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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O indecoroso Passos Coelho e a dureza pobreza

Fátima é um lugar de fé. De ilusões, jamais de certezas. Segundo Passos Coelho e seus acólitos presentes nesta hipócrita sessão de solidariedade social -  Dom Manuel Clemente, o cardeal de equívoco humanismo nomeado há semanas pelo Papa Francisco, provavelmente esteve presente. Todavia, mesmo que ausente, a sua alma mater, produzida a escopo desumano, reduzir-se-ia a imitação precária de mármore de Carrara. A incandescência é superficial e um fenómeno de obstrução visual.
De pedra bruta, símbolo da rigidez inflexível e severa falta de humanidade, construiu-se a falsa crença do descarado e condenável embuste de Passos Coelho; considerar os dados da pobreza em Portugal em 2013 (INE) melhorados no ano seguinte.
Concretamente, Passos Coelho negou que o índice de pobreza em 2013, 19,5% contra 18,7% de 2012, já não correspondia à situação actual.
De facto, existem informações de origens fidedignas de que esta ilação é falaciosa, Justamente por evolução em sentido em inverso ao da descarada propaganda de Passos Coelho.
Com efeito, existem números tratados por entidades fidedignas de que, em 2014, a percentagem  de portugueses em situação de pobreza já atingia cerca de 24% da população total - praticamente um ¼ dessa mesma população.
Um reles desta ordem, Passos Coelho, deveria ser compelido a provar em tribunal - Juiz Carlos Alexandre, allot, allot! – as afirmações ilusórias que a comunicação social difundiu, e das quais, uma vez mais e como no caso de outros políticos do “arco” da governação, o dito Passos Coelho,  um dos mais descarados aldrabões da nossa história recente, sairá impune.
Declaro solenemente que não receio confrontar-me judicialmente com o reles político de Massamá.
Amedronto-me tanto como em relação a Ricardo Salgado, sobre quem escrevi este ‘post’ em 5 de Fevereiro de 2013, certo de que, no altura e ainda hoje, a razão estava do meu lado .
Talvez, no jeito de suavizar a conversa, possa ser interessante citar Vinícius de Moraes que dizia:
“Não há Paz,
Não há Beleza”
e replicar, com impiedosa brutalidade, que aqui, em Portugal, nesta hora só há Merda!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Os carrascos da Comissão Europeia, contrariados pelo TC e OIT

O patriota Barroso, político de sucesso e de percurso sinuoso e extenso – do MRPP à Presidência da CE – com a colaboração activa da equipa de comissários que comanda e de onde se destaca o idiota útil Oli Rhen – sentencia a tempo e horas mais austeridade para Portugal em 2015: 1.700 milhões de cortes na despesa”.
Valerá a pena lembrar o Artigo 3.º do Tratado de Maastricht, ainda em vigor? Provavelmente não. Acenaram em 1992 com falsa ‘cenoura’: ‘coesão económica, social e territorial’, prometida aos cidadãos dos Estados-Membros. E estes foram no engodo, aguçado pelos políticos internos.
A coragem e falta de vergonha de mentir e trucidar milhares e milhares de vidas constituem componentes de um 'processo crime' de desumanidade imperdoável .
O que é mais relevante de destacar nas medidas de austeridade para 2015, altura em que já estaremos no ‘pós-troika’, segundo a linguagem cavaquista, é a CE anunciar as chamadas ‘condicionalidades’, parte integrante não confessada de um ‘programa cautelar’ ou ‘segundo resgate’ a que certamente não nos furtaremos.
A despeito das pesadas punições que aplicou, o governo de Passos e Portas fracassou nos objectivos e o resultado está à vista: exija-se mais pobreza e miséria aos portugueses, a mando de Bruxelas. Tudo isto, no desvario para alcançar 2,5% de défice em 2013, uma miragem desértica para um País que vai apresentar 5,9% - ou mais qualquer coisa em 2013 – contra os 5,5% previstos e falhará, de certeza absoluta, os 4% de défice programados para as contas de 2014.
O desplante da CE é colossal, termo vulgarizado pelo Gaspar que ‘deu de frosques’. A CE não se inibe de criticar as deliberações do Tribunal Constitucional Português. Gostaria de idêntico arrojo proferido contra os órgãos e regras constitucionais da Alemanha; país que, em matéria de políticas europeias mais consistentes e muito menos austeras, usa o expediente da lei constitucional para as rechaçar.
Os dois últimos dias foram preenchidos por intervenções pesadas de organismos plurinacionais: o denunciado apelo ao reforço de austeridade da CE para 2015 – 1700 milhões de euros é obra; e por outro lado, a vinda do Director-Geral da OIT, reforçando o apelo para aumentar o SMN e o RSI, a fim de reduzir os níveis de pobreza dos portugueses. O SMN nacional é de 565,83 euros brutos (= 485,00 € x 14 / 12). Na Irlanda, país igualmente intervencionado, o mesmo Salário Mínimo Nacional é de 1.462,00 euros.

