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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Gaspar a coser gáspeas


Parte substancial dos portugueses não anda propriamente descalça. Calça sapatos de solas esgaçadas e, em alguns casos, furadas. Nestes dias de final de Verão, a jornada acaba com as meias empoeiradas e mais esburacadas. Como não há dinheiro para novas, quando muito passajam-se as que temos; quanto aos sapatos, o Ministro das Finanças lá se vai entretendo a coser gáspeas. Porém, no dia seguinte, voltamos à mesma, de sapatos e meias rotos.
Vem aí o Outono e o Inverno, tempos generosos de chuvas e lamaçais. Gaspar, a somar ao imposto extraordinário, continuará a coser gáspeas; o mesmo que "tapar o Sol com uma peneira". Os buracos são mais que muitos e não há tela, nem pedaços de sola, nem linha, nem agulha, nem mestres sapateiros que nos valham. Por muitas vezes que cosam gáspeas ou a costureira caseira passaje as meias.
Vítor Gaspar, o tal ministro de discurso hermético, desta vez foi claro na contradição. Por um lado, afirma que o impacto do défice da Madeira este ano deve ser "muito limitado". Por outro, diz: "não há quaisquer estimativas sobre o impacto no défice deste ano". Afinal em que ficamos? O impacto é limitado ou não é impossível estimar o impacto?
Faço questão de, na qualidade de partidariamente desvinculado, não favorecer ou desfavorecer este ou aquele partido com elogios ou críticas. Todavia, tendo em conta a explicação do 'défice - palavras de permeio - colossal', seria preferível que Vítor Gaspar estivesse quedo em vez de coser gáspeas. O buraco das contas da Madeira, do laranja Jardim, não é susceptível de ser objecto de segunda ocultação.
O ministro assegura que não terá impacto este ano; mas, então, no próximo? É que felizmente para a maioria dos portugueses há mais vida para além de 31 de Dezembro de 2011. E, desventurados, estão entregues a este tipo de políticos, temporários ou definitivos, incapazes de governar bem e com seriedade, intelectual que seja.

  

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Belém & São Bento SA

A confirmar-se esta notícia, a escolha, para ministro da Economia, de Catroga, o especialista capilar da púbis; e estoutra, de Maria de Céu Machado para a Saúde, mulher de João Lobo Antunes, mandatário de Cavaco Silva e ainda de outras figuras para chefiar ministérios do próximo governo, por exemplo Vítor Bento para as Finanças, bem se poderá dizer que o Palácio de Belém terá uma representação significativa no XIX Governo Constitucional. Mesmo próxima ou igual à do CDS. O partido de Portas abarcará, segundo consta, três pastas ministeriais.
Como ainda sucedeu hoje, por muito que Pedro Passos Coelho repita que os referidos nomes  estavam no seu pensamento muito tempo antes das eleições, a afirmação é muito pouco credível. Trata-se de personalidades, estas e eventualmente outras, de quem o PR é próximo. Custa a acreditar que Cavaco Silva não seja já conhecedor.
Se o governo vier a integrar tais personalidades, diga o que disser, Cavaco fica comprometido com o desempenho do novo governo. Nos sucessos, como nos fracassos.
Uma última nota: Maria de Céu Machado, como Ana Jorge, é pediatra; ou seja, uma 'clínica geral de crianças', como se diz na gíria da comunidade médica. Oxalá que, como ministra, consiga a elaboração do 'Plano Nacional de Saúde 2011-2016', tarefa que ela própria não conseguiu realizar antes. Com a ajuda da polivalente e entendida Assunção Cristas e do filho do médico Luís Filipe de Menezes, de nome igual ao pai, note-se, pode ser que o País tenha, então, o famigerado Plano.
Ao citar os nomes acima, longe de mim a intenção de falar de 'boys'. De 'friends'? O melhor é ficar por aqui..