Temos uma direita social e funcionalmente
estruturada para o mal. Sob o halo da injustiça social, da protecção dos inimputáveis, mesmo
em relação a autores de gravíssimas infracções à lei e avultados prejuízos causados
aos cidadãos, a direita portuguesa, sob as ordens de Cavaco, Passos e Portas, tem-se
esmerado, de facto, em afirmar-se como abjecto instrumento de produção de
excrementos com que vive em estado de sublime volúpia do despudor.
Notícia fresquíssima do ‘Expresso’:
“Antigo líder do Banco Espírito Santo vai passar a receber uma pensão mensal de 90 mil euros, o triplo do que recebe hoje…… Só Ricardo Salgado recebe retroactivos de um milhão de euros, diz ainda a TVI. E a partir daqui receberá uma pensão de cerca de 90 mil euros por mês, o triplo dos 29 mil que recebia até aqui.Além de Ricardo Salgado, há mais dez antigos gestores do BES beneficiados por esta decisão. A TVI cita os nomes de Rui Silveira, José Manuel Espírito Santo, João Freixa e António Souto, e ainda a viúva de Mário Mosqueira do Amaral… também José Maria Ricciardi [um homem com quem Passos Coelho compartilha a mesa de refeições… e talvez a mesma gamela] receberá uma pensão nos mesmos moldes quando reformar.”
Os ‘Lesados do BES’, que
hoje se manifestaram pela enésima vez junto à sede do Novo Banco em Lisboa,
receberam este incentivo no sentido de endurecerem a luta fermentada por
situações revoltantes. Se alguém se perturbar e optar pela violência, não me
causará surpresa.
O governo tem-se esquivado,
inabilmente, de fortes responsabilidades que lhe cabem no caso. De resto,
ofereceu em bandeja de platina ao Sr. Carlos Costa um segundo mandato na
governação do Banco de Portugal pelos serviços oficiosos por ele prestados. O objectivo da deliberação foi obviamente uma
desajeitada tentativa de demonstrar que a autoridade do governo, sobre o caso BES /
Novo Banco, era nula.
Há, todavia, outros focos de
análise aos centros de responsabilidade: (i) a injecção de 3.900 mil milhões de
euros em fundos públicos no Novo Banco emanou de um acto governativo; (ii) a escolha do
ex-ajudante – no léxico cavaquista – do Ministério da Economia, o beirão Sérgio
Monteiro, para a venda do Novo Banco (um insucesso de Costa e sua equipa) foi
assumida pelo BdP, mas o verdadeiro decisor da matéria foi o governo de Passos
e Portas.