quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O governo dos 'Passos Perdidos'

Ao ler a frase no 'Público', franzi a testa com surpresa e interroguei-me: - Ele disse mesmo isto ou o jornalista escolheu uma figura de estilo de qualidade estética discutível? Querem ver que o canal do Panamá é agora um meio de transporte de navios?! - acrescentei de mim para mim.
Bom, este intróito, verdadeiro, serve apenas para nos pacientar o espírito, em relação ao drama adiante focado.
Ao jeito do texto do 'Ciberdúvidas', o governo tem percorrido trajectos que o levaram mesmo à situação de "passos perdidos', literal e figuradamente".
Desde do início, a governação de Passos, Portas & Cia. optou por um programa desastroso do ponto de vista social, económico e financeiro: levou milhares de portugueses ao desemprego e outros milhares a emigrar; criou as condições ideais para a multiplicação de insolvências, também aos milhares, de Norte a Sul; alienou e continuará a alienar o pouco que nos resta (TAP, Águas de Portugal e mais qualquer coisa) dos sectores estratégicos para a economia do País; recebeu cerca de de 8.000 milhões de receitas dessas alienações, ou seja, à volta do valor dos milhões de euros dos juros anuais com a dívida pública nacional (7.822,3 M); dívida que, em 2013, representou 129,4% do PIB. 

No entanto, embora Passos Coelho comece a carpir lágrimas, ainda se festeja, no seio do governo e seus acólitos, a capacidade de nos endividarmos à taxa de 5,11% ao ano - a Irlanda, já o disse, paga cerca 3,30% por empréstimos do mesmo prazo (10 anos).
À semelhança de Pina Moura que enxameou o país de fábricas de calçado e têxteis com elevados incentivos de dinheiros públicos, para depois encerrarem e se deslocalizarem, Passos crê com fé inabalável na "trilogia divina" do canal do Panamá, da profundidade das águas de Sines e daquilo a que chama "a centralidade da Europa" no milagre do investimento externo em Portugal. De investimento, externo ou interno,  e de teorias de mercado, como de muitas outras matérias, à excepção do golpe político de ex-jotinha, Passos percebe pouco mais do que nada; então, faz estas tristes figuras perante os japoneses do Tramagal.
Convenhamos que, na realidade, temos a Autoeuropa como o modelo de investimento dedicado, quase a 100% a mercados externos; talvez possamos acrescentar também a Siemens. Todavia, tem de andar-se de credo na boca para que não fujam.
Passos Coelho, com o servilismo com que se submeteu a Berlim, há-de começar entender que o seu governo está mesmo perdido, não havendo bússola milagrosa que o oriente. Chegou a hora da economia que sempre desprezou, não tem meios e se o País com Sócrates registava um débito público pouco acima dos 90%, o governo actual conseguiu elevar a dívida de mais 40%, sensivelmente. Se estávamos em bancarrota, em bancarrota permanecemos. 
Que fazer Passos? Que fazer Portas? Não tem sentido perguntar-lhes, porque não sabem. Nem sequer tomam em consciência a queda do investimento na Europa que o Eurostat publicou 28-01-2014 para a Zona Euro e UE28. O sentido fortemente descendente é impressionante. Investir pressupõe condições de mercado inexistentes em Portugal e no resto do espaço europeu.