quarta-feira, 1 de agosto de 2012

À sombra da azinheira

Destaca a CMVM, entre muitos outros dislates consentidos a um exército de  gestores, a insólita situação de:
“haver um caso de um administrador que pertencia ao órgão de administração de 73 empresas”
Caramba,  o homem é um herói!, de quem não sabemos a identificação. As regras e éticas de cidadania, legitima e legalmente, reconhecem-nos, em teoria, o direito de conhecer célebres figuras da gestão nacional, autores de atentados contra o interesse público e, ao que parece,  impulsionados por um ‘Viagra’ ou fármaco do género, com mágica fórmula de garantia de infinita potência.
Do que foi possível apurar, chegou-nos a informação de que se trata do proprietário desta azinheira:
azinheira
árvore da qual se ignora a idade, mas com a visível prova de que as prendas e prebendas foram penduradas nas hastes por falta de espaço caseiro.
Em síntese, nestes casos, o fenómeno reduz-se sempre a uma questão de hastes que  nos decoram, sem que tenhamos conhecimento dos autores e do momento de tão humilhante ornamentação. O corno é sempre o último a saber e, desalentado ou ignorante, limita-se à inexorável condição de manso. Afinal, cornos, conscientes ou não, fazemos parte de um povo manso – classificado de ‘brandos costumes’ pela tradicional semântica da política nacional.
Quem é o proprietário da azinheira? É a dúvida. Talvez nunca teremos o esclarecimento a que temos direito. No fundo, cumpre-se a tradição do sistema de justiça nacional. Estamos habituados e o hábito tornou-se vício.
Condene-se o pobre que roubou dois pêros da caixa de uma frutaria, mas nunca os suspeitos do BPN, da Face Oculta e de outras tantas grandes histórias do crime, do dito 'colarinho branco', sob tantos epítetos que seria exaustivo enumerar.
Catroga a Presidente da Associação Nacional de Gestores! O pentelho seria a cereja em cima do bolo.