado, pastagens e equipamentos agrícolas.
Os efeitos, mais desgraça menos desgraça, são aqueles que acabamos de descrever. Responsabilidades? Todos os anos repetimos os mesmos juízos e opiniões. É muito generalizado o consenso centrado na origem criminosa; seja esta activa e voluntária, seja, como diz o presidente da Liga dos Bombeiros Portuguesas, desfecho do abandono e falta de controlo das autoridades competentes pela floresta portuguesa – nos últimos anos foram eliminados 12.000 bombeiros, reduzindo-se de 38.000 para 26.000; por força da política do actual governo, com os cortes nos pagamentos de transportes de doentes, muitos mais desaparecerão.
Terem ardido mais de 22.000 hectares, nos concelhos de Tavira e São Brás de Alportel, só é, pois, entendível por escassez de meios e/ou ausência de coordenação e acção das autoridades a quem estão cometidas funções de liderança – Protecção Civil e altos comandos dos Bombeiros.
Outros pontos do país foram atingidos. Incendiados por um casal de irmãos,  arderam mais de 2.000 hectares, entre as freguesias de Tramaga (norte de Montargil) e Galveias, por exemplo. Os bombeiros compareceram e em força – haviam corporações de Celorico da Beira, Cernache de Bonjardim, Sertã, Torres Vedras, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Cadaval e de muitas outras localidades.
Bombeiros não faltaram. Eram mais de 400. Faltou, isso sim, a coordenação e as orientações da Protecção Civil e do Comando dos Bombeiros de Portalegre.
Felizmente, a evitar mal pior, agiram elementos da população civil que conduziram os bombeiros ao interior de densas matas, a locais por eles naturalmente desconhecidos.
Os bombeiros actuaram e bem! Todavia, houve quem se tivesse criminosamente alheado, desprezando os prejuízos de chaparrais e olivais destruídos pelo fogo. Tanto quanto a deterioração da paisagem.
Este ano ainda não terminou; mas, com este tipo de lideranças, para o ano a história repetir-se-á.