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quinta-feira, 13 de março de 2014

Uma 5.ª feira iluminada à luz de velas

Os jargões irritam-me. Parte significativa de jornalistas e comentadores económicos, se as bolsas tiveram uma queda, e se estamos, por exemplo, a um fim-de-tarde de 5ª feira, vão-se desenfreados aos títulos dos jornais ‘online’ ou à edição em papel e zás, força no jargão:
5ª Feira Negra
Isto, mais a mais em Portugal, é partir do falso pressuposto de que a maioria do povo é investidora bolsista, sentindo-se feliz ou infeliz, conforme as oscilações em alta ou em baixa das cotações das acções dos Bancos e de outras sociedades do PSI-20 que pagam impostos na Holanda.
Quando, em vez de negra, ocorre uma 5ª feira à luz das velas falam discretamente ou omitem mesmo a dimensão e as implicações de dificuldades e reveses.
Hoje, por exemplo, tivemos uma “5ª Feira à Luz das Velas” e há temas que a comunicação, além da divulgação difusa ou omissa, deveria informar com profundidade. Vamos a factos:
O governo parece ter reagido com surpresa e mal-estar – estava no ‘papo’ terá pensado a equipa governativa. O pior é que o sinuoso Cavaco, um dia decide num sentido e no outro inverte inadvertidamente a marcha, é personalidade instável, sujeita a bipolaridade. Apeteceu-lhe embirrar com o governo e, sem hesitações, decidiu vetar uma medida exigida pela ‘troika’ que pretende sobrecarregar com + 1% o desconto dos trabalhadores do Estado para ADSE. Resolveu alinhar com o movimento “Que se lixe a troika!” e, assim, pouco se falou do manifesto da reestruturação da dívida, em especial do afastamento de Sevinate Pinto e Vítor Martins.
O governo reagiu como é habitual: teimando. Ao que se diz, vai enviar o diploma tal qual para a AR e, pensam Passos e Portas, o PR acabará por promulgá-lo.
Economia irlandesa contraria expectativas dos economistas e contrai 2,3% no 4º T - 2013 
Divina bússola orientadora da nossa caminhada para a felicidade e inspiradora da ‘saída limpa’ de Passos Coelho, a Irlanda modelar e amiga deu um trambolhão enorme no desempenho económico no último trimestre de 2013 – estava programado um crescimento de + 1,0% e, afinal, o PIB caiu – 2,3%. É obra.
Se o FMI que trabalhou arduamente na previsão não falhou – o FMI nunca falha! – pergunta-se afinal quem cometeu o erro? Lida a notícia, fica a saber-se que a responsabilidade da queda isenta todo e qualquer economista ou ministro, mesmo o das finanças que ontem, salvo erro, esteve em Portugal em alegre confraternização com o nosso PM.
Fica a saber-se também que as culpas se centram na indústria farmacêutica – estou a escrever com seriedade e em respeito pelo que li. Penso, e isto já é congeminação minha, que na ‘Pfizer’ irlandesa o equipamento de produção e de embalamento do ‘Viagra’ teve uma grave e prolongada avaria; de tal intensidade que imediatamente, no trimestre, se regista uma quebra do PIB de - 3,30% = [(+1,0%)-(-2,30%)] em relação ao previsto. Aos complexos problemas de impotência sexual de parte dos irlandeses e de cidadãos de países destinatários da exportação do ‘Viagra’, junta-se este desgraçado tombo do PIB. É tudo a cair para baixo, como dizia o outro.
Não somos a Grécia. Se deixarmos de ser a Irlanda, afinal quem somos nós? Estamos à beira de crise do antiépico? Basta de crises!
Segundo informação fiável – Investing.com – os juros portugueses hoje fixaram-se em 4,617%. Lá lixaram as contas ao Manchete. Sim, porque para ele, é muito estimulante acertar no volátil jogo dos juros, como quem joga no Euromilhões.
Entretanto, na comunicação social, ao contrário do que sucede nas descidas, não li nem uma palavra. Refiro-me aos diversos órgãos de imprensa que leio diariamente. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Juros da dívida em 2013: 4,3% do PIB – renegociação, 2.º resgate ou bancarrota?

Vítor Gaspar, impingido aos portugueses como sábio de finanças públicas, era – sim era, porque já não é – o homem providencial para arrumar as contas do Estado Português.
O 1.º orçamento anual, cuja autoria é exclusivamente sua e da equipa do Ministério das Finanças que chefia, de execução em execução orçamental tem sido um desastre.
Quando interrogado sobre perspectivas futuras das contas públicas, sempre se escudou na desculpa de não ter o hábito de especular sobre o futuro e variáveis que, alegou sempre, não conhece.
Este comportamento é próprio de um incompetente ou de um irresponsável. Independentemente da dimensão e complexidade da entidade ou sector que lhe está cometida, a actividade de um gestor não se concentra no passado nem no dia que passa. É justamente o futuro e a visão que é capaz de urdir para o futuro que distinguirão o bom ou mau desemprenho.
Obstinado na ideia oca de regressar aos mercados em 13 de Setembro de 2013, e com a cumplicidade natural de um PM impreparado e forçado a delegar sem saber bem o quê, Gaspar revela-se incompetente,teimoso na asneira e prejudicial à pátria.
O orçamento de 2013, com 7,2 mil M € para pagar, e de cumprimento mais do que duvidoso, é mais uma peça a exigir a negociação da dívida – sem esquecer os 4 mil M de € que nos últimos dias tanta controvérsia suscitaram.
Esqueçam as divisões partidárias e a segmentação esquerda-direita. É o interesse nacional que está em causa.  Se possível, os senhores do governo usem o bom-senso e empreendam com ligeireza e eficácia as acções necessárias à renegociação da dívida. Sem o complexo de ter sido a ala esquerda da AR a pioneira na defesa dessa solução. Caso contrário, um segundo resgate é inevitável ou o fatal destino de irmos para o buraco.