terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O valor simbólico e estratégico da TAP

A TAP é parte integrante do sentimento de orgulho e devoção à Pátria, características do patriotismo agregador da ligação dos portugueses ao País, independentemente dos lugares geográficos onde vivem, interna ou externamente. A companhia aérea portuguesa, pela expansão internacional alcançada e como elo de ligação da diáspora, transformou-se, pois, em veículo estratégico e símbolo intransmissível do património nacional.
Na Europa, com segmentos crescentes das sociedades a exalar revivalismos nacionalistas – na Suíça, em França, na Alemanha, na Áustria e até em franjas do eleitorado grego – deve cuidar-se do rigor das ideias. Ser patriota é coisa bem distinta do nacionalismo como fundamento ideológico de movimentos radicais, onde, desde sempre, se incrustaram o fascismo, o nacional-nacionalismo e a xenofobia.
A venda da TAP, de que o governo não desiste, é um óbvio acto antipatriótico e lesivo para os interesses de Portugal no mundo. Se concretizada, os responsáveis de primeira linha são Passos Coelho e Paulo Portas, dois farsantes patriotas.
Às suas ordens, estão oportunistas – Manuel Pinto Barbosa e Borges de Assunção, entre muitos mais – e os tecnocratas de negociatas, o ministro Pires e o secretário de Estado Monteiro.
Fernando Pinto, embora lhe deva ser reconhecido o mérito na condução da companhia e o demérito de ter adquirido uma empresa de manutenção de aeronaves ex-Varig, de volta e meia, a meu ver sem legitimidade, também defende a alienação da TAP – o propósito de venda ao judeu-polaco-colombiano-brasileiro Efromovich chegou a ser vergonhoso. Acima de tudo, a um gestor representante do Estado accionista, não se admite que expresse ser favorável, quanto mais interferir, na venda de um valioso símbolo nacional.
A TAP, foi dito por inúmeras vozes e vezes, com o valioso ‘hub’ (plataforma) de Lisboa, tem de ser avaliada para além de manobras de engenharia financeira. 
O valor da companhia aérea nacional não é mensurável apenas no plano das finanças ‘tout court’. As mais-valias, na satisfação do interesse público e mesmo financeiras, constituem factor determinante para a manutenção da empresa nas mãos do Estado Português – goste a UE ou não, façamos o que outros países têm feito em relação a directrizes que, à partida, são inexoráveis apenas para os mais frágeis.
Para desmistificar a falácia de que a venda da TAP é um desfecho inevitável, tome-se em consideração alguns números citados pelo ‘Público’ e outros órgãos da imprensa:


Além de censurável acto antipatriótico, nem do estrito ponto de vista económico-financeiro o governo consegue ter razão. Explicação: é o desfazer do património do Estado a qualquer preço, privilegiando a fidelidade vil e servil à ideologia neoliberal em detrimento da própria soberania do País.