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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O maldito Tribunal Constitucional, sempre ele!

Estou certo não ser tema de ‘troika’. Essa apenas se preocupa com números e medidas restritivas do abaixamento do rendimento real dos portugueses.
O que está em causa, neste caso, é fazer retroceder o processo legislativo da adopção e co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo.
A estupidez e a ignorância são cegas. Hugo Soares, líder da JSD e seus companheiros, a que se juntaram ilustres deputados seniores – honra seja feita à excepção Teresa Leal Coelho – nem sequer em termos de processo referendário conseguem entender que a simultaneidade de duas perguntas é causa de inviabilização – o Sr. Cavaco Silva, se fosse um PR imparcial e recto, nem teria enviado o projecto de referendo dos estúpidos ‘laranjinhas’ para o TC… enfim, tolices de quem se meteu na cabeça ser génio e politicamente muito honesto.
A Assembleia da República, dado o ardil presidencial de rejeitar o veto, vai ter de transformar a proposta de referendo, segundo a decisão do TC.
O Santana Lopes, na SCML, homem muito experiente em paternidades reais, talvez se ofereça para fazer um lote de raspadinhas com um sistema binário (0 ou 1), e pensando chagar o Pacheco Pereira, irá a uma das discotecas da moda realizar com a JSD o lançamento do concurso. Que, diga-se, não terá resultados legislativos, mas trará ao Lopes as reminiscências das múltiplas e efémeras paixões do passado, sem cabelos brancos e agora mais escassos.
Tudo isto tem sentido no plano de um ‘jogo de sorte e azar’, porque a sério, muito sério, o Tribunal Constitucional, esse obstáculo aos desvios antidemocráticos, demoníaco para os ‘laranjinhas’, é a frustração vestida de negro. - Maldito Tribunal Constitucional, sempre ele – terá afirmado o Coelho ao desiludido Hugo e companheiros ‘jotas’, em jeito de conforto pela falha da golpada de contornar, com falta de hombridade, os mecanismos e métodos da democracia que detestam.   

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A igreja reaccionária e hipócrita

‘O sucessor tem de ser pior do que o antecessor’ é o lema inexorável da igreja católica portuguesa, cumprido zelosa e ridiculamente pelo patriarca Clemente, sucessor de Policarpo.
Em momento de renovação de mentalidades, refutação de processos retrógrados, desumanos e desonestos (pedofilia e Banco do Vaticano) de que o Papa Francisco procura ser, creio, o principal obreiro, a igreja católica portuguesa continua a ser um antro dominado por mentalidades reaccionárias, de que poucos eclesiásticos se demarcam – Dom Januário Torgal Ferreira, no seio do bispado português, é uma voz a pregar no deserto.
O ultraconservador Clemente defende que “os direitos das minorias” devem ser referendados. Refere-se a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Todavia, há tantas outras minorias e problemas específicos, que, então, a solução seria legislar no sentido de, a par do sorteio do fisco, referendar semanalmente os direitos de quem é verdadeiramente minoritário – p.e., o direito de uma escassa minoria, sem solidariedade social, com fugas a impostos e detentora de fortunas em paraísos fiscais, deter mais de 90% da riqueza do país, à custa da pobreza e miséria de uma larga maioria – a minoria dos responsáveis pelas empresas do PSI-20, por exemplo. Os direitos da minoria de ‘dux’, membros das C.O.P.A.’s e companheiros mentores de praxes mortais.  
O patriarca Clemente, além do mais, envereda por anacrónicos argumentos para defender o referendo. Por um lado, diz:
 “O que está em questão não é o direito de adoptar, mas o direito da criança de ter ou não ter um pai e uma mãe.”
Pergunto: as crianças, ainda mais minoritárias do que os casais de co-adopção, têm capacidade de se manifestar em referendo? Dom Clemente imagina-se a proferir homília em púlpito de igreja de aldeia, perante uma maioria de devotos octogenários, uns surdos e outros a sofrer de deficiência cognitiva.
A meu ver, que sou heterossexual e não homofóbico, seria aconselhável que, em nome dos direitos das crianças, o líder da igreja católica portuguesa ocupasse a mente com o lamaçal da pedofilia em que a ICAR está envolvida em todo o mundo, incluindo em Portugal – o assassínio de um jovem, na Madeira, praticado pelo padre Frederico, assessor muito próximo e estimado pelo então bispo do Funchal, Teodoro Faria. O recente caso no seminário do Fundão é outra demonstração de que, na igreja, a pedofilia é uma espécie de processo contínuo. Sem intermitências.