quinta-feira, 23 de agosto de 2012

The old new: RTP a caminho da angolana Newshold

RTPIntegrados em famílias de ex-colonos angolanos privilegiados, os membros do actual Governo, de Passos Coelho a Paula Teixeira da Cruz, passando por Miguel Relvas, Assunção Cristas e eventualmente outros, ficaram contagiados pelo vício de transmutar bens e empresas – se possível para Angola;  ou seja, o vício de fazer sair de mão activos estratégicos do Estado português.
Neste processo do empobrecimento, tão estúpido como assumido pelo PM, chegou a hora da RTP ser alienada. A quem? A uma empresa dominada pela Newshold. Quem é o governante português incumbido do negócio? Miguel Relvas – desta, ó Portas ficaste de parte… vai lá para a FACIM, Pequim e Bombaim e não te metas no Fetungo.
A alienação da RTP, em si, corresponde a privar o País de um ‘canal público televisivo’, como é habitual e estratégico na Europa; uma consequência adicional é, de facto, o candidato mais forte, a tal Newshold, ser uma empresa desse mundo imundo, corrupto e de profundas desigualdades, tendo Angola como cleptocrático epicentro.
Para que se saiba bem com quem os nossos (?) estadistas estão metidos, leia-se com atenção o que é a Newshold e quem é a empresária Ana Oliveira Bruno (*), detentora de capital no ‘Sol’.
A RTP, a meu ver, teria alternativas à alienação, reconhecendo, embora, ser necessário aplicar duras medidas de saneamento de custos, incluindo a eliminação de elevados salários e reduções do quadro de pessoal. Isto é, no fundo, o que a Newshold ou outro comprador fará, com vista a tornar rentável o negócio da estação, por ora, pública. O outro putativo candidato e amigo de Relvas, Nuno Vasconcellos, se sair vencedor, seguirá idênticos caminhos.
Sinto tristeza ao saber que um País democrático, em que a liberdade de expressão é um dos pilares das liberdades constitucionais de que me orgulho, transmita a altos poderes de um regime autocrático e violento os meios e o direito de usar essa mesma liberdade de expressão, sabe-se lá com que fins de manipulação e de propaganda distorcida de um País onde a pobreza ainda impera. A par das elites luandenses, claro.