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terça-feira, 19 de julho de 2011

Cavaco ou Cavoco?

O Presidente da República, no exercício efectivo do que designa por magistratura activa, não desperdiça oportunidades para dizer o óbvio, afirmar o vazio ou contraditar o que   declarou antes ou realizou quando primeiro-ministro.
É desnecessário despender muitas energias para encontrar exemplos de tais divagações. Hoje, no Instituto Gulbenkian da Ciência, Cavaco soltou mais uma vacuidade: "Espero que tenham soado as campainhas de alerta", na UE claro. A prepotente Merkel, mesmo ignorando as afirmações de Cavaco, já deu a resposta de quem manda na Europa: "Problemas do euro não se resolvem numa cimeira". 
Merkel esvaziou, assim, a esperança de Cavaco que, por força disso, pode dizer-se ter sido transformado em Cavoco.
Bem mais lúcido é o deputado europeu do PSD Paulo Rangel, ao considerar" "Não se pense que um cenário de guerra na Europa está afastado"; sustentando também que "os acontecimentos precipitaram-se e a União Europeia pode estar mesmo à beira do abismo".
Como em ocasiões anteriores registadas na História, para mal da Europa, os ventos hostis têm como epicentro a Alemanha. A ligeireza do perdão da guerra, as fortíssimas ajudas concedidas pelo PRE e a incapacidade de os deter no absurdo e egocêntrico prazer de destruição do espaço europeu conjugam-se para fazer da maioria dos alemães aquilo que Merkel representa, ou até para além desse domínio. Sem negligenciar a cumplicidade dos franceses que, desde a criação da CECA no pós-guerra, são o par ideal do nefasto eixo franco-germânico a que os países ditos periféricos, como Portugal e Grécia, têm de obedecer.  

terça-feira, 14 de junho de 2011

E. coli: A inimputável Alemanha

"Os alemães devem ser tratados como derrotados e não como libertados"

Citação feita por Tony Judt em 
'Pós-Guerra - História da Europa desde 1945 '

A frase vem-me sempre à memória, nos casos de comportamentos e discursos da sobranceria tradicional alemã; tornada frequente e refinada no consulado da chancelarina Angel Merkel. Voltou a suceder-me com as notícias à volta da  E. coli.
Hoje, foi aprovado pela UE uma ajuda de 210 milhões de euros a agricultores, em especial espanhóis, mas também portugueses lesados pelo alarme inicial e falso das autoridades alemãs. Também hoje foi anunciada a 37.ª morte, devido à estirpe assassina da bactéria: uma criança de 2 anos, de nacionalidade alemã como 35 de outras vítimas. Um sueco que permanecera na região de Hamburgo foi a única vítima estrangeira.
As autoridades germânicas, talvez na tentativa de exploração sentimentos anti-sulistas agora em voga na Europa do Norte e do Centro, começaram, pois, por atribuir aos pepinos espanhóis o papel de agentes da transmissão da bactéria nas primeiras 10 mortes, em finais de Maio último. Posteriormente, entreteram-se a desmentir e a criar outras versões, acabando por concluir que, afinal, o surto da E.Coli tivera origem interna. De início, em rebentos vegetais produzidos na Baixa Saxónia e agora na Baviera.
Primeiro, e por outros motivos já o sabíamos, o governo de Angel Merkel tem muito pouco de humanista, até em casos, como o presente, que dizimam os seus próprios cidadãos. Segundo, não se inibe de atitudes discriminatórias graves em relação a terceiros países, sem o mínimo fundamento científico.
Todavia, em final do processo, o que julgo verdadeiramente injusto é caber à União Europeia o dever de conceder subvenções aos agricultores do Sul para compensar parte dos elevados prejuízos causados pela desinformação e a incompetência alemãs. Sabemos que a PAC é a PAC, mas também que a Alemanha é inimputável.