domingo, 2 de fevereiro de 2014

Paulo Portas is ‘back’

Na Convenção Nacional do Partido Popular (PP) espanhol, em Valladolid, a presença portuguesa assimilou-se a um ‘sketch’ de comédia política. O representante do maior partido da coligação governamental (PSD), Fernando Ruas, foi arrumado para os fundos da sala. Ficou na geral. Quando foi anunciando que iria falar o PM português, Pedro Passos Coelho, surgiu das primeiras filas da plateia Paulo Portas, para usar da palavra.
Com reforçada jactância e meneios habituais, o vice-PM, em jeito de incontida exuberância, exibiu as qualidades de poliglota: falou em português, castelhano e inglês – ‘Portugal is back!’ – E ‘back’ para Portas é sacramental. O mais revogado dos irrevogáveis ministros portugueses, com garbo e pujança, demonstrou ao galego Rajoy e companheiros que estava ali para tonificar de euforia a audiência.
Das frases que mais entusiasmaram a sala, destacou-se esta:
O Portas populista, e sem ponta de vergonha do incumprimento de promessas feitas aos eleitores reformados, pensionistas e contribuintes, está de regresso (is back). Claro que a um populista, por falta de decoro, não é difícil omitir os gastos com a compra dos submarinos e outros equipamentos militares em processos nublosos, nem o caso ‘Portucale’ em que tiveram envolvidas figuras gradas do CDS-PP – naturalmente, com a sua conivência – e que deu origem à célebre lista de verbas doadas ao partido, a tal do Jacinto Leite…
O triste auditório animou-se com o ‘entertainer’ Portas, esquecendo por momentos, que Espanha poderá estar à beira de um processo de fragmentação, com a eventual independência da Catalunha, à qual poderão seguir-se outros fenómenos de separatismo (País Basco).
Vulgaridades, hipocrisia e demagogia são os instrumentos capazes de fazer os papalvos esquecer os problemas complexos do País e das condições de vida a que estão submetidos.