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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Afinal a renegociação da dívida é possível!

Ontem, no debate sobre o projecto do PCP favorável à renegociação da dívida, o imberbe e simultaneamente barbudo deputado João Almeida, cujo trajecto de dirigente desportivo é marca de personalidade pouco recomendável, viu destruídos os frágeis e falaciosos argumentos utilizados para combater o citado projecto. Dissertou erroneamente sobre a Grécia, usou Cuba em estilo de propaganda, como argumentos da impossibilidade de Portugal renegociar a dívida externa. Tal como a Grécia e a Irlanda, ou outro país da zona euro, presumo.
O discurso do inexperto deputado nem mereceria a mínima atenção, se o partido a que pertence, CDS, não integrasse o actual governo e não tivesse a obrigação efectiva de defender os interesses do País. Como outros, a sua postura é redutora: tomar como dogma o memorando da troika, de que os "centristas", com PS e PSD, foram signatários.
Os resultados da cimeira de hoje em Bruxelas, divulgados pela imprensa nacional e internacional, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, demonstram que afinal a renegociação da dívida é possível, admitindo-se até a possibilidade de incumprimento parcial da Grécia. E o que ficar estabelecido para a Grécia, acentue-se, é aplicável a Portugal, à Irlanda ou a qualquer outro Estado-Membro da zona Euro - o Chipre já emitiu sinais de alarme para ajuda.
Na cimeira da zona euro de hoje, lembre-se, foi decidida a prorrogação do prazo de reembolso de empréstimos pelo FEEF de 7 para 15 anos, à taxa de 3,5% em vez dos 5,6% iniciais. Trata-se de uma autêntica reestruturação da dívida, concretizando objectivos da renegociação propostos pelo PCP.
O titubeante primeiro-ministro também não sai ileso desta contenda, atendendo a que,   olímpica e gratuitamente, afirmava com volátil convicção que o seu governo rejeitava a renegociação. 
A distância entre o que dizem antes e o que sucede depois é, por si só, inequívoca prova de falta de mérito e capacidade dos políticos que nos governam e têm governado. Sigamos em frente, porque Merkel e Sarkozy são quem manda. Os outros são arraia-miúda.
(Obs.: Não sou militante e nem sequer votante do PCP, mas sinto-me incapaz de  acomodação à falácia e á incompetência de políticos que fazem impender sobre as nossas vidas as dificuldades que sabemos; pensando que sabem e ordenam para além do que conhecem e podem) 
   

terça-feira, 12 de julho de 2011

Conversa da treta

Van Rampuy e Passos Coelho  
Estas duas sumidades encontraram-se hoje em Lisboa para debater Portugal, a Europa e o Euro. Ignora-se o que falaram. Contudo, pelos relatos da imprensa, imagino ter sido uma 'conversa da treta'.


"As medidas da UE são positivas, mas podem não ser suficientes"

Que medidas adicionais pensa o Senhor Primeiro-Ministro tomar? Sabendo da sua veia neoliberal e anti-social, não é descabido desconfiar da obstinação por políticas tendentes a aumentar os 18% de taxa de pobreza da população portuguesa, a qual,  sem ajuda das prestações sociais do Estado, atingiria 43%.
O Boletim de Verão de 2011 do Banco de Portugal prevê dois anos consecutivos de recessão, quebra de 2,0% do PIB em 2011, admitindo-se que o número de desempregados até 2012 seja incrementado de 100.000 cidadãos. Com o zelo de ser mais austero do que o programa da 'troika', as anunciadas alterações à 'legislação laboral' e, eventualmente, novas medidas de austeridade fiscal, o actual PM colocará centenas de milhares de cidadãos e o País a viver ainda pior.


"Não é só cortar o défice, é preciso fazer crescer a economia"

Juro que estas palavras me confundiram. Imaginei que fossem de Jerónimo de Sousa ou de Francisco Louçã. Mas não, foram mesmo da autoria do Presidente do Conselho Europeu; sim do Conselho Europeu, órgão cimeiro da UE que, através da Comissão e do BCE, integra com o FMI a troika da famigerada "ajuda", cuja órbita está traçada justamente à volta da redução do défice, da reabilitação da banca e do abandono da economia à má sorte dos aumentos do IVA, da recessão, das falências e do desemprego em catadupa. Como é que este Sr.Rampuy combina a política recessiva do défice com crescimento económico?  

Enfim, a conversa entre o Van e o Coelho trouxe-me à memória "as conversas da treta" de Pedro Gomes e do malogrado António Feio; porém, essas divertiam. 

(Nota: Para terminar este dia europeu do desencanto, mais um, soube-se ao final da tarde que a  Moody's atribuíu a classificação de 'lixo' à Irlanda. O descalabro europeu não pára. A lixeira está pronta a receber outros resíduos fedorentos).