quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Para o registo do escatológico caso BES: a pensão de Salgado & Administradores Associados

Temos uma direita social e funcionalmente estruturada para o mal. Sob o halo da injustiça social, da protecção dos inimputáveis, mesmo em relação a autores de gravíssimas infracções à lei e avultados prejuízos causados aos cidadãos, a direita portuguesa, sob as ordens de Cavaco, Passos e Portas, tem-se esmerado, de facto, em afirmar-se como abjecto instrumento de produção de excrementos com que vive em estado de sublime volúpia do despudor.
Notícia fresquíssima do ‘Expresso’:
“Antigo líder do Banco Espírito Santo vai passar a receber uma pensão mensal de 90 mil euros, o triplo do que recebe hoje…… Só Ricardo Salgado recebe retroactivos de um milhão de euros, diz ainda a TVI. E a partir daqui receberá uma pensão de cerca de 90 mil euros por mês, o triplo dos 29 mil que recebia até aqui.Além de Ricardo Salgado, há mais dez antigos gestores do BES beneficiados por esta decisão. A TVI cita os nomes de Rui Silveira, José Manuel Espírito Santo, João Freixa e António Souto, e ainda a viúva de Mário Mosqueira do Amaral… também José Maria Ricciardi [um homem com quem Passos Coelho compartilha a mesa de refeições… e talvez a mesma gamela] receberá uma pensão nos mesmos moldes quando reformar.”
Os ‘Lesados do BES’, que hoje se manifestaram pela enésima vez junto à sede do Novo Banco em Lisboa, receberam este incentivo no sentido de endurecerem a luta fermentada por situações revoltantes. Se alguém se perturbar e optar pela violência, não me causará surpresa.
O governo tem-se esquivado, inabilmente, de fortes responsabilidades que lhe cabem no caso. De resto, ofereceu em bandeja de platina ao Sr. Carlos Costa um segundo mandato na governação do Banco de Portugal pelos serviços oficiosos por ele prestados. O objectivo da deliberação foi obviamente uma desajeitada tentativa de demonstrar que a autoridade do governo, sobre o caso BES / Novo Banco, era nula.
Há, todavia, outros focos de análise aos centros de responsabilidade: (i) a injecção de 3.900 mil milhões de euros em fundos públicos no Novo Banco emanou de um acto governativo; (ii) a escolha do ex-ajudante – no léxico cavaquista – do Ministério da Economia, o beirão Sérgio Monteiro, para a venda do Novo Banco (um insucesso de Costa e sua equipa) foi assumida pelo BdP, mas o verdadeiro decisor da matéria foi o governo de Passos e Portas.


A este complexo e excrementoso mundo do caso BES, juntou-se agora o Instituto de Seguros de Portugal. Trata-se de instituição autónoma em relação ao BdP e dependente do governo. Foi incumbida de presentear arguidos de luxo e tendencialmente inimputáveis com pensões de valores ofensivos, de tão elevados. Envergonham qualquer cidadão que pactue a sua vida por princípios de seriedade e ética.
Trata-se igualmente de ignóbil ofensa a cerca de 2 milhões de cidadãos a viver no limiar da pobreza e na  miséria, núcleo em que se inclui 1/3 das crianças portuguesas. 
Neste meu pequeno e modesto recanto, antecipei-me bastante ao Banco de Portugal para denunciar os privilégios de que Salgado beneficiou de gente do poder político e da justiça – este‘post’ publicado em 5 de Fevereiro de 2013 é prova das minhas iniciativas prematuras em relação ao escândalo em desenvolvimento; causas ocultas mas imagináveis levaram a que o BdP actuasse tardiamente, quando as empresas do grupo GES estavam falidas, quase na totalidade, e em prejuízo de muita gente poupada e de vida laboriosa e agora lesada.
Nesta hora, juntou-se ao BdP o Instituto de Seguros de Portugal, o que quer dizer que o governo está a trabalhar à pressão para socorrer os amigos de grande porte e os obedientes assessores colocados nos últimos tempos às centenas. Que falta de ética e de justiça!


( Nota: Na altura dos primeiros ‘posts’ cheguei a ser ameaçado, com pedido de encontro, por um tal Paulo Padrão, então director de comunicação do BES. Vim a saber mais tarde que era protegido pelo rubicundo Catroga… está tudo dito, o Padrão é equivalente ao arroto de 6.ª feira na Trindade, com sonoridade e a linguagem fina do Eduardo).