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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O problema do BES é questão de imagem?

Que imagem mais fiel poderia usar o 'Banco Novo', senão aquela de um calvo depenado a 100%? Safaram-se apenas as ténues sobrancelhas e há quem assevere que mesmo o nariz ficou praticamente sem cílios. É uma cena de 'vaudeville' e caricata: o homem espirra, os óculos saltam-lhe, lacrimeja e, em reuniões do CA, os sucessivos acidentes oculares, nasais e orais deixam os outros membros do douto conselho paralisados e mudos. Ele nunca fica de cabelos em pé e o único que foge à regra é o Moreira Rato, de olhos bem abertos , aguardando o tempo em que Bento - breve e bendito seja, roga a Deus - faça o semblante de quem sofre e anseia o regresso das energias capilares, sem sofrimento que a falta de testosterona justifica. 
Mas esta história do BES e do Novo Banco, uma farsa representada em 1.ª mão por Carlos Costa do BdP, escudada em legislação europeia de que Portugal foi cobaia, jamais ficará pelo plano patológico da imagem - mesmo que Bento seja submetido a terapia intensiva de testosterona, jamais conseguirá a erecção do  Banco Novo. 
Todas as contas, entre o velho BES e Banco Novo, são pesados obstáculos de conteúdo, nunca de imagem. E, entre muitos, sou dos que desconfiam seriamente da solução adoptada pelo BdP e que Caldeira Cabral expressou em artigo do 'Público', de que reproduzimos o o último parágrafo:

"O que é certo e sabido é que o Banco de Portugal não seguiu as melhores práticas internacionais e que, com a ajuda do Governo, comprometeu pelo menos 3,9 mil milhões de euros de dinheiros públicos nesta sua “criativa” proposta de resolução do BES."
Devido a indefinições e à fuga de depositantes, o Banco Novo nasceu vetusto. E demasiado calvo, depenado ou rapado para  ressarcir os contribuintes de 3,9 mil milhões de euros que a Dona Albuquerque e o chefe Coelho, mentirosos compulsivos, negaram afecta-los, justamente nessa qualidade: CONTRIBUINTES!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Turismo financeiro

A Ministra das Finanças, em acesa disputa com o ‘Paulinho dos Emiratos’, empenha-se a fundo no campeonato dos governantes que mais viajam – em compensação, diga-se, o MNE, o viajante supostamente mais assíduo pela natureza do cargo, fica-se pelas ‘Necessidades’… necessidades impostas por funcionamento intestinal ou das vias urinárias; incontinências que o convertem em turista contido, pronto!
Miss Albuquerque vai a Londres avistar-se com investidores, na sequência de diligências de Moreira Rato do IGCP. O objectivo é lançar novos empréstimos. Quer dizer, ordenou ao funcionário Rato que desbravasse caminho para o País continuar a avançar na dívida e sairmos demagogicamente limpos do ‘programa da troika’.
Agora na ‘city londrina’ surgirá ela, amanuense transformada em ministra de ocasião, de ar resplandecente para apor assinatura e chancela nos contratos com os leiloeiros – o presidente do IGCP já havia anunciado que a nova dívida seria objecto de leilão ou leilões.
Conclusão: afinal a estratégia deste governo não era solucionar a situação de bancarrota do anterior. Esticam e não estancam a dívida.
Segundo imagino, atendendo a que os juros estão em baixa, pensam que o melhor é continuarmos a endividar-nos – em Setembro próximo com a SEC10 que Bruxelas impõe vai haver um salto tão elevado, que é de temer a queda.
No entanto, voltando às viagens, diga-se que ir a Londres é curto. O turismo financeiro é muito exigente. E Miss Albuquerque de seguida vai até Washington para a reunião da Primavera do FMI e do Banco Mundial. São as jornadas floridas do capitalismo mundial. Será um cheirete a fertilizante orgânico difícil de suportar – é muita matéria orgânica junta.
Provavelmente Albuquerque encontrará Gaspar e – quem sabe?! – daqui a uns tempos o 1.º elemento da ‘troika’, jamais o 4.º, meterá uma cunha à Lagarde e lá vai a sua sucessora integrar os quadros do FMI. No pior pano, cai a nódoa.  

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Endividai-vos

O oráculo sentenciou: “endividai-vos meus filhos, deveis cumprir os sagrados compromissos por vós assumidos com o sindicato bancário (Barclays, BES, Citi, Crédit Agricole, Société Générale e RBS); aumentai a dívida e salvai o País.”
Maria Luís Albuquerque e Moreira Rato, depois de respeitosa vénia à divindade, benzeram-se e retiraram-se a caminho dos mercados – os tais mercados de fácil logística, onde o produto das transacções, dinheiro, é transportado electronicamente, sem necessidade de cestos, malas de compras com ou sem rodado e, ainda menos, ‘charriot’ de supermercado.
A Ministra e o presidente do IGCP exultaram de júbilo. Rato confirmou a operação aos membros do sindicato bancário, gente naturalmente na expectativa da sentença do oráculo. Cumprindo o acórdão, iniciaram hoje, bem cedo, a operação de empréstimo a 10 anos de 3.000 M de euros – a procura pelos investidores foi intensa, acotovelando-se uns aos outros.
Tubo correu bem … bem, mas a taxa de juro, 5,11% segundo a imprensa, ficou um pouco acima do que a Albuquerque e o Rato ansiavam – no mercado secundário, os títulos a 10 anos estavam cotados, às 16h00, a 5,026% / ano, comparável, como diria Gaspar, com 3,28% anuais para a Irlanda. Caramba, nunca mais igualamos a Irlanda! Como é que os nossos governantes, coitados, hão-de decidir se vamos pela via da ‘saída limpa’ ou do ‘programa cautelar’? O dilema é um sofrimento muito, muito penoso.
Bom, mas isso agora interessa pouco. No fim de 2013, já devíamos 129,4% do PIB (= 165.339 M), ou seja, a dívida pública era de 214.279 M de euros. Agora somam mais estes 3.000 M e mais uns milhares que se conseguirão dentro de meses. Vistas bem as coisas, o problema é para quem estiver à frente do país e súbditos daqui a 10 anos; ou talvez muito antes. – Connosco é que não será certamente, porque daqui a algum tempo, chova ou caia neve, partiremos leve, levemente – desabafaram as duas figurinhas de alívio suspirado.