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sábado, 2 de março de 2013

Gritemos nas ruas; "Que se lixe a troika... e o governo!"


O povo está desesperado, mas não perdeu a esperança e a confiança na luta. Hoje, na minha cidade, Lisboa, vamos sair à rua em massa. Temos de lutar, desdenharemos a opinião dos acomodados, daqueles que tem das manifestações a imagem dum ritual folclórico; do velho tonto que ainda tem uma fotografia de Salazar na carteira e que concorda com os cortes da pouca reforma que aufere - venham mais - diz o pateta para todo o café ouvir.
Ninguém o ouve. O que verdadeiramente é importante e dramático para aqueles frequentadores do café do bairro é terem dois filhos desempregados há mais de 2 anos; sofrerem a incontinência do choro nocturno e pela calada da noite a fome dos netos, mitigada pela sua ajuda e ainda da escola que frequentam. Ali ao lado, um sexagenário cardíaco, e com reforma reduzida, queixa-se de ter aguardar oito meses para ter uma consulta da especialidade no hospital; às vezes, com dificuldades respiratórias lá vai ao Banco com a ajuda monetária do filho. Sempre tem de pagar à cabeça 20 euros, mas se fizer análises e exames de imagiologia, a conta chega aos 50 euros.
Lembram no café os que partiram para trabalhar no estrangeiro; as famílias desagregadas, os filhos que a toda a hora perguntam se o pai está bem, lá tão longe. A mãe diz-lhes que sim, embora as coisas não sejam bem aquilo que lhe prometeram.
Este café é um quadro do vivo de um Portugal inteiro, que uma 'troika' diabólica e irresponsáveis garotos, golpistas e tecnocratas humilha sem compaixão nem respeito. Agora, são mais 4 mil milhões de cortes, o desemprego dispara, as lojinhas do bairro, uma a uma, vão fechando.
Por isso, daqui a uma hora lá estarei no Marquês de Pombal, com milhares de cidadãos que, comigo, sofrem de um país doente e de um governo de severa maldade e irresponsável.
Mas o tonto do velho lá continua, a provocar quem não lhe liga. De súbito, as palavras que lhe ouvi trouxeram-me à memória o João Proença da UGT. Longe do povo, já afirmou que aquela central não adere ao protesto.
Também pouco interessa que ele não vá. Vamos estar lá muitos, muitos mesmo, e alguns até filiados em sindicatos da UGT, todos a gritar: "Que se lize a troika e o governo".
Alguma vez a absurda personagem de Belém há-de ouvir-nos e afastar este tenebroso governo.  

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Se o povo sai à rua...

Angel Merkel congratulou-se com a aprovação das medidas de austeridade pelo Parlamento da Grécia. "É uma excelente notícia", disse ela. O mesmo já não pensam nem dizem os cidadãos gregos que continuam a exprimir sentimentos e acções de revolta, não hesitando em recorrer a violentos confrontos com a polícia. As imagens captadas hoje constituem o paradigma da contestação popular em Atenas:


Nós por cá, à escala do povo sereno que somos, também começamos a ter gente na rua. Hoje, em Viana do Castelo, a ameaça de despedimento de cerca de 300 trabalhadores trouxe para o espaço público cerca de 3.000 manifestantes, como a imagem documenta:

Foto da LUSA

O novo Ministro da Defesa, Aguiar Branco, disse que o despedimento colectivo dos Estaleiros de Viana do Castelo é um problema do anterior governo. Garantiu que o vai estudar. Suponho que encontrará uma boa solução para os trabalhadores, erodindo, assim, o mal que herdou. Que peça ajuda ao seu deputado pelo círculo de Viana, Carlos Abreu Amorim. Se for tão lesto na acção como na teoria discursiva, o assunto ficará bem resolvido, de certeza.
Com as devidas diferenças entre os acontecimentos em Atenas e Viana do Castelo, há um fenómeno que os políticos terão de ter em conta: se o povo se habitua a sair à rua e as moles de descontentes estão em dilatação, não é apenas com as tradicionais políticas palacianas que as satisfazem. O desemprego é elevado, a pobreza estende-se, a miséria aprofunda-se e os rastilhos multiplicam-se.