terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os juros da dívida e comunicação social ao ritmo do ‘rock psicadélico’

O 'sobe e desce' dos juros
A melhor ‘metáfora musical’ para caracterizar a reacção e noticiários da comunicação social (CS) portuguesa em relação a oscilações dos juros da dívida pública portuguesa, a meu ver, é o ‘rock psicadélico’. O estilo surgiu no final dos anos 1960 e sobreviveu.
O ritmo e movimentos – para cima, para baixo – são intensos, frequentes e reflectem sentimentos prenhes de subjectividade, loucura, obsessão e alucinações que jornais, revistas e TV’s portugueses revelam com frenesim.
Compreendo tais comportamentos, até como actos de solidariedade com os sofrimentos de Maria Luís Albuquerque e seus companheiros de caminhadas financeiras, dos quais se destaca Moreira Rato presidente do IGCP. O fenómeno da subida, descida, subida das taxas das obrigações portuguesas é mais um adensar do dilema: ‘programa cautelar’ ou ‘saída limpa’?
O que, para mim, é verdadeiramente é inaceitável é ler, ver e ouvir na CS declarações entusiasmadas quando os juros da dívida a 5 ou 10 anos descem 0,015%, verificando com frequência que, no dia seguinte, a euforia esvai-se e surge uma espécie de sofridos desabafos, porque os juros regressaram a cotações em alta. Apesar do que diz o ‘Expresso’, é o que está a suceder hoje, com os juros de todos os prazos, destacando-se os aumentos de +1,58% (4,121%) e +0,82% (5,065%) para juros de dívida a 5 e 10 anos, respectivamente.
A barreira ‘psicológica’ dos 5% não foi ultrapassada a caminho dos 4 e tal porcento, como ontem se afirmava na SICN. E o melhor, senhores jornalistas, se quiserem ser rigorosos, é prestarem a informação sem descuidadas interpretações e análises infundadas.
No final do jogo, saber-se-á o resultado e esse acontecerá em fins de Abril ou no máximo na 1.ª semana de Maio. E para cúmulo, a Madeira já não é um jardim.