quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Os atentados ao património cultural das cidades portuguesas

Sou lisboeta. Da Rua dos Sapateiros à da Madalena, as transversais da Vitória à Conceição, e outras zonas próximas da Praça da Figueira e imediações da Avenida, têm sido objecto de degradação da baixa lisboeta – uma imagem de sofrimento para quem ama os símbolos históricos da cidade.
Coimbra, Lisboa, Porto e outras cidades e vilas constituem o traço histórico com o passado da vida de populações. Há patrimónios humanistas materializados em edificações e lojas, algumas centenárias, em condenável extinção.
As autoridades, sejam do poder central ou local, têm a obrigação da preservação desse património. Todavia, cedem, submissos, a interesses financistas estrangeiros. Normalmente à ganância de corruptos e, nos tempos que correm, oriundos de países emergentes.
Os símbolos do passado e os ícones históricos ficaram à mercê do dinheiro da imundice. Mudança facilitada pelos vistos ‘gold’ e outros instrumentos, de que se ufana o político mais demagógico e desonesto intelectualmente – só? - da democracia, Paulo Portas – e Passos Coelho, um homem sem vínculos de raiz ao País, é precioso avalista da sanha destruidora.

Citemos países de origem de investidores mais dinâmicos: Angola (133º), Rússia (127º), China (80º) e Brasil (72º), onde prevalece o camartelo da corrupção impudente, à custa, afinal de contas, de imensas populações de seres humanos, a viver na mais dura das misérias e privadas de direitos elementares, como o direito à alimentação e a cuidados mínimos de saúde – os ordinais entre parêntesis indicam a classificação de cada país citado no ‘ranking’ da Transparency Internacional (Portugal está no 33º ligar).
Um grupo russo, assessorado por João Pereira Rosa, ex-presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, desleal aos interesses nacionais, denunciou o contrato de arrendamento da histórica ‘Ginginha – Eduardino’, com 120 anos de existência e que é, como outras raridades, um estabelecimento emblemático e de interesse turístico da cidade.
Os menos culpados nesta trama são os russos. O sangue contaminado pelo vírus da Máfia tem origem na sua terra e aí deveria ser julgado.
Analisadas as causas em terra portuguesa, as responsabilidades começam na ‘lei do arrendamento’ da angolana Assunção Cristas – pertence à leva de retornados na governação actual – e com muita gravidade ao presidente da CML, António Costa, assessorado pelo privilegiado vereador Manuel Salgado, primo de outro baptizado pelo sacrossanto sal da banca.

Se é que o PDM ainda tem está vivo, espero e apelo para que a CML ponha os pontos nos ‘is’. A não ser assim, a outra Ginginha, no Largo de São Domingos, a Tendinha no Rossio, a Brasileira do Chiado, o Café Martinho (de Fernando Pessoa), serão jóias tratadas como ‘lixo’, como sucedeu no passado aos Irmãos Unidos, a outros restaurantes e tascas que, do Martim Moniz à Rua dos Correeiros, se esfumaram por corruptos incendiários, com a lamentável conivência de políticos, da esquerda à direita.