Coesão social, económica e territorial é, portanto, uma quimera na UE e na Zona Euro, com que nos transformaram em títeres.

domingo, 11 de novembro de 2012

Afinal pobreza é mesmo profunda convicção

                                  “Vamos ter que empobrecer muito,

                                    vamos ter que viver mais pobres”

Isabel Jonet
A Jonet insiste na tese do empobrecimento. Pensei ter sido ‘lapsus linguae, como dizia o outro, mas a ideia do empobrecimento generalizado corresponde a profunda convicção.
Vamos, então, viver todos mais pobres. Teremos comida escassa em calorias, vitaminas e proteínas. Açorda, arroz com gorgulho, restos de fruta podre, com fartura, serão a essência da dieta nacional.   Nada de salários acima do mínimo – só abaixo - e de bens supérfluos. Nem a mais humilde ostentação, mesmo que seja a pulseira do ‘Senhor do Bonfim’ achada no chão da calçada. 
Jonet, de resto, está a preparar a inauguração da sede do piedoso movimento ‘Empobrecer é o nosso dever’, no concelho de Cascais. A iniciativa está a colher intensa adesão. Até homens da banca a super-merceeiros, acompanhados de mulheres, filhos, noras, genros, netos e bisnetos, apresentaram-se solícitos na formação do exército dos pobres, de trajes andrajosos, sapatos de sola esburacada, sem relógios, pulseiras e outras jóias.
O movimento está em expansão a nível nacional. O bispo D. Manuel Clemente do Porto vai decretar a extinção de todos os paramentos e ornamentos em cerimónias eclesiásticas. Será ordenado aos padres que passem a realizar os sagrados sacramentos, da missa à extrema unção, descalços  - sob autorização franciscana - de bermudas e “T shirt”. Esteja frio ou calor, chuva ou tempo seco. D. Clemente teve sucesso no convite ao trabalhador-mor da cortiça, mulher e filhas, bem como a outros ricaços nortenhos que vão renegar a fortunas de valioso capital, contas no estrangeiro, bens de luxo e avultados saldos bancários.
A nossa Jonet, na dinâmica do lançamento do movimento, já decidiu mudar de residência. Com a criançada,  vai para uma casa abarracada no bairro do ‘Fim do Mundo’ em Cascais. Terá como vizinha a D. Josefa, uma senhora cabo-verdiana, ‘badia’ nascida na Assomada, Santiago.
Ao contrário da gente do bairro, pobre e composta de diversos tísicos e outras vítimas de patologias geradoras do emagrecimento, D. Josefa é gorda, o que lhe vale alguns insultos: ‘traidora’, ‘oportunista’, ‘comes o que é teu e o dos outros’.
Coitada da senhora! Os ignorantes vizinhos não percebem que não é gordura, mas inchaço causado pela cortisona.
Jonet vai dar-se bem com a vizinha. Estou a imaginar as duas ao tanque, de tamancos, a lavar a roupa com sabão ‘Offenbach’; o azul e branco que caprichosamente se transforma em rosa e branco no  Norte. Está decidida a definhar, exibir a face da magreza e muito rugada.  Os filhos aprenderão a ser pobrezinhos, não desperdiçarão água a lavar os dentes e, daqui a uns tempos, exibirão pobres sorrisos decorados de cáries - nem água canalizada terão.