domingo, 9 de fevereiro de 2014

Se é sexagenário e reformado esbulhado, vá para o Brasil


Extracto de notícia do ‘Folha de São Paulo’, edição de 9 de Fevereiro de 2014:
Uma discussão tem sido travada nesses últimos anos de mercado de trabalho aquecido: o Brasil vive ou não situação de pleno emprego. Ao menos para os mais velhos, tal condição é uma realidade.
Aqueles com mais de 60 anos que procuram emprego encontram facilmente.
O total de pessoas ocupadas nesse grupo etário cresceu 6,8% entre o segundo trimestre de 2012 e o mesmo período de 2013, segundo levantamento feito pela Folha a partir da nova Pnad contínua, que abarca 3.500 municípios.
Foi, de longe, a faixa etária que mais avançou: mais de cinco vezes a média (1,1%).
A taxa de desemprego para o grupo maduro caiu de 2,2% para 1,8% nesse período. Ou seja, de cada 100 pessoas com mais de 60 anos dispostas a trabalhar, apenas 2 não acham vaga.
Três são os motivos para o aumento do emprego entre os mais velhos: o envelhecimento da população, a procura por mão-de-obra mais qualificada e com experiência e as regras para aposentadoria que penalizam quem para de trabalhar mais cedo.
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O mercado de trabalho rege-se, claro, pelos princípios e regras do mercado; ou seja, por parâmetros móveis, voláteis e contraditórios. A justificação é a mesma para determinada situação e para o seu inverso – é conforme convém.
Em Portugal, e na Europa em geral, as causas da ‘emigração da juventude’ assentam no argumento da falta de oportunidades de trabalho, no país de origem, para as gerações mais jovens e qualificadas que se lançam massivamente na emigração.
No Brasil, segundo o jornal ‘Folha de São Paulo’, os mais idosos, com mais de 60 anos, são quem tem maiores oportunidades de trabalho – a taxa de desemprego, nessa faixa etária diminuiu.
Curiosas são as explicações: “procura de mão-obra mais qualificada e com experiência”. Também é factor importante, lá como cá, que as condições de reforma penalizem mais quem se retira mais cedo da actividade.
Vivemos, de facto, num mundo de contradições estonteantes. Nem Krugman, Stiglitz, Roubini ou Jeremy Rifkin as conseguem deduzir e conceber teorias.
Consideradas as oportunidades de retomar a actividade, os sexagenários portugueses, espoliados pelo governo nas reformas e pensões, e caso estejam em condições de saúde favoráveis, têm aqui uma solução: emigrem e vão trabalhar para o Brasil, justamente pelas mesmas razões dos jovens portugueses que já lá estão: mais qualificação.