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terça-feira, 14 de julho de 2015

Passos Coelho, o caricato narcisista




Segundo refere com frequência a comunicação social, uma larga maioria de deputados adopta como bíblia 'O Príncipe de Maquiavel'. 
Com deplorável culto de narcisismo, Passos Coelho vangloriou-se após a última cimeira do Conselho Europeu de ter sido de sua autoria a solução para a utilização do fundo de privatizações grego, de 50 mil milhões de euros, incluído em pacote de condições severas, senão mesmo de cumprimento impossível.
Passos Coelho revelou-se, uma vez mais, um artista maquiavélico, ou seja, do tipo de quem entende que 'os fins justificam os meios'. Mesmo que se ofenda a soberania de um povo, através da louca austeridade agora agravada para causar a implosão do Syriza e a saída da Grécia da Zona Euro.
É oportuno sublinhar que, a propósito de estadistas e políticos, não existem apenas as teorias de Maquiavel. Outros pensadores, Ortega y Gasset, por exemplo, no ensaio 'Mirabeau o el político' manifesta um género de pensamento muito distinto da doutrina maquiavélica, culminando nesta sublime distinção:
"O estadista preocupa-se com a próxima geração e o político com a próxima eleição"
O comportamento de Pedro Passos Coelho, no passado, presente e expectável no futuro, é eloquente na demonstração de que, como  muitos outras figuras de vários quadrantes, temos de o considerar um político, nesta última acepção; no caso dele, de qualidade reles que, mentira atrás de mentira e vaidade balofa, está provada com transparência e até à exaustão. 
É a subserviência de Coelho que leva o patrão da UE, Schäuble, a ter imensa consideração pelo PM e bom aluno português. Tanta, tanta estima que, ao estar ausente do Conselho Europeu, quando soube da proposta do Coelho, o despótico Ministro das Finanças alemão, de euforia, deu um salto na cadeira e espalhou-se ao comprido. Coitada da cadeira!
Sobre o 'fundo de privatizações' grego, permito-me sublinhar a interrogação deixada no ar por Mariana Mortágua do BE, no 'Frente-a-Frente' da SICN de ontem:
"Se Portugal, a despeito da política de privatizações avassaladora, realizou apenas 9 mil milhões de euros, como poderá a Grécia reunir 50 mil milhões de patrimónios privatizáveis rapidamente?"
A Grécia, e em especial Alexis Tsipras, confrontam-se com um desafio muito duro, lançado pela UE sob a batuta do poder autocrata alemão.
A meu ver, e não se trata de previsão difícil, a Grécia acabará por sair da Zona Euro por incapacidade de cumprir exigências tão severas. Todavia, Schäuble, Merkel e os novos 'sudetas' alinhados com os germanófilos virão alegar que coube aos gregos a decisão de sair, porque, mesmo em circunstâncias difíceis, fizeram tudo para evitar tal fractura.
Em 2017, os germanófilos poderão enfrentar um problema mais difícil. Basta que Marine Le Pen ganhe as eleições presidenciais... e as sondagens até agora apontam-na como vencedora.
Cá estaremos para assistir à provável derrota final, depois do confronto entre gente de extrema-direita.
  

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Krugman: a morte da zona euro


Paul Krugman escrevia ontem no New York Times um artigo sob o título 'A viagem para a morte da zona euro'. Do texto, realço parte elucidativa em que o autor resume as características e a dimensão da crise do euro nos seguintes termos:
Obama, no mesmo estilo, também acusou a Europa de assustar o mundo com a crise. Ainda que os EUA pouco tenham trabalhado em transformações profundas do 'sistema financeiro mundial', das regras da 'Organização Mundial do Comércio' (OMC) e dos poderes, de facto, conferidos à Organização Internacional do Trabalho (OIT), o presidente norte-americano acaba por estar certo, apenas por uma razão: os líderes europeus são bastante piores e nem sequer têm a capacidade para gerir os problemas internos de duas causas, a UE e em especial a Zona Euro.
Postergados Barroso e Van Rompuy, tem competido à activa dupla franco-alemã, Sarkozy e Merkel, a gestão das falsas promessas, dos silêncios, das farsas e das ameaças à soberania de outros Estados-Membros.
Do par, Merkel é quem mais ordena. Todavia, e a despeito da imagem com que se apresenta, quem vai, de facto, mandar é o Parlamento da Alemanha no dia 29, depois de amanhã, ao decidir se, sim ou não, a Grécia deve ser apoiada. Segundo alguns, a ajuda deveria incluir o perdão de 50% da dívida.
Resta também saber se, de facto, os interesses eleitoralistas dos partidos alemães se traduzirão em factor determinante. Se assim for, então os Liberais, coligados no governo de Merkel, vítimas de quebras de votos acentuadas nas eleições, em eventual aliança com o CSU, dirão não à Grécia. E, dizendo não à Grécia, disseminam o agudizar da crise por países detentores do PIB de cerca de um terço da Zona Euro, cuja morte é assim prevista e bem por Paul Krugman.
Apenas uma breve observação. O sector bancário europeu está falido. Nem os disfarces o conseguem esconder. Qual bomba incendiária em célere e errática propagação, a população europeia vai regredir ainda mais no modelo civilizacional a que se catapultou. O mundo, todo ele, também sofrerá.