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quarta-feira, 9 de maio de 2012

As convicções dos incompetentes

Da incompetência, da teimosia neoliberal de disseminar pobreza e miséria nos países em que governa, apenas quem não quer ou é incapaz de perceber tem dúvidas do efeito da austeridade. Na Europa, ao que parece em mudança, ainda há países e regiões, como a Ibéria, onde subsiste e domina a ideologia do monetarismo, dos números orçamentais, sem que aos políticos no poder incomode a destruição social e económica das sociedades que (des)governam.
O ardiloso e presunçoso Passos Coelho, no final da cimeira ibérica, teve o arrojo de afirmar:
Cegueira, maldade ou estupidez? Talvez um pouco de tudo e, nisto, esteve bem acompanhado pelo demagógico Rajoy que, tal como ele, está a fazer o contrário do que prometeu ao povo espanhol – deu-se ao luxo de gozar, numa cimeira europeia, com prometidos protestos perante a ameaça de liberalização das leis laborais. Quem quiser ver com olhos de ver, sabe de ciência certa que essa é uma das causas da desastrosa expansão do desemprego – 24,44%, mais de 5,6 milhões de desempregados, actualmente.

‘Polícias e Ladrões’, tema da cimeira ibérica

Os ladrões ibéricos, a partir da cimeira ibérica em cenário alfandegário, até ao Verão podem ficar tranquilos. Roubem à vontade e sem restrições de mobilidade.
Iniciado o tempo da canícula, começam os controlos móveis policiais entre Espanha e Portugal – o termo ‘entre’ é, de facto, demasiado ambíguo; pode compreender as relações de múltiplos géneros, das estaduais às sensuais.
Bom, mas de entre isto tudo, deduzo que a mobilidade será o trunfo dos polícias. Todavia, o duo Miguel Macedo e Fernández Diaz terá de contar com a aptidão dos ladrões com as capacidades reactivas à mobilidade policial, do género daquela que as seguintes imagens demonstram:
A polícia foi tão eficientemente móvel que ficou sem ladrões para deter.
Passados anos após ‘Polícias e Ladrões’ de Bruno Corbucci, Macedo e Diaz retomam, pois, o tema para fins policiais. O sucesso pode ou não estar garantido. Depende de quem tenha  de se mexer com rigor e de continuar a haver cobre e ouro para bifar. Sim, porque sem matéria não há ladrões, nem detenções, mesmo que a polícia seja móvel, dentro dos limites que o filme aconselha. Há, pois, o risco deste ambicioso e visionário projecto da cimeira ibérica ir por água abaixo.

Rajoy e Passos, na alfândega sem despachos

rajoy passosNa Alfândega do Porto, Rajoy e Passos protagonizam hoje a cimeira ibérica, depois de mais de três anos de interrupção.
Do conhecido e prestigiado espaço alfandegário, não se espera que saiam despachos especiais, uma vez que tudo o que seria útil  expedir voltaria à procedência. Ninguém compra, a estes dois vendedores de balelas, a austeridade, o desemprego e outras especialidades em que ganharam o estatuto de peritos do quanto pior melhor. De atrevidos e topetes, loucos e loucuras, está o mundo cheio e quem pode diz-lhes: “cheguem-se para lá!”
Curioso o trecho da notícia do ‘Público’, a propósito da não realização da cimeira há mais de três anos:
Em Lisboa, José Sócrates cedo se apercebeu de que os camaradas espanhóis queriam poupar-se a uma foto comprometedora. Portugal, já então à beira do resgate financeiro, não era boa companhia. A Espanha buscava distanciamento.
O que sucedeu, afinal, para se superar tal distanciamento? Portugal continua em crise. Entretanto, a Espanha que a ocultava, agora já não tem como encobrir a recessão, o agravamento das contas públicas, o desemprego altíssimo, o banco Bankia sem liquidez… enfim, Rajoy e Passos, tão mentirosos, conservadores e neoliberais, são termos de exacta equação e ficam perfeitos na mesma fotografia. Nem mais.
Comboios, negócios, energia e crise podem ser temas das conversas, diz o jornal; mas, nem os dois os levam a sério, remato eu. Conversas da treta, diriam o saudoso Feio e Pedro Gomes.