sábado, 14 de novembro de 2015

Paris a ferro e fogo!

Área próxima do 'Bataclan'
Paris está a ferro e fogo! E como meu amo Paris. Iniciei essa relação de amor, depois de assistir, na adolescência, no Cinema Império, em Lisboa, ao filme "Paris já está arder?", pergunta e desejo frustrado de Hitler, ao saber da tomada da capital pelas forças dos aliados.
Quis o destino que, tempos mais tarde e durante 16 anos, ao serviço de certa empresa com capitais de origem francesa, tivesse como missão visitar Paris várias vezes por ano.
A minha adoração por Paris é indiscrítível. Conheço bem a cidade, os seus recantos e os diversos 'arrondissements' em que ela se subdivide de uma forma harmoniosa e ordenada.
Ao saber do morticínio que marcou o final desta 6.ª feira negra - a passagem de 13 para 14-11-2015 remanescerá na História como noite trágica parisiense - acedi ávido de notícias a órgãos de comunicação franceses. 
Concentrei-me no 'Libération' onde, entre outros trechos, li o seguinte:
"Homens armados abriram fogo em vários bares na capital; havia sete ataques no total. 120 pessoas estariam mortas. Quatro assaltantes morreram.
Em  discurso televisionado sexta-feira às 23:50, o Presidente da República, François Holland, decretou estado de emergência em França e o fechamento das fronteiras após "ataques terroristas". 
Informo-me através de outras fontes que, no 'Stade de France' , local onde se disputava um jogo de futebol e donde Hollande foi evacuado, um bombista suicida provocara uma explosão.
Os restantes episódios passaram-se no bar 'Le Carrilon' e na casa de espectáculos 'Bataclan', onde decorria um concerto de uma banda de 'Heavy Metal'. Tudo isto, no 10.º e 11.º 'arrondissements', nas imediações do Boulevard Voltaire. Justamente no Boulevard em que se situava um dos meus locais de peregrinação obrigatória: 'La Librairie Entropie' (Paris). 
Suceder em Paris tem um significado especial. Todavia, se fosse outra a cidade, a minha  revolta e sofrimento seriam como estão a ser, igualmente muito intensos e solidários. Surgem notícias de que os autores são (e alguns já eram) membros do Estado Islâmico. 
A infeliz Europa da era actual está submetida a perturbações e convulsões em que políticos europeus - Barroso, Blair e Asnar - em conjugação com George Bush filho deram fortes contributos para o desastre, através da desorganização do Médio Oriente e vizinhanças. Ajudaram a multiplicar o fundamentalismo islâmico (o Estado Islâmico é, em grande parte, uma emanação dos militares de Saddam que os invasores do Iraque proscreveram e subestimaram). 
Com centenas de milhares de migrantes a procurarem a segurança que não têm nas suas terras (entre quem se podem misturar os agressivos jiahdistas), a construção de muros e protecção de arame farpado a dividir países integrantes da União Europeia, tudo complementado por este tipo de ataque, que, creio, se multiplicará e distribuirá por outras cidades europeias, é legítima a interrogação: para onde vais Europa? Talvez para o precipício colectivo, admito.