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sábado, 20 de agosto de 2011

TGV: o conflito nacional-ferroviário

O TGV das inquietações da coligação. A direita no poder está agitada. Fala, escreve e recrimina o humilde 'Alvaro', sem dó nem piedade. A emoção é inímiga do discernimento, como se sabe. Mas, sem argumentos sustentáveis de ordem técnica e económica, vale-se de vácuos discursos políticos. Nem sequer dá conta de que o Ministro da Economia, ao reduzir o projecto a uma ligação, específica para mercadorias e em bitola europeia, entre Sines e Espanha, está a desprezar uma variável fundamental na selecção do investimento: a existência de massa crítica, ou melhor dito, a inexistência.
Como, porém, a reflexão sobre ideias destas constitui pura perda de tempo e paciência, o melhor é caminhar pelo humor. E, assim, aqui têm a minha resposta:
Já viram como sairia cómodo e barato à ICAR ir a Madrid, de TGV, assistir às comemorações da JMJ, com os apelos ao  "radicalismo cristão" de Bento XVI. O pessoal das paróquias da 'Zona J', da 'Musgueira', em Lisboa, do Bairro do Aleixo, do Porto, da Vila d'Este, em Gaia, e Alberto Sampaio, na Póvoa do Varzim, e de outros sítios que tais, deliraria... para desencanto dos elitistas do Norte e do Sul que achariam que o TGV é luxo exclusivo deles. Seja para ir à capital de Espanha "mirar las golfas" ou saudar "El Papa" com papel higiénico da Renova.
Oh Álvaro, ou decides com racionalidade ou voltas para o Canadá para ensinar o mundo a ficar pior. Entende, meu filho, que esta é uma luta de provincianos interesses mercantilistas, sujeita à crítica de homens com óculos de tosca armação e que fazem lembrar ridículas personagens d' 'Os Maias' - Por exemplo, o Conde de Gouvarinho...
Ora, orem com Ratzinguer e apelem à Matos para excomungar os indignados. O TGV, na excelsa meditação divina, é apenas um acessório andante que não vos paralisará a fé.
 





sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Centros de Emprego eficientes - e eficazes?

O Ministro da Economia e do Emprego, o famoso Álvaro, quer Centros de Emprego mais organizados e eficientes. Parece natural e legítimo. Todavia, no interesse dos milhares de desempregados, talvez não fosse despiciendo acrescentar aos objectivos a eficácia; isto é, produzir resultados concretos em termos de arranjar trabalho à maioria dos inscritos nos citados centros. Mas aqui é que 'a economia torce o rabo'. Com a estagnação herdada e as medidas recessivas actuais e futuras, o frágil tecido económico português é demasiado parco em oportunidades de trabalho. E porque este problema - estrutural, diga-se - é complexo e nodoso, o Sr. Ministro tem dificuldades em resolvê-lo; se é que não está a agravá-lo em conjunto com os companheiros de governo, através da orientação política que os inspira.
Outro pormenor a reter da notícia é o propósito de lançar acções de formação profissional para desempregados. Tudo estaria certo se o objectivo se confinasse a dilatar as oportunidades de emprego e, em simultâneo, satisfazer as necessidades das empresas. O pior é que transferir desempregados para acções de formação diminui artifificalmente o número de desempregados. Os valores publicados pelo INE reflectirão um ilusório sucesso, caso se repita a tradição do passado.
Se Sócrates e os seus governos trabalhavam para as estatísticas, o actual Ministério da Economia e do Emprego, com o exemplo referido, não enjeita seguir igual via. Mais do mesmo, portanto.

domingo, 26 de junho de 2011

"Tempos difíceis", palavra de Ministro!


O Senhor Ministro da Economia e do Emprego, que disse às TV's preferir que o tratem por Álvaro, segundo o jornal "i" afirmou: "Todos sabemos que vêm aí tempos difíceis". Saber, saber, já sabíamos, oh Sr.Ministro ou Sr. Álvaro, como preferir. Não é novidade.
Há, porém, uma diferença de consideração temporal. Os tempos difíceis não vêm aí. Já cá estão e perto de dois milhões de portugueses já o sentem e de que maneira. Vão é complicar-se ainda mais.
A sua dissonância com o País real é compreensível. Tem andado lá pela Grã-Bretanha e Canadá e, nessas academias, não acredito que se estude aprofundadamente  a crise de Portugal. Um país de 10,5 milhões de residentes, que desde 1985, destruíu grande parcela do tecido económico -  indústria,  agricultura e as pescas.
O Sr. Ministro ou Sr. Álvaro, sempre a seu gosto, afirmou também que "Se não acreditasse no sucesso português não teria voltado do Canadá...". Há nesta afirmação alguma sobranceria: "Vejam lá que vou abandonar a minha cátedra no Canadá para, naquele mini-rectângulo, valer aos desvalidos portuguesinhos." Olhe que não é bem assim Sr. Ministro ou Sr. Álvaro, à sua opção, mesmo a nível académico existe por aqui gente muito competente e mundialmente reconhecida. E de lá de fora têm-nos chegado notícias continuadas de plágios em doutoramentos. Leia, por exemplo, 'Coisas que eu não percebo no Parlamento Europeu', escrito por Palmira F. Silva no 'Jugular'.
Adenda: Há um enorme exército de académicos, políticos, críticos. comentaristas e teóricos que, ainda, não perceberam que mesmo um pequeno País,  financeiramente desequilibrado, integrado em moeda única e no sistema financeiro internacional, é uma ameaça para a estabilidade mundial deste. É o caso da Grécia e Bernanke do FED norte-americano já o entendeu há muito e bem.