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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Novembro: produção industrial em queda

Taxas e taxinhas constituíram o tema com que Pires de Lima eternizou uma das mais ridículas intervenções de um governante na Assembleia da República.
 Dir-lhe-ia, se o encontrasse, que existem taxas e taxinhas para todos os gostos e leituras. Algumas, estou certo, o ministro da economia detesta e, ao aperceber-se delas, assobia para o lado. É o caso, certamente, dos números da ‘Produção Industrial’, referidos, por exemplo, no ‘Jornal de Negócios’, relativamente a Novembro-2014.
Todos os valores componentes dessa estatística revelam uma quebra global de – 0,2%, com referência a Outubro, que já havia sido mês de estagnação. Nada melhor que citar a fonte, o INE, e transcrever o texto inicial que, em PDF, é publicado hoje pelo Instituto citado:
Índice de Produção Industrial (*) registou variação homóloga negativa
O índice de produção industrial apresentou uma variação homóloga de -2,0%, em Novembro (variação nula em Outubro). A secção das Indústrias Transformadoras registou uma variação homóloga de -3,1% (-0,5% no mês anterior).
Variação homóloga
O índice de produção industrial situou-se, em Novembro, em 93,7, o que corresponde a uma variação homóloga de -2,0%, 2,0 pontos percentuais (p.p.) inferior à observada em Outubro.
Todos os agrupamentos apresentaram taxas de variação inferiores às observadas em Outubro, destacando-se os contributos negativos dos agrupamentos de Bens de Consumo e de Bens Intermédios (-2,0 p.p. e -0,9 p.p., respectivamente) que superaram os contributos positivos dos agrupamentos de Bens de Investimento e de Energia (0,1 p.p. e 0,8 p.p., pela mesma ordem). As variações homólogas dos dois primeiros agrupamentos fixaram-se em -6,2% e -2,5% (-4,1% e -1,8% em Outubro) e as dos dois últimos situaram-se em 0,7% e 4,9% (4,1% e 8,5 no mês anterior).”
Para um governo que, com especial destaque para o PM, Coelho, e subordinados ministros, incluindo o Pires, iniciou uma luta eleitoral a um ano de distância, começou um longo período de proeminência de auto-elogios do desempenho económico do País; para esse governo, dizia, é um doloroso desmentido que a Economia Real do País lhe oferece.
A austeridade, cuja continuidade o governo actual defende com intenso empenho, não é, de facto, o caminho para Portugal e para a Europa. Olhe- se e reflicta-se com redobrada a atenção sobre o que se passa na Grécia (Syriza), Espanha (Podemos), à esquerda, ou em França, a Frente Nacional, à direita, para se perceber que a Área do Euro, se não está ameaçada de morte, iniciou há tempo suficiente um estado de morbidez cujo desfecho se desconhece: morte ou reabilitação? Esta última, creio convictamente, jamais terá probabilidades de ser alcançada com as políticas e ilusórias promessas do nefasto Juncker (o herói do ‘Luxleaks).
Do ‘suspense’ deste filme dramático, veremos que solução haverá para 78 milhões de desempregados da UE e de múltiplas desgraças que atingem os povos do Velho Continente.
(Adenda: tomei a liberdade de alterar o texto do INE nos termos em que este usou o AO de 1990.)


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Economia Portuguesa: regresso à contracção

O ‘Público’ anuncia em título:
 “Economia trava no arranque do ano, mas investimento recupera
Mesmo quem se satisfaça com as “gordas” dos jornais, é levado a concluir que, sob a batuta da dupla Coelho + Portas, Portugal anda aos solavancos ou, dito doutro modo, a Economia do País obedece à ‘teoria do caos’: instabilidade e aleatoriedade dos resultados, a despeito dos governantes, em instrumentos orçamentais e em documentos de falsa estratégia (DEO’s), terem a veleidade de argumentar rigor e infalibilidade determinística – até o caricato Gaspar deixou a governação, desiludido com metas e resultados falhados.
A fim de evitar imprecisões, e em especial proposições demagógicas, é recomendável ler o texto completo da notícia; ou melhor ainda, aceder à fonte de informação, INE, que complementa a justificação do comportamento económico do 1.º T de 2014, nos seguintes moldes:  
A procura externa líquida apresentou um contributo negativo expressivo para a variação homóloga do PIB no 1.º trimestre, depois de registar um contributo positivo no trimestre precedente, devido principalmente ao abrandamento das Exportações de Bens e Serviços, tendo as Importações de Bens e Serviços acelerado.”
eComparativamente com o trimestre anterior, o PIB diminuiu 0,7% em termos reais.
Com o recurso a dados publicados ontem, dia 14-Maio, nas estatísticas do EUROSTAT, ficámos igualmente a saber que Portugal liderou as quedas da ‘produção industrial na UE28 (- 4,8%), sendo digno de registo que a Zona Euro (18 países) teve uma quebra geral do mesmo índice de – 0,3%, no citado 1.º T de 2014.
O Governo entende que as políticas de saída da crise – não confundir com a alcunhada “saída limpa” do PAEF da ‘troika’ – deverão sustentar-se na variável exógena das exportações; a qual não domina, como não controla a volatilidade dos juros da dívida pública, no presente em favoráveis aos países europeus em geral, por riscos acrescidos para os investidores em mercados emergentes.
Veremos como os malditos mercados reagirão aos compromissos formais prometidos pelo BCE, através do ‘super Draghi’, para 5 de Junho próximo. A valorização excessiva do euro, os riscos de taxas de inflação reduzidas ou mesmo negativas a caminho da deflação e a falta de liquidez para financiar as economias da Zona Euro, sobretudo as mais frágeis, é uma mistura complexa, das quais a evasão não é fácil. Esperemos pelas soluções!
Entretanto, ficaremos entretidos com o fado cavaquista, "Há uma nova esperança a nascer em Portugal", interpretado pela voz da amiga Katia Guerreiro, médica oftalmologista de escassa experiência em cataratas e miopia.