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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

E a economia Dona Albuquerque?

A herdeira do angustiado Gaspar – 4.º da ‘troika’? Primeiro, primeiríssimo – acedeu à tribuna em Bruxelas, em seminário da OCDE. Da tímida amanuense estreante na governação, subtilmente Maria Luís Albuquerque tem-se transformado em figura sentenciosa mas limitada às finanças públicas.
De economia, cujo sistema é determinante na produção e distribuição de riqueza, nem uma palavra quanto mais ideias.
Ao fazer o expurgo da retórica financista, retivemos algumas afirmações que reproduzimos e comentamos:
“A união bancária é a prioritária das reformas na Europa.”
Poderá ser, mas a Alemanha entende que não tem prioridade nem é necessária e, assim sendo, o melhor é a Dona Albuquerque esperar sentada e longamente pela negação explícita – implícita já é – da Dona Merkel e do Herr Schäuble.
“Sobre as reformas estruturais, há que olhar com satisfação para os resultados.”
Que resultados? Estes por exemplo:
  • A dívida pública em 2013 teve um agravamento para 129,4% do PIB.
  • O PIB de 2013, com – 1,4%, registou nova contracção, a terceira desde que o actual governo entrou em funções.
  • Uma taxa média de desemprego fixou-se, em 2013, em 16,3%.
  • O défice, muito trabalhado em termos de engenharias como o perdão fiscal, tende a fixar-se em torno dos 5% - a meta inicial era de 3%, depois 4,5% e, por último, 5,5%.
  • Ter acesso ao mercado a uma taxa de 5,11% / ano, para a dívida a 10 anos, ao passo que a Irlanda para idêntico prazo paga cerca de 3,20%.
Outro expediente é simular um dilema da escolha entre o ‘programa cautelar’ ou ‘saída limpa’, sabendo, de antemão, que Alemanha e seus acólitos mais chegados (Áustria, Finlândia e Holanda) não demonstram vontade de apoiar o ‘cautelar’ – o Ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, denunciou sem tibiezas que a ‘saída limpa’ do seu País havia sido a reacção às demoradas indefinições da CE e infalível intrusão do BCE na governação do País a que o 'programa cautelar' conduziria.
Outro factor decisivo para a opção irlandesa: a evolução da economia que, digo de novo, nem uma palavra merece à Dona Albuquerque.
E se imaginam fazer crescer a Economia de Portugal com base em baixos salários e exportações, há gente muito habilitada a contrariar a ideia. De facto, o PIB em 2013 melhorou de – 1,8%, previsão do governo, para – 1,4% com considerável contributo da Procura Interna (Consumo Privado, em especial).
A "Aeconómica" Maria Luís Albuquerque no discurso do curto e do óbvio. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os juros da dívida e comunicação social ao ritmo do ‘rock psicadélico’

O 'sobe e desce' dos juros
A melhor ‘metáfora musical’ para caracterizar a reacção e noticiários da comunicação social (CS) portuguesa em relação a oscilações dos juros da dívida pública portuguesa, a meu ver, é o ‘rock psicadélico’. O estilo surgiu no final dos anos 1960 e sobreviveu.
O ritmo e movimentos – para cima, para baixo – são intensos, frequentes e reflectem sentimentos prenhes de subjectividade, loucura, obsessão e alucinações que jornais, revistas e TV’s portugueses revelam com frenesim.
Compreendo tais comportamentos, até como actos de solidariedade com os sofrimentos de Maria Luís Albuquerque e seus companheiros de caminhadas financeiras, dos quais se destaca Moreira Rato presidente do IGCP. O fenómeno da subida, descida, subida das taxas das obrigações portuguesas é mais um adensar do dilema: ‘programa cautelar’ ou ‘saída limpa’?
O que, para mim, é verdadeiramente é inaceitável é ler, ver e ouvir na CS declarações entusiasmadas quando os juros da dívida a 5 ou 10 anos descem 0,015%, verificando com frequência que, no dia seguinte, a euforia esvai-se e surge uma espécie de sofridos desabafos, porque os juros regressaram a cotações em alta. Apesar do que diz o ‘Expresso’, é o que está a suceder hoje, com os juros de todos os prazos, destacando-se os aumentos de +1,58% (4,121%) e +0,82% (5,065%) para juros de dívida a 5 e 10 anos, respectivamente.
A barreira ‘psicológica’ dos 5% não foi ultrapassada a caminho dos 4 e tal porcento, como ontem se afirmava na SICN. E o melhor, senhores jornalistas, se quiserem ser rigorosos, é prestarem a informação sem descuidadas interpretações e análises infundadas.
No final do jogo, saber-se-á o resultado e esse acontecerá em fins de Abril ou no máximo na 1.ª semana de Maio. E para cúmulo, a Madeira já não é um jardim.