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sábado, 3 de outubro de 2015

'Les feuilles mortes' de Yves Montand


Outono. O cenário dos dias torna-se mais triste. O céu está semiescondido por uma nebulosidade alta. O Sol também. Se voltar nos tempos próximos, a visita será provavelmente efémera. As folhas dos choupos à volta da minha casa precipitam-se sem cessar no solo que é o seu abismo. A criancinha pequena liberta-se da mão da mãe e salta com prazer sobre 'as folhas mortas'. Houve os estalidos da folhagem pisada e ri-se de alegria. É a chegada do Outono percebida pela inocência de um petiz a quem qualquer brincadeira faz feliz. 
O que vejo na felicidade da criança trouxe-me à memória a canção 'Les Feuilles Mortes' que adopto como melodia deste plúmbeo Sábado de Outubro. 
Confesso que, na intimidade dos meus sentimentos, desejo que aquele movimento de declínio se transforme, neste fim-de-semana, em metáfora da queda dessa repugnante gente que, neste País, tem tido o prazer sórdido de disseminar a pobreza, a injustiça social e a alienação ao desbarato de bens patrimoniais e enormes fatias da soberania de uma Nação com 9 séculos de História. Revelo ainda que, com alegria semelhante à da criança a calcar as folhas dos choupos, espezinharia com felicidade capitosa essa canalhada atirada por terra. Oxalá tenha a oportunidade de tal regozijo.     
   

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Les Feuilles Mortes Yves Montand

A partir de certa fase na vida, somos aprisionados por ‘saudades’, esta palavra mágica, exclusivamente portuguesa. Sumária mas de sensibilidade extrema, a palavra traz-nos à memória o passado – desse protegemos  os momentos felizes com o afecto idêntico ao de quem cuida de filigranas em que se transformam um passado remoto, emocional e que dificilmente nos sai da alma.
É Outono. O dia está soturno. Percorro a rua. Atento na tristeza de quem, vivendo o presente, parece reviver em silêncio episódios de felizes pretéritos, de que ‘as folhas mortas’, caídas no solo, constituem fiel metáfora.

Metafórica, igualmente no sentido de um tempo que se viveu com felicidade, segundo os meus sentimentos, é a canção ‘Les Feuilles Mortes’, interpretada por Yves Montand: