sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Desemprego – noticiar o velho como novo fosse

No corpo da notícia, 1.º parágrafo, martela-se: 
“Eurostat dá conta de uma taxa de desempego de 15,3% em Janeiro, acima dos 12% da zona euro e dos 10,8% do conjunto da União Europeia.”
A informação, tal como titulada, deixa qualquer leitor satisfeito com a melhoria desse flagelo em Portugal. Trata-se, no entanto, para os mais atentos e informados da manutenção do conhecido drama, idêntico ao nível de Dezembro de 2013 – os 15,3% confirmados pelo Eurostat.
Para comprovar que se trata de uma velha novidade, propagada indevidamente como nova e satisfatória, é bom lembrar que o próprio INE, em 5 de Fevereiro, já havia tornado pública a taxa de desemprego de para o 4.º trimestre de 2013, conforme o quadro a seguir exibido:



Em vez de estimular falsas euforias, é princípio da mais elementar ética da comunicação social informar com rigor, sem escamotear ou enviesar análises estatísticas relativas a um sofrimento social de centenas de milhares de portugueses. Mais de um milhão, segundo algumas fontes.

De referir também que tanto o Eurostat como o INE trabalham condicionadamente os números do desemprego, sem que uma outra qualquer entidade oficial, até à data, tenha divulgado com rigor a quantificação dos desempregados de longa duração, os não activos na procura de emprego, qual o impacto no pretenso decréscimo de cerca de 3 centenas de milhares de emigrantes que deixaram o País desde 2011.
A interpretação de séries estatísticas, isolada de outros factores de contexto, é sempre susceptível de conduzir a conclusões erróneas. Como afirmava há muitos anos um político francês, ao dizer-se que em França são consumidos X litros de leite ‘per capita’, fica-se sem saber quantos litros são consumidos pelos cães dos ricos e quantos litros não são consumidos pelos filhos dos pobres.
No fim de tudo isto, e mesmo assumindo que 15,3% em Janeiro seria uma taxa que, de facto, englobasse todos os desempregados, esse percentual confirma que há 4 meses, em termos criação de emprego, a Economia Portuguesa manteve-se estática, verdade que o sensacionalismo dos noticiários jamais consegue negar.