sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Gaspar no FMI – valeu a pena lesar o povo português

Uma equipa sacrificial, diria Cavaco
Na farsa de há dias do CCB, ao lançar o livro de entrevistas de Maria João Avillez, de autopromoção pessoal e de certas lamúrias de Gaspar, é de imaginar que este figurão já tivesse acertado com a Sra. Christine Lagarde o ingresso no FMI, como Director dos Assuntos Orçamentais.
Tratar-se-ia de uma fase normal da carreira profissional de Gaspar, como de qualquer outro cidadão. 
Todavia, há factos sórdidos e relevantes que explicam esta escolha do FMI: o fervoroso zelo com que Gaspar se aplicou para não ser o quarto, mas sim o primeiro homem de confiança da sinistra organização de Washington na aplicação do implacável programa de austeridade aos portugueses que, para ele, nada contam em termos de direitos fundamentais de cidadãos. 
O Tribunal Constitucional mitigou a malvadez imensa do tortuoso chefe da ‘troika’ disfarçado de defensor dos interesses nacionais; porém, por justificáveis motivos, não o conseguiu impedir de ser propulsor de elevadíssimo número de insolvências, taxas de desemprego altíssimas, penalização sem complacência dos ganhos de reformados, pensionistas e assalariados… enfim transfigurou um País que, por mais disfarces que o governo utilize, saiu da bancarrota para ficar a milímetros dela.
Sem a menor dúvida, a “grandiosa” obra de Gaspar – o ministro de finanças que decidiu de uma única vez o maior aumento de impostos directos e indirectos da História de Portugal – continuada pela amanuense Albuquerque lado a lado com Portas – um sabichão de finanças públicas; a “grandiosa” obra de Gaspar, dizia, sustentada nos habituais insucessos e saques de juros do FMI, jamais consegue garantir o regresso de Portugal aos mercados de forma autónoma na próxima década, a fim de obter empréstimos a taxas nem sequer parecidas quanto mais idênticas às da Irlanda.
Da destruição de empresas, empregos, famílias e perda de milhares de idosos e jovens entretanto emigrados, Portugal terá de penar mais de uma década para garantir aos seus cidadãos uma vida decente: este estilo de vida, mas sofisticado, fica para Gaspar em Washington e para mais uns quantos privilegiados dispersos por lugares em sociedades estatais e outros serviços cuja utilidade nem sequer se percebe – Jorge Braga de Macedo, por exemplo; alguém sabe quanto ganha e o que faz?
Gaspar vai em paz, mas vira lá os teus orçamentos para outros lados.