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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O governo deve ir para a rua ou sair à rua?

A rejeição e vaias, com que, quase diariamente, os membros do governo são recebidos em locais públicos, deveriam levar o PM, conselheiros, e a dupla de ministros de Estado, Gaspar e Portas, a reflectir na situação a que se chegou na relação entre o poder e parte maioritária da população.
Crentes numa condescendência popular virtual e apenas existente nas acéfalas cabeças que encimam o tronco, deveriam reflectir com a pouca ou muita inteligência que a natureza lhes deu, se a participação em acontecimentos públicos é recomendável – Miguel Relvas, que é no governo o estigma do desaforo e da insensatez, em menos de 24 horas, teve em Gaia (Clube dos Pensadores) e em Lisboa (ISCTE) duas recepções que ao mais comum dos cidadãos faria corar de vergonha. Todavia, insistiu e, em dois consecutivos exercícios, fez questão de demonstrar ter imensa paixão por actos de masoquismo.
Do lado de quem contesta o poder, os reclamantes da demissão do governo estão em contínua expansão. Trata-se de gente de todas idades, incluindo muitos jovens, para quem, ao contrário de Relvas, o sofrimento não é prazer, porque castiga e dói demais no dia-a-dia e na perspectiva de um futuro negro, sem esperança.
Há, nisto tudo, uma diferença de interpretação abismal entre o que uns querem e outros fazem – quem protesta quer a demissão, o dogmático “ir para rua!”, do governo; este, por sua vez, entende que ainda tem credibilidade para sair à rua, gozando de imaginária complacência do povo para a catastrófica crise que está a instalar no País.
“Ide para rua e rapidamente!”, digo também eu a Passos, Portas & Cia.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Democracia Iliberal em expansão na Europa

manifestação em madrid
Fonte: Jornal ‘Público’
Fareed Zakaria, ensaísta e jornalista editor da ‘Newsweek International’, faz uma espécie de decantação de dois conceitos, normalmente imbricados: democracia e liberdade.
A democracia corresponde à vontade expressa pelo povo em eleições livres e justas. Segundo o ensaísta, a liberdade, ao contrário do que se pensa, nem sempre caminha de  mão dada com a primeira. Dá os exemplos de Hitler e de Hugo Chavez, democraticamente eleitos, para ilustrar a teoria que sustenta.
Se Fareed actualizasse o texto do livro ‘O Futuro da Liberdade’, teria de contextualizar o que hoje se passa em diversas sociedades europeias, em termos de repressão de liberdades. Aplicando aos fenómenos de violência policial na Europa o conceito do que ele classifica de ‘democracia iliberal’.
Rajoy, como políticos gregos, italianos e portugueses, não foi sufragado para se valer de brutais acções de violência policial sobre manifestantes que contestam a austeridade, ou seja, o desemprego real ou potencial, a precariedade das relações de trabalho, a carestia da vida em crescendo, a pobreza e até a miséria em expansão.
Sucede que Rajoy, para vencer o sufrágio, contestou publicamente a hipótese de aumento do IVA ponderado por Zapatero, prometendo, pois, não tomar essa e outras medidas adversas aos cidadãos. Uma vez ludibriados, estes protestam. Qual a surpresa?
Cá como lá, a receita cega e socialmente insensível da austeridade está a dar origem a climas e confrontos sociais e físicos que, infelizmente, os políticos do poder e parte da oposição se mostram incapazes de entender. Um dia perceberão à força, muito possivelmente.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Não evita protestos, mas entra pela ‘porta dos fundos’

O governo certamente está ciente do descontentamento do povo. Contudo, parece subestimar a multiplicação de manifestações populares e antigovernamentais pelo País. Curiosamente mais a Norte do que a Sul. Com o vermelho Alentejo mudo e anestesiado pelos inexoráveis fenómenos de velhice e pobreza de que os governantes fogem – os investimentos turísticos do Alqueva, de ‘resorts’ e campos de golfe, estão paralisados e não há uma pequena infra-estrutura sequer para inaugurar; assim a modos de uma retrete pública, para o pessoal não andar por aí a “mijari” pelos cantos. 
Impelido para o Norte, hoje o PM esteve em Braga, em cerimónia dedicada ao “Bosh é Brom” de Alexandre O’Neill. Foi contestado na sequência de Guimarães e Castro Daire (PR), Covilhã (ministro Álvaro) e anteriormente na Guarda, perante ele próprio, PM.
Argumentou tratarem-se de manifestações organizadas, pretendendo iludir a opinião pública com a ideia de que, se ao menos fossem desorganizadas, seriam mais aceitáveis e compreendidas pelo Governo. Não é refluxo de grande inteligência, porque ele, pura e simplesmente, além do descaramento, é dela destituído.
Valentão, declarou ainda não temer manifestações. Porém, pelo sim pelo não, entrou pelas ‘portas de fundos’. Há que fugir dos “trauliteiros”, dos “provocadores dos desacatos” e do “reles povo” que ou não tem emprego, ou não recebe subsídios de desemprego ou a foi espoliado de dois salários, reformas ou pensões anuais.
Depois de Salazar – ou antes?, já nem sei – este é o PM mais prepotente e desumano da História de Portugal de há 8/9 décadas. O surpreende é haver certos “intelectuais” de esquerda a afirmar que se trata de um homem sério. Coisa, aliás, que também se dizia de António Oliveira Salazar.