quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

União Bancária Europeia – uns sonham, os alemães decidem

O símbolo do poder
De Maria Luís Albuquerque, em discurso idealista e talvez impulsionada por misticismos, na AR, ‘Colóquio sobre a União Bancária (UB) e Financiamento da Economia’, declarou que estava encontrada a solução, a citada UB, para solucionar a concessão de empréstimos ás empresas nacionais, em condições a vigorar de igual forma em todos os Estados-Membros.
A ministra chegou mesmo a argumentar que “uma empresa idêntica” a “uma alemã” – uma Siemens portuguesa gémea da Siemens germânica, penso eu – se encontra hoje “em condições competitivas diferentes”, pois o risco da Alemanha é menor. Esta é talvez a parcela mais realista das palavras de MLA.
Por sua vez, o governador do Banco de Portugal, com outra envergadura e experiência do sector financeiro, à laia de quem parte um queijo ao meio para dizer que as duas partes têm qualidade distinta, também considerou que as instituições bancárias portuguesas (com prejuízos negativos da ordem dos – 2100 M de euros, lembro) avançaram intencionalmente neste processo de União Bancária, depois de submetidas a “um escrutínio apertado e alargado”, com auditorias a todas as áreas e a reportar imparidades que não reflectem a sua actividade actual, mas a qualidade do crédito do passado (anterior a 2008).
Segundo Albuquerque e Costa, tudo vai bem no reino da banca e falta apenas a União Bancária. Com automatismos estimulados por sinais biológicos e a facilidade de quem tem dinheiro depois de ser totalista no ‘Euromilhões’, o País inteiro entra, acreditam eles, em frenética euforia. Vê abrir fábricas de tudo e mais alguma coisa, milhares de hectares lavrados a produzir muito mais que a vinha e a simples azeitona da nossa actual felicidade, a saída e regresso de numerosa frota de pesqueiros que, nas redes ou a gancho, vão encher as nossas lotas desde o ‘joaquinzinho’ ao corpulento atum.
Aviões e navios, na partida levarão os produtos portugueses ao mundo tinteiro. Regressarão vazios, excepto os meios aéreos cheios de estrangeiros a cobiçar o que é português e emigrantes que, neste sucesso económico de dimensão indescritível, regressam à pátria para um empreendedorismo sem semelhança no universo, fruto da União Bancária.
Este é um sonho dos tais que ficamos desiludidos quando despertarmos para a realidade; a qual, infelizmente, é bem diferente do projecto de União da Bancária em que MLA e Carlos Costa acreditam. Sem valorizar, como deveriam, a posição alemã, de que, mais do que Merkel, é da esfera de decisão do Sr. Schäuble.
Ainda em recente reunião em Bruxelas, Schäuble, o amigo do nosso Gaspar – o 1º nunca o 4º da ‘troika’ – deixou no ar esta ideia, transmitida através do Wall Street Journal:
Um Tratado Intergovernamental, interprete-se, é uma exigência alemã. O ‘Der Spiegel’, no início de notícia de 16 de Dezembro passado, dizia:
Portanto, a União Bancária, se vier a ser criada, obedecerá aos condicionalismos, prazos e poderes que a Alemanha ditará. Esta é a realidade. O resto são ilusões com que MLA, Carlos Costa e alguns mais contentam o ego e preenchem os sonhos cor-de-rosa.