quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Surpresa de Paulo Azevedo (Sonae) equivale a incompetência

O empenho do inquilino do Palácio de Belém, em sucessivas e entusiásticas manifestações de amizade junto do homólogo de Luanda, tem servido de estímulo e impulso ao “estreitamento” de relações entre sociedades portuguesas e angolanas – ou dito de forma mais clara, com a filha mais velha de José Eduardo, Isabel, e mais meia-dúzia de poderosas figuras da oligarquia angolana; casos do general ‘Kopelika’ e do famoso Sobrinho que liderou o BESA até ao naufrágio do BES e do GES  com o outrora poderoso Ricardo Salgado no comando.
Sob a orientação superior de Paulo, filho do ‘digno’ e ‘decoroso’ Belmiro, a Sonae decidiu desenvolver e aplicar um plano estratégico para lançar o negócio dos hipermercados ‘Continente’ em terras angolanas, em parceria com Isabel dos Santos.
Paulo tramou-se e agora lamenta-se da fuga de dois quadros, ao que se percebe, com funções cruciais no projecto em causa. Miguel Osório e João Seara, assim se chamam segundo o ‘Público’, traíram e abandonaram o patrão Paulo, a fim de trabalhar directa e exclusivamente para Isabel dos Santos.
Na mesma onda dos promotores portugueses dos investimentos no BESA e da PT, esta última com a Unitel dominada por Isabel, e de outras empresas cuja listagem seria demasiado exaustiva, a Sonae, certamente, foi alvo de uma golpada que não me causa a mínima perplexidade.
É do conhecimento geral que o mundo dos supernegócios de Angola, onde impera a filha do presidente daquele País, é caracterizado pela volatilidade dos compromissos dos empresários locais, sobretudo os poderosos. Quando a esse fenómeno se combina com a vulnerabilidade e quebra dos preços do petróleo, então estamos conversados…
De facto, Paulo de Azevedo, à semelhança de outros gestores qualificados com cinco e seis estrelas, cometeu o erro elementar de ignorância da qualidade da parceria e do país anfitrião. Agiu com falta de segurança e desprezou riscos das parcerias com membros da oligarquia angolana, robustecendo a incompetência mediante a selecção de dois colaboradores de alto nível, mas infiéis.
Este e outros episódios prestam-se também a revelar que, do ponto de vista teórico, grandes empresários e membros próximos de ‘staff’ revelam desconhecimento da bicentenária teoria de Adam Smith da ‘liberdade do mercado’, centrado no seguinte pensamento:
“[Adam Smith descreveu a auto-interesse e da concorrência em uma economia de mercado como a "mão invisível"]”,
Isto, justamente, quando é corrente na economia global em voga, o sentido neoliberal se fundamentar nos citados conceitos básicos da tal «mão invisível’. Por um e por outro lado, pura e simplesmente, à superestrutura da Sonae nem lhe passou pela cabeça assegurar-se a tempo com mecanismos legais preventivos, para acção em tribunal internacional. Sim, porque no sistema de justiça angolano nem uma causa será ganha por entidade estrangeira contra a filha do presidente Eduardo dos Santos, mesmo que a razão penda integralmente para o seu lado.
No fim de contas, e talvez impelido por sentido de revanche, penso que quem amontoa fortunas a pagar salários de 500 euros brutos, para trabalho a tempo inteiro, ou 250 euros, a meio-tempo, a muitas centenas de concidadãos, assim como a explorar os fornecedores mais frágeis com preços deprimidos e prazos de pagamento alargados; penso que quem assim actua, dizia, umas vezes merece suportar o alto custo de ser burro em terra estrangeira